Impostos Catroga: “Era preferível descer o IVA da electricidade do que dos restaurantes” – Renascença

Catroga: “Era preferível descer o IVA da electricidade do que dos restaurantes” – Renascença

Em entrevista à Renascença, o antigo ministro das Finanças argumenta que essa opção beneficiaria mais a generalidade das famílias portuguesas.
Catroga: “Era preferível descer o IVA da electricidade do que dos restaurantes” – Renascença
Pedro Elias/Jornal de Negócios
Nuno Aguiar 27 de abril de 2016 às 10:30

Se a ideia é descer o IVA, o Governo deveria aliviar a tributação sobre a electricidade em vez de descer o IVA da restauração. Essa foi a posição defendida por Eduardo Catroga, presidente do conselho geral e de supervisão da EDP, durante uma entrevista à Renascença, ontem à noite.

 

"Era, talvez, preferível reduzir o IVA na electricidade do que reduzir o IVA nos restaurantes. São opções políticas. A redução do IVA na electricidade às famílias beneficia todas as famílias portuguesas. A redução do IVA na restauração beneficia, essencialmente, os donos dos restaurantes, em certos segmentos", sublinhou o antigo ministro das Finanças.

 

A frase surgiu depois de o responsável pela energética ter sido confrontado com os preços elevados praticados pela empresa, que fazem de Portugal um dos países da União Europeia com a electricidade mais cara. Catroga justificou esse facto com a exigente tributação a que está sujeita a empresa.

 

Em relação às negociações com o Governo em torno do défice tarifário, o antigo governante diz que a EDP não está disponível para perder dinheiro com qualquer acordo. "Está na lei e a filosofia é que a EDP não ganha nem perca com isso, em termos de rendimentos e juros. A empresa não quer perder nem quer ganhar com este financiamento, que é um favor que ela faz ao sistema", sublinhou.

 

A Renascença nota que o défice tarifário está actualmente nos 5,2 mil milhões de euros, tendo a EDP já vendido três mil milhões a privados. Um dos objectivos do Governo é negociar os juros que estão a ser pagos.

 

Esta é a segunda vez nos últimos dias que Eduardo Catroga interpela directamente o Governo. Há uma semana, o gestor convidou o primeiro-ministro a ter uma conversa com os accionistas da EDP. "Os accionistas da EDP precisam de conversar consigo", afirmou à margem de uma cerimónia da Fundação EDP. António Costa respondeu "muito bem, muito bem, muito bem".

Entre os motivos de conversa poderá estar a tarifa social de energia que o Governo do PS pretende que chegue a um milhão de famílias. Outro tema sensível é a contribuição extraordinária sobre o sector energético, que rendeu 62 milhões de euros aos cofres do Estado em 2015 e foi mantida para 2016.

 

Minutos depois, as câmaras da SIC filmaram o gestor a insistir com António Costa: "Se você precisar de mim para eu dar aí alguns entendimentos, eu disponho-me a isso. Porque eu tenho essa visão da política que não é partidária."

Recorde-se que Eduardo Catroga foi escolhido como representante do PSD para negociar o Memorando de Entendimento assinado com a troika em 2011, tendo também participado na preparação do Orçamento do Estado desse ano, em representação dos sociais-democratas.




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