Finanças Públicas Fitch ameaça descer "rating" de Portugal se Costa falhar redução do défice

Fitch ameaça descer "rating" de Portugal se Costa falhar redução do défice

A agência de "rating" considera que o Orçamento socialista assenta em pressupostos de crescimento "irrealistas" que elevam o risco de falhar a redução do défice para 2,6%. Diz ainda que há contas que estão por explicar.
Fitch ameaça descer "rating" de Portugal se Costa falhar redução do défice
Miguel Baltazar
Eva Gaspar 26 de janeiro de 2016 às 14:25

O "esboço" do Orçamento do Estado de 2016, apresentado pelo governo socialista, assenta em pressupostos "optimistas" e até "irrealistas" sobre a evolução da economia, o que agrava o risco de não ser alcançada a redução prometida do défice para 2,6% do PIB. Se esse cenário se materializar, a Fitch avisa para a probabilidade de descer o "rating" do país, invertendo a trajectória de subida da nota, que ainda permanece aquém do grau de investimento.

"As propostas orçamentais do governo português para 2016 têm por objectivo manter a consolidação orçamental, mas estão assentes em previsões que podem revelar-se irrealistas", escreve a agência de notação de risco, referindo-se às previsões de crescimento da economia, da receita e aos planos de despesa anunciados na semana passada pelo ministro das Finanças Mário Centeno.

Dado que as finanças públicas e a orientação da política orçamental são "variáveis-chave" na avaliação do "rating", "qualquer relaxamento resultante de uma trajectória menos favorável dos rácios de dívida poderá desencadear uma acção de 'rating' negativa, assim como um crescimento mais fraco que tenha impacto negativo sobre as finanças públicas", adverte a agência de notação do risco.

Numa nota enviada aos investidores, os economistas da Fitch assinalam que o governo socialista pretende alcançar agora uma redução mais ambiciosa do défice no final de 2016 - para 2,6%, em vez dos 2,8% previstos no Outono na sequência dos entendimentos com o PCP e o BE - o que confirma a expectativa de que tentará cumprir as regras europeias e de que há "espaço político para a consolidação".

Contudo, acrescenta-se, este valor fica acima da meta do anterior governo (défice de 1,8% do PIB no final de 2016) ao mesmo tempo que assenta em pressupostos de crescimento "optimistas". Tal como as instituições internacionais e o Conselho das Finanças Públicas, a Fitch vê a economia a crescer em torno de 1,7%, ao passo que o governo de António Costa acredita em 2,1%, em parte devido à expectativa de um crescimento mais forte das exportações - o que, para a Fitch, volta a ser uma previsão que peca por excesso de optimismo perante o arrefecimento nos mercados emergentes e a perspectiva de um crescimento económico ténue no conjunto da Zona Euro.

Em declarações ao Diário Económico, também a Moody's considerou que o esboço do Orçamento para 2016 "é optimista" e "repete erros do passado" - indo ao encontro das advertências do Conselho das Finanças Públicas.

Faltam dados

A agência Fitch chama ainda a atenção para a falta de detalhe das propostas orçamentais socialistas, concluindo que, neste momento, continua a "não ser claro como é que o governo reconciliará os objectivos de moderar a consolidação orçamental com as promessas eleitorais de reverter medidas de austeridade". "Por exemplo, reverter os cortes nos salários do sector público custará cerca 446 milhões de euros, mas os cortes na despesa corrente  que poderão ajudar a compensar este efeito, contribuindo para a redução global da despesa, não são detalhados", ilustra a agência, no dia em que Mário Centeno anunciou que quer reduzir o peso quer da despesa quer da receita no PIB, prometendo "um significativo esforço de contenção da despesa pública, o maior dos últimos anos".

Sobre o rácio da dívida, que o governo prevê reduzir para 126% do PIB, a Fitch nota que tem uma previsão superior (127,9%) e que a meta socialista dependerá da "plena implementação da consolidação prevista" bem como do impacto de factores pontuais, como o custo potencial associado à venda programada do Novo Banco.

A agência, que antecipa menos crescimento, mais défice e mais dívida do que o governo, reverá a classificação de risco atribuída aos títulos de dívida emitidos pelo Estado português em 4 de Março. O "rating" está actualmente em BB+ (ainda em "lixo") com perspectiva positiva.

 



(Notícia actualizada às 15h20. Correcção às 16h15: A Fitch pode rever o rating em 4 de Março e não em 14 de Março como se escreveu no texto original)




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mais votado Rapaz 26.01.2016

Se eu fosse apoiante de um Governo de chico-espertos, corava de vergonha! Rápido e em frente, diz o Costa e seus defensores acérrimos ( Costa pequeno & Nicolau ) para a beira da bancarrota IV. O povo Português vai ter que responsabilizar estes Senhores que governam sem terem sido eleitos. Estejam atentos.

comentários mais recentes
Relvas Relvas Relvas Há 2 semanas

Queremos o Relvas

Lopes Há 2 semanas

A direitalha não desiste de destruir o país para ir para o poleiro.

beachboy 28.01.2016

...lol...
...o que vale é que tudo ist vai ser pago a dobrar...
...juros a dobrar, privatizações (o que resta) ao preço da chuva...
...enfim, vai-lhes sair da pele à força toda...
...já dizia o Grande António Variações...
...quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga...

john 27.01.2016

com esta noticia na prática já está a reduzir o rating, também com dados imaginários !

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