Finanças Públicas Governo português defende que Zona Euro necessita de instrumentos para gerir dívida sem prejudicar crescimento

Governo português defende que Zona Euro necessita de instrumentos para gerir dívida sem prejudicar crescimento

O Governo português insistiu hoje que a Zona Euro deve ter "os instrumentos necessários" para gerir a dívida, que é de 90% do produto, "bem acima do limiar previsto", sem prejudicar o crescimento nem os recursos naturais. 
Governo português defende que Zona Euro necessita de instrumentos para gerir dívida sem prejudicar crescimento
Lusa 24 de janeiro de 2017 às 15:56

A posição foi transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, após a abertura de um seminário de alto nível, que Portugal promove hoje em Lisboa, sobre o futuro do euro, com a presença de cerca de 40 decisores políticos e académicos europeus.    

 

"A questão da dívida é um dos elementos dos problemas da Zona Euro", considerou o chefe da diplomacia portuguesa, que referiu que os últimos dados do Eurostat, gabinete oficial de estatística da União Europeia, apontam para uma dívida de 90% do produto, na Zona Euro, "bem acima do limiar de 60% previsto nas regras de Maastricht".  

 

Este é "um problema que aflige mais alguns países do que outros, mas é um problema com que hoje está confrontada a generalidade das economias da Zona Euro", comentou.

 

"É preciso que disponhamos todos dos instrumentos necessários para gerir o nosso serviço de dívida de modo a ele não constituir um travão ao crescimento e uma punção sobre os recursos nacionais", insistiu Santos Silva.

 

O seminário, hoje, pretende debater a necessidade de "completar a união económica e monetária" e "reformar o que seja preciso na arquitectura do euro no sentido de a união económica e monetária servir também de quadro de referência para promover o crescimento e o emprego e a convergência entre as economias europeias", referiu.

 

Deste encontro, deverão sair "propostas políticas concretas" a serem apresentadas ao Conselho Europeu, numa altura em que a UE prepara, para Março, a Declaração de Roma, assinalando os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma, uma posição que se quer "robusta, substantiva e de propostas claras sobre o futuro da União Europeia", salientou o governante.

 

Por outro lado, sublinhou, é necessário reflectir de que forma o Parlamento Europeu, os parlamentos nacionais e os parceiros sociais, "devem ser envolvidos neste processo de decisão".

 

O encontro de hoje, que decorre à porta fechada, tem três sessões temáticas - "Crescimento e Convergência Socioeconómica na Zona Euro"; "Instrumentos para a Prevenção e Partilha do Risco" e "Legitimidade Democrática e Passos para Concluir a União Económica e Monetária" -, moderadas, respectivamente, pelos ministros do Planeamento, Pedro Marques, das Finanças, Mário Centeno, e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva.

 

As sessões contam ainda com a participação dos secretários de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, do Desenvolvimento e Coesão, Nélson Souza, do Emprego, Miguel Cabrita, e do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix

 

O encerramento da conferência, já aberta ao público, será assegurado pelo primeiro-ministro, António Costa, o ex-ministro da Segurança Social, Emprego e Saúde da Bélgica Frank Vandenbroucke, e pelo ministro da Economia espanhol, Luís de Guindos.