Orçamento do Estado FMI também antecipa défice "marcadamente superior" ao do Governo

FMI também antecipa défice "marcadamente superior" ao do Governo

Ligeiramente mais pessimista do que Bruxelas, o FMI diz que o défice ficará nos 3,4% do PIB em 2015. Segundo o Fundo, nem em 2016 Portugal estará abaixo dos 3%.
FMI também antecipa défice "marcadamente superior" ao do Governo
Elisabete Miranda 05 de novembro de 2014 às 15:00

Um dia depois de Bruxelas se ter distanciado das previsões do Governo para 2015, esta quarta-feira é a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) fazer o mesmo: o défice orçamental será no próximo ano "marcadamente superior" ao que o Executivo antecipa, a dívida pública será também mais alta e o crescimento terá menos fulgor, numa avaliação que é ligeiramente mais pessimista do que a das autoridades europeias, tal como o Negócios já tinha antecipado. Segundo o Fundo, nem em 2016 o País conseguirá cumprir a meta dos 3%.

 

Na primeira avaliação do FMI à economia portuguesa após o fim do programa de assistência financeira, o Fundo vem dizer que, no próximo ano Portugal enfrentará um défice orçamental de 3,4% do PIB. Esta previsão, sublinha o FMI, é "marcadamente superior" aos valores planeados pelo Governo, repetindo uma expressão que ainda ontem foi usada pela Comissão Europeia.

 

Na origem da discrepância de previsões (o Governo antecipa um défice de 2,7% do PIB) estão "hipóteses mais conservadoras nas projecções macroeconómicas e de receita". Tal como Bruxelas, também Washington espera um crescimento mais modesto, desconfiando, por conseguinte, que a Autoridade Tributária cobre tantos impostos quantos os que o Governo antecipa.

 

Onde o FMI é marcadamente mais pessimista do que Bruxelas é na previsão para 2016. Washigton antevê que nem daqui a dois anos o País consiga ter o défice abaixo da meta dos 3% do PIB. 

 

A dívida pública, por seu turno, deverá ter começado a recuar no segundo semestre deste ano, mas, ainda assim, em 2015 ficará acima daquela que é a previsão do Executivo. Nas contas do Fundo, ela cifrar-se-á em 125,7% do PIB, uma marca que ultrapassa a divulgada ontem pela Comissão Europeia (125,1% do PIB), bem como os 123,7% do PIB inscritos na proposta de Orçamento do Estado para 2015.

 

A economia portuguesa está no caminho de uma recuperação moderada – o FMI antevê que o País cresça 1,2% em 2015, contra os 1,3% de Bruxelas e os 1,5% antecipados pelo Governo – mas enfrenta várias fragilidades. Entre as que preocupam o FMI estão os constrangimentos ao crescimento das exportações e da competitividade das empresas, e o excessivo nível de endividamento das empresas.

 

O FMI lamenta ainda que o processo de consolidação orçamental estagne no próximo ano, adiando aquilo que, segundo os técnicos, é inevitável: a adopção de ajustamentos orçamentais que coloquem a dívida pública em níveis sustentáveis. 




pub