Orçamento do Estado Portugueses foram “sacrificados e humilhados neste resgate imperdoável”

Portugueses foram “sacrificados e humilhados neste resgate imperdoável”

Paulo Portas diz que o resgate “transformou Portugal num país internado nos cuidados intensivos”. O fim do ajustamento significa que se vai recuperar uma parcela de soberania, mas os constrangimentos vão continuar, avisa.
Portugueses foram “sacrificados e humilhados neste resgate imperdoável”
Bruno Simões 01 de novembro de 2013 às 14:27

O vice-primeiro-ministro esforçou-se por transmitir uma mensagem de optimismo para o pós-Junho de 2014. “Há algo que muda sensivelmente em Junho do próximo ano”, começou por explicar. “O que muda não devia ser indiferente a esta câmara. Portugal deixará de ser co-governado pelos credores”, o que significa que “os portugueses terão de volta aquele princípio de dignidade nacional que é poderem decidir com soberania as políticas públicas do País”, garantiu Portas.

 

Mas que não haja dúvidas. “Terminaram os constrangimentos? Não, Portugal manterá obrigações quanto à redução do défice estrutural, já não por depender da troika mas por partilhar soberania na União Europeia” e por “ter subscrito o tratado orçamental que PSD, CDS e PS aprovaram”.

 

Ainda assim, “uma coisa é a troika dizer-nos ‘o défice é este e as políticas para o atingir são estas’; outra, é que Portugal soberano cumpra objectivos europeus e escolha racional e livremente quais as políticas para os atingir”, exemplificou Paulo Portas.

 

O tempo de gastos exagerados também acabou, avisou Portas. “Não nos enganemos: Portugal não poderá ser governado outra vez com base no gasto perdulário”, porque “se o quisesse fazer teria de abandonar o euro e envolver-se numa quimera de autarcia em plena globalização”. “O que recuperamos não é a irresponsabilidade, é a parcela das nossa liberdade que nos falta desde 2011”, sublinhou o ministro.

 

Por isso, Paulo Portas ficou surpreso com a posição do PS. “Surpreende que o PS que nos meteu nesta tortura, um certo PS que já lá vai, não perceba que chegar ao dia seguinte à troika é a melhor homenagem que podemos prestar aos portugueses que foram sacrificados e humilhados neste resgate imperdoável”, atirou.

 

Portas compara assinatura do resgate à invasão espanhola de 1580

 

“Entre 2011 e hoje, em certo sentido, não houve vida para além do défice. A partir de Junho de 2014 haverá vida para além da troika”, antevê o presidente do CDS.

 

Isso não é pouco, considera. “Para um País obrigado a perder muito é até quase tudo”. Portas disse também que é “especialmente perturbadora a declaração do líder da oposição”, sugerindo que “em Junho de 2014 Portugal estará pior que em Maio de 2011”. O “vice” recorreu a uma comparação histórica: sugeriu que Maio de 2011, data em foi assinado o resgate, foi “uma espécie de 1580”, em alusão à invasão de Portugal pelo exército espanhol.

 

Por isso, em Junho de 2014 “poderemos viver uma espécie de 1640 financeiro”. Em 1640 foi restaurada a independência de Portugal face a Espanha – é, aliás, por isso que se celebra o 1º de Dezembro, que, até ao ano passado, era feriado. Este ano será o primeiro em que não se celebrará esse feriado civil.

 

Portas disse ainda que quem defende que não se cumpra o memorando “estão a defender a continuidade da dependência, do vexame e até dos defeitos do memorando”.

 

A mudança nesta câmara é defendida pelos q querem cumprir a ultima etapa do programa. N depender dos credores como hj acontece, vermo-nos ate livres dos defeitos do MoU.

 

PS não consegue fazer oposição com a economia a crescer

 

A perplexidade de Portas com as posições do PS levaram-no a lançar uma acusação pouco abonatória para os socialistas. “A consideração aqui trazida pelo principal partido da oposição segundo o qual estes sinais [de recuperação económica] são sol de pouca dura” tem dois riscos. “Um é falhar a previsão”; o outro “é deixar a dúvida que o PS não consegue estabelecer política de oposição em cenário de crescimento macroeconómico”.

 

“Ficaram reféns de estratégia que diz não, e mais não, e só não, e não a tudo o que é reforma, a tal ponto que quando a economia dá sinais de vida, também reagem dizendo ‘não vejo, não percebo ou simplesmente não quero saber”, lamentou Paulo Portas.

 

Conhecido amante de cinema, Portas utilizou “uma metáfora que me vem da minha adesão cinéfila”. “Estará o PS como os actores do cinema mudo que não se habituaram a passar para o cinema sonoro?”, interrogou-se. “Tanto se habituaram a um ciclo de recessão que agora ou não dizem nada ou não sabem o que fazer”, observou.

 

Por ser um “exercício insustentável”, Portas pediu ao PS que “medite melhor sobre o fim do resgate e o princípio da retoma”.

 

 




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mais votado Anónimo 01.11.2013

GRANDE LATA TEM ESTE ALDRABÃO, de cognome O IrReVoGáVeL

comentários mais recentes
joni 03.11.2013

Agradece ao teu companheiro Passos Coelho........

Anónimo 03.11.2013

Imperdoavel Imperdoavel é esta linha "A mudança nesta câmara é defendida pelos q querem cumprir a ultima etapa do programa. N depender dos credores como hj acontece, vermo-nos ate livres dos defeitos do MoU." Para ler abreviaturas vou ao facebook - nao estou a espera disso no jornal de negocios..

Saraiva14 03.11.2013

Agradeçam à esquerdalhada que conduziu o País a isto! ...

Anónimo 03.11.2013

Quem nos humilhou e impos sacrificios e mentiras, foi o actual Governo, começando por este Sr. Se tivesse alguma vergonha e dignidade, tinha mantido a demissão e cujas consequencias, nos tais ditos mercados, aumentou bastante a divida e como sempre não ha responsaveis. Na Reforma do Estado que agora apresentou porque e que não apresentou a redução de:
-Deputados para metade
-Camaras Municipais para metade
-Empresas Municipais reduzir ao minino
-Acessores, motoristas, secretarias, etc. reduzir par 1/3
-Palacetes, utilizar uns Contentores, como nalgumas escolas acontece
Este Pais deve ser dos poucos em que os politicos estao imunes aos sacrificios. Por deixava-os a falar sozinhos, pura e simplesmente não votava.i

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