Finanças Públicas Défice português ficou nos 6,6% em 2012 (act.)

Défice português ficou nos 6,6% em 2012 (act.)

O Eurostat “não acolheu os argumentos” de Portugal em relação à concessão da ANA, tal como o Negócios noticiou hoje. O défice que será reportado para questões estatísticas é de 6,6%, revelou o ministro das Finanças.
Défice português ficou nos 6,6% em 2012 (act.)
Bruno Simão/Negócios
Sara Antunes 15 de março de 2013 às 09:50

“O défice de 2012 apurado situou-se em 4,9% do PIB”, afirmou o ministro das Finanças durante a conferência de imprensa de apresentação da sétima avaliação do programa de ajustamento português. Mas “este valor está influenciado por um conjunto de efeitos no qual se inclui a concessão da ANA.”

 

Contudo, o Eurostat, que publica esta sexta-feira, dia 15 de Março, os dados do défice, “não acolheu os argumentos” do Governo português para incluir no valor do défice orçamental a receita registada com a concessão da ANA.

 

“Assim a receita da concessão não poderá ser considerada com impacto no défice. Adicionalmente existe um conjunto de reclassificações” de outras operações. E “tudo considerado, o défice [das administrações públicas] poderá atingir os 6,6% do PIB.”

 

"O défice corrigido de medidas pontuais situa-se em 6% do PIB", em 2012, adiantou o ministro. Este valor compara com os 7,4% registados segundo o mesmo conceito em 2011”, acrescentou Vítor Gaspar.

 

Mas o que justifica a diferença entre os 4,9% de défice referidos pelo Executivo e os 6,6% que serão reportados pelo Eurostat? O Governo explica que em causa estão três operações que Bruxelas não considera para abater no défice.

 

A primeira é a receita proveniente da concessão da ANA, que representa 1.200 milhões de euros.

 

A segunda é o aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos (CGD), “realizado no âmbito da recapitalização bancária”. Esta operação “considerada como uma transferência”, pelo que não poderá ser abatido ao défice, explicou o secretário de Estado do Orçamento do Estado, Luis Morais Sarmento, que adiantou que a não aceitação terá um “impacto de cerca de 700 milhões de euros” no défice orçamental português. O governante acrescenta que este valor “não inclui os chamados CoCos”, ou seja, não inclui o dinheiro injectado pelo Estado através dos instrumentos de dívida passíveis de serem convertíveis em acções.

 

A terceira razão está relacionada com o valor das imparidades dos veículos com os activos do BPN. As autoridades obrigaram a alterações na contabilização estatística da “transformação dos suprimentos que a Parpública tinha feito” nestes veículos. Morais Sarmento adianta que esta alterações tem um “impacto de cerca de 750 milhões de euros.”

 

As medidas extraordinárias são fundamentalmente a receita da ANA que o Eurostat não autorizou, a recapitalização da CGD, o valor das imparidades dos veículos com os activos do BPN.

 

Os resultados reflectem “o progresso realizado na consolidação orçamental”, destaca o ministro.

 

(Notícia actualizada às 10h53  com mais informações dadas pelo Governo)


A sua opinião41
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado josedomingos 15.03.2013

Uma negociação pressupõe, em qualquer parte do mundo e em qualquer tempo, esgrima de ambas as partes com os respectivos argumentos. No caso do relacionamento deste Governo com os seus credores - via troika, que são os mangas de alpaca dos ditos credores -, seria normal que, de ambos os lados, fossem apresentadas e defendidas firmemente as respectivas posições, como acontece em qualquer negociação. Porém, lamentavelmente, neste cenário não existem negociações como seria de supor, natural e desejável. Aqui há apenas e tão-só uma das partes - a dos credores, via troika - a impor os seus pontos de vista, sendo que o Governo português assume, em tudo isto, uma demissão bovina, obediente e completa na defesa dos interesses dos Portugueses, não se impondo, não usando firmemente o seu direito de devedor que quer pagar, mas a quem não são proporcionadas as condições mínimas de anos e de crescimento da economia, a fim de que os portugueses não sejam mais massacrados e sejam dadas ao país condições razoáveis para cumprir as suas obrigações. Não. De tudo isto este Governo abdicou e fez tábua rasa, perante a sinistra troika, limitando-se pouco mais do que a ouvir e a obedecer. Vide o exemplo espanhol ! Vide o exemplo irlandês ! Este indivíduo hipócrita, que dá pelo nome de Vítor Gaspar, não é o ministro das Finanças do Governo português, mas sim o ministro dos credores, pois às suas imposições obedece passiva e caninamente.

comentários mais recentes
Anónimo 15.03.2013

Lá estamos nós todos a pagar a recapitalização da CGD, para que possa "reverter" cortes salariais...

Anónimo 15.03.2013

6,6%? Ai que ladrones, ai que ladrones...

flavito 15.03.2013

Verdadeiramente espantoso é, em quase 2 anos, não acertarem uma única previsão. Tão espantoso como o aldrabão ter jurado a uma CRIANCINHA QUE NÃO TIRARIA A NINGUÉM O 13º MÊS. Mais espantoso ainda é continuar a haver quem os apoie.

Anónimo 15.03.2013

Em comentários à conferência do Gaspar, Cavaco fala da Europa... a Europa tem de fazer... a Europa para aqui, a Europa para ali... Porra, nós estamos em Portugal... e em Portugal, múmia?... o que vamos fazer em Portugal?... O que vais tu fazer, anta inútil?...

ver mais comentários
pub
Saber mais e Alertas
pub
pub
pub