Impostos Hollande declara guerra a paraísos fiscais e obriga ministros a revelar património

Hollande declara guerra a paraísos fiscais e obriga ministros a revelar património

Os bancos franceses vão ter de revelar, todos os anos, uma lista com todas as subsidiárias estrangeiras. Lei de moralização da vida política, hoje anunciada, incluiu ainda a divulgação do património dos ministros.
Hollande declara guerra a paraísos fiscais e obriga ministros a revelar património
Diogo Cavaleiro 10 de abril de 2013 às 17:39

O presidente francês, François Hollande, quer “erradicar” os paraísos fiscais, razão pela qual vai obrigar os bancos franceses a divulgarem que subsidiárias detêm fora do país.

 

“Não será possível para um banco esconder transacções efectuadas num paraíso fiscal”, assegurou Hollande numa conferência de imprensa que teve lugar esta quarta-feira, 10 de Abril, citada pela Reuters.

 

Segundo o presidente da França, os bancos franceses vão ser obrigados a, todos os dias, publicar uma lista “com todas as subsidiárias em todo o mundo, país por país”. “E vão indicar o que estão aí a fazer”, asseverou. O objectivo é “erradicar os paraísos fiscais da Europa e do mundo”.

 

Paris reage assim ao escândalo em torno do antigo ministro do Orçamento, Jérôme Cahuzac, que se demitiu depois de acusações de que detinha contas na Suíça sobre as quais terá mentido.

 

Segundo o “Financial Times”, França irá constituir uma lista de paraísos fiscais – os países que não cooperarem no fornecimento de dados relativos a franceses serão incluído neste conjunto de países. “Esta deverá ser a regra na Europa, para que consigamos pôr um fim ao segredo bancário e à ocultação de activos”. Ainda hoje, o Luxemburgo anunciou que, a partir de 2015, vai iniciar a troca automática de dados sobre contas bancários agora sob sigilo bancário.

 

Património dos ministros será público

 

Esta medida faz parte da lei da moralização da vida política, hoje apresentada por Hollande e discutida em conselho de ministros a 24 de Abril. A lei é, segundo o “Le Fígaro”, baseada em três eixos centrais: além da erradicação dos paraísos fiscais, Hollande incluiu a luta contra a fraude fiscal e a corrupção e a transparência sobre o património dos representantes políticos eleitos.  

 

Para a divulgação do património dos políticos eleitos, será criada uma autoridade responsável por controlar as declarações de interesse de membros do governo, deputados e dirigentes locais. Esta segunda-feira, cada ministro terá já divulgar o seu património.

 

Já no que diz respeito ao último eixo do plano do governo francês, será criada uma agência responsável por investigações excepcionais que envolvam a corrupção e a fuga aos impostos.

 




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mais votado Anónimo 10.04.2013

E por cá, porque é que o PS não defende a mesma medida?

comentários mais recentes
Anónimo 11.04.2013

deixem-se de tretas então o sr. Hollande quer isso tudo, então e já acabou com o Mónaco??? o que é o Monaco????

isabel 11.04.2013

O que tem piada é que o PS só critica mas não avança com propostas concretas. Agora ,seria a altura ideal para seguir o exemplo de Hollande e propor ao Governo "guerra " aos paraísos fiscais e OBRIGAÇÃO de os ministros revelar património !

hfrsantos 11.04.2013

França parece Portugal, muito socialista e muito hipocrita. As leis sao para cumprir pelos mais fracos, os impostos pagam a classe média baixa. Quem tem dois tostoes poem os na Suiça, Andorra, Monaco ou Luxemburgo que estao ali bem a porta. O que mais confusao me faz na França e em Portugal é a deliquencia na rua, os policias a prender os delinquentes e os juizes sistematicamente a libertarem os delinquentes. So vao dentro quando ja mataram alguem e mesmo assim nao é muito tempo. As pessoas honestas é que teem medo de andar na rua, em lugar de ser os deliquentes de terem medo de ser descobertos. Mesmo assim em hipocrisia e falta de honra, vergonha mesmo, os nossos politicos ainda sao muito diferentes dos franceses. Tem a ver com o que para uns sao dois tostoes pelos quais nao vale a pena sujar o nome e para outros é por ao bolso tudo o que puderem porque sabem que é a ultima oportunidade.

Ana t 10.04.2013

E Portugal não deverá fazer o mesmo? O exemplo deve vir de cima. Também seria conveniente estender aos presidentes de câmara. Sem dúvida que é necessário moralizar a vida política. Não vi até agora algum político defender isto e , porventura a fazê-lo serão os partidos "fora do arco do poder" o que vai dar no mesmo. Queria ver os "partidos do arco do poder" a fazê-lo!!

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