Finanças Públicas CES: Crescimento não se resolve só com investimento e mais rendimento disponível

CES: Crescimento não se resolve só com investimento e mais rendimento disponível

O Conselho Económico e Social (CES) critica a indefinição das Grandes Opções do Plano e defende que o crescimento "não se resolve simplesmente com mais investimento e mais rendimento disponível".
CES: Crescimento não se resolve só com investimento e mais rendimento disponível
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 30 de Janeiro de 2016 às 19:42

"O crescimento desejável deve assentar no investimento de que o país carece e numa mais justa distribuição do rendimento", refere o projecto de parecer sobre as Grandes Opções do Plano para 2016-2019, a que agência Lusa teve acesso, que vai ser levado a plenário na terça-feira.

 

Segundo o CES, o país precisa de investimento que contribua para reposicionar Portugal "em termos ascendentes ao nível das diferentes cadeias de valor e que valorize o fator trabalho e a elevação das qualificações e das competências".

 

"O investimento que o país precisa é, também, aquele que aposta na valorização do território e dos nossos recursos em desfavor de actividades com uma elevada incorporação de valor acrescentado produzido no exterior ou fortemente consumidor de recursos importados", acrescenta.

 

Para o CES, o investimento adequado para Portugal é aquele que associa o processo de desenvolvimento e de inovação do país à valorização da produção nacional e dos factores diferenciadores da economia portuguesa face a terceiros.

 

"Na situação actual do país para haver mais investimento têm que existir políticas públicas adequadas e instrumentos disponíveis para financiamento e capitalização do nosso tecido empresarial. A posição de partida é, a este respeito, preocupante", considera o Conselho.

O CES refere, a propósito, a situação do sistema bancário, em processo de recapitalização, a ausência de verdadeiros instrumentos alternativos e os atrasos que afetam o 'Portugal 2020', como fatores que impendem um crescimento rápido do investimento privado.

 

No seu projecto de parecer, o CES considera ainda que não é possível prosseguir o objetivo do crescimento e do emprego, sem contas públicas sustentáveis e salienta que "a compatibilização dos dois objetivos surge pouco clarificada nas GOP, ficando apenas subjacente a ideia de que os mesmos só serão atingidos se da parte da União Europeia houver uma maior tolerância no cumprimento de metas do Pacto de Estabilidade e do Tratado Orçamental".

 

"A ausência no documento do cenário macroeconómico impede-nos, reafirmemo-lo, de analisar a coerência destes propósitos", criticou ainda o CES.

 

O CES considerou que as GOP não evidenciam as grandes linhas estratégicas para o país, ficando-se por "enunciados demasiado genéricos".




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comentários mais recentes
Anónimo 30.01.2016

O ditado nao engana:numa casa onde nao ha pao todos ralham e ninguem tem razao.Assim se pode classificar o barracao parlamentar.Se a humildade prevalece-se secalhar ate comecaria aparecer o pao,Verdadeiros TURRAS.

Anónimo 30.01.2016

O Marcelo ao meter-se nisto sem precisar,corre o risco de ter enxames de comunas radicais a roerem-lhes as orelhas constantemente.Porque ele vai ter de actuar e rapidamente porque o pais nao pode ser comparado a Argentina e Venezuela.

Anónimo 30.01.2016

Nao entendo porque ha-de haver mais tolerancia no cumprimento de metas do pacto orcamental,se a panela para alimentar esta ruada governamental tem ser ser cada vez maior.Alinhe-se as prioridades a feicao do que criamos e nao na fantasia folclorica.

Anónimo 30.01.2016

Até que Marcelo convoque eleições (duvido que consiga pôr na ordem o ambicioso) o País deverá continuar a andar para trás. Basicamente o que Costa tem feito desde que tomou o poder com a ajuda do Pc foi arruinar a imagem de Portugal no exterior.

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