Impostos Panamá recebeu transferências de Portugal de mais de 1.300 milhões entre 2010 e 2014

Panamá recebeu transferências de Portugal de mais de 1.300 milhões entre 2010 e 2014

O Panamá recebeu mais de 1.300 milhões de euros em transferências de Portugal, entre 2010 e 2014, em cerca de 1.800 transferências realizadas para aquele território offshore, segundo números divulgados na quinta-feira pelas Finanças.
Panamá recebeu transferências de Portugal de mais de 1.300 milhões entre 2010 e 2014
Reuters
Lusa 29 de abril de 2016 às 01:00

O Panamá está no centro de uma investigação realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que acedeu a cerca de 11,5 milhões de documentos da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

 

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês), como já é conhecido o caso, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em offshores e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património.

 

Os dados disponibilizados esta quinta-feira no Portal das Finanças, que tinham já sido noticiados pelo jornal Público, dão conta do dinheiro que saiu de Portugal para contas em paraísos fiscais e indicam que, entre 2009 e 2010, foram transferidos mais de 10.200 milhões de euros para offshore e territórios com tributação privilegiada, sendo que o Panamá está sempre entre os destinos que receberam montantes mais avultados.

 

Em 2010, o Panamá foi o segundo destino das transferências para offshores de Portugal, com 351 transferências, num total de 531 milhões de euros.

 

No ano seguinte, o Panamá passou a surgir em terceiro lugar, tendo recebido 547 milhões de euros, em 2012 foi o quarto destino, com transferências no valor de quase 98 milhões de euros, em 2013 continuou a surgir em quarto lugar, com transferências que ascenderam aos 105 milhões de euros e, em 2014, passou para o quinto destino mais relevante, com 158 transferências que totalizaram os 19 milhões de euros.

 

Olhando apenas para 2014, verifica-se que Hong Kong foi o destino offshore que recebeu valores mais elevados (quase 163 milhões de euros), seguindo-se as Ilhas Caimão (51 milhões de euros), os Emirados Árabes Unidos (35 milhões de euros) e Trinidade e Tobago (quase 25 milhões de euros).

 

Em 2010, a lista era liderada pelas Antilhas Holandesas (770 milhões de euros), seguindo-se o Panamá (531 milhões), o Luxemburgo (505 milhões de euros), Hong Kong (386 milhões de euros) e os Emirados Árabes Unidos (201 milhões).

 

Numa análise ao longo do tempo, verifica-se que 2010 e 2011 foram aos anos em que as transferências totais para as jurisdições offshore atingiram valores mais elevados: acima de 3.000 milhões de euros em 2010 e mais de 4.000 milhões de euros em 2011.

 

No ano seguinte, o valor destas transferências caiu para os 992 milhões de euros, tendo em 2013 subido para pouco mais de 1.100 milhões, atingindo o valor mais baixo em 2014, nos 373 milhões de euros.

 

Quanto ao número de transferências realizadas para estes destinos também se verifica uma oscilação de ano para ano: em 2010 foram feitas cerca de 11.000 operações e em 2011 foram realizadas 13.000 transferências, mas em 2012 há registo de cerca de 6.200 transferências, número que volta a subir para as 10.600 transferências em 2013 e que cai para as pouco mais de 2.000 operações em 2014.


A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
AAAA Há 3 semanas

OS TUGAS PAGAM OS RESGATES DEVIDO AOS CORRUPTOS... pOLITICOS PSD, PSD E CDS, bANQUEIROS BCP, BPP, BPN, BANIF, BES, MELLOS, MOTAS, HORTAS, GRANADEIROS, ZEINAIS, CATROGAS, MEXIAS, COUTINHOS, ARNAUTS, JÚDICES, V DE ALMEIDA, M LEITÃO, PROENÇAS CARVALHO, SÁ CARNEIROS, SÉRVULOS, E MAIS UNS MILHÕES.

pertinaz Há 4 semanas

SÓ?

COM TANTO DISPARATE NA GESTÃO DA BANCA, ATÉ ACHO POUCO...

COMO CIDADÃO ENTENDO QUE NÃO HÁ NADA DE MAL NAS OFFSHORE

DESDE QUE SE ASSEGURE QUE O DINHEIRO É LIMPO E PAGOU IMPOSTOS

POR VEZES TAMBÉM ME APETECIA TIRAR OS MEUS TROCOS DESTA BANDALHEIRA

O título induz em erro Há 4 semanas

Os valores que indicam são trocos em relação à realidade. O proprio BP o admite. É tempo do ministerio das Finanças tomar medidas serias para combater a fuga de dinheiro. Sempre se verificaram fugas de dinheiro, mas combatendo a corrupção e tributando corretamente os lucros, a coisa diminui.

Me engana que eu gosta Há 4 semanas

MENTIRA PORRA:Mesmo os nomes dos LADROES, e tudo falso e mentiras das mas linguas, pois nos somos todos: SERIOS&HONESTOS. Vao dar musica ao Caerralhu que vos phoda politicos ladrroes.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub