LEX Advogado desiste de 1.000 dólares por hora e vira-se contra Wall Street
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Advogado desiste de 1.000 dólares por hora e vira-se contra Wall Street

Há dez anos, o advogado Dan Brockett e colegas optaram pelo equivalente a abandonar um emprego tradicional para caçar animais selvagens.
Advogado desiste de 1.000 dólares por hora e vira-se contra Wall Street
Bloomberg
Bloomberg 25 de junho de 2017 às 13:00

Enquanto Wall Street ruía no meio da crise financeira, Brockett e a sua equipa deixaram de defender os maiores bancos do mundo e abriram mão de honorários de 1.000 dólares por hora. O novo objectivo: processar as mesmas instituições que antes pagavam as contas. A proposta: só receber em caso de vitória, obtendo uma parte do valor recuperado pelo cliente.

 

Em entrevista concedida no seu escritório, em Madison Avenue, em Manhattan, Brockett diz que não poderia estar mais feliz com a decisão e com o modelo de negócio que ele chama de cobrança "baseada em sucesso". Aos 61 anos, veste calças de ganga e suéter, o sócio sénior de litígios da firma de advocacia Quinn, Emanuel Urquart & Sullivan apontou para a fotografia de uma ordem de comissão de 250 milhões de dólares, enquadrada e exibida como um troféu sobre a mesa dele.

 

"Eu gosto de comissões", conta, rindo-se. "Honorários por hora são um tédio."

 

Brockett tornou-se uma espécie de órgão supervisor disponível para contratação. Esse papel pode ficar ainda mais relevante perante a postura contra a regulamentação adoptada pelo presidente Donald Trump. Brockett é temido em Wall Street e invejado pelos seus pares. Alguns questionam as tácticas agressivas que ele utiliza para conquistar clientes. Brockett argumenta que venceu 90% dos casos, incluindo acordos.

 

Aposta alta

 

A ordem de comissão fotografada e exibida na mesa de Brockett resultou de um triunfo de dois mil milhões de dólares: um acordo para encerrar acusações anti-concorrenciais contra um grupo de bancos que incluía o Citigroup e o Bank of America. A Quinn Emanuel calcula que ganhou mais de 30 mil milhões de dólares em acordos resultantes de acusações de fraudes financeiras nos últimos quatro anos.

 

"Eles apostam alto e têm verdadeiras estrelas no quadro de pessoal", disse John Coffee, professor de Direito da Universidade Columbia. Coffee referia-se ao acordo de dois mil milhões de dólares obtido por Brockett como "uma vitória dramática".

 

A Quinn Emanuel tem 650 advogados contratados e o lucro por sócio no ano passado chegou a cinco milhões de dólares, o maior valor para um escritório de acusação e o segundo maior entre todos os escritórios de advocacia dos EUA, de acordo com a firma de dados jurídicis ALM Intelligence.

 

Brockett não é bem visto por toda a comunidade de advogados de acusação. Alguns criticam o facto de ter ficado com a maior parte daqueles 250 milhões de dólares, prejudicando escritórios mais pequenos que também estavam a trabalhar no caso, segundo uma pessoa ligada ao assunto.

 

Brockett diz que mereceu cada dólar daquele acordo. O caso era focado na forma como os bancos vendiam CDS, ou contratos que permitem apostas na capacidade de pagamento das empresas. Durante anos, o Departamento de Justiça dos EUA e a Comissão Europeia investigaram se Wall Street impedia a concorrência, mas nunca tomaram providências.

Brockett assumiu a investigação. Armado com milhões de páginas de documentos recolhidos pelo governo, Brockett conta que ele e a sua equipa conseguiram confissões durante os depoimentos.

 

Inicialmente, os bancos tentaram um acordo conjunto, negociando como um bloco. Mas, no terceiro trimestre de 2015, Brockett recebeu um telefonema de um advogado que representava o Citigroup. O banco queria chegar a acordo. Os outros 13 acabaram por seguir os mesmos passos.

 

Independentemente das farpas trocadas entre a comunidade jurídica, não há dúvida de que o governo americano vai atrás do que Brockett descobre. Em 2015, um dos processos movidos por ele — envolvendo contratos de swap para apostas na direcção das taxas de juros — chamou a atenção de profissionais da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

 

A comissão entrou em contacto e Brockett explicou o caso. Agora, a CFTC investiga se o Goldman Sachs e o Citigroup impediram que gestores de fundos negociassem swaps entre si, de acordo com documentos que os bancos apresentaram à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).

 

Brockett cultivou uma rede de contactos em Wall Street que indicam o seu escritório a profissionais descontentes dos bancos. Alguns desses delatores também movem processos junto a autoridades reguladoras e ficam elegíveis a uma parcela do que o governo recuperar. Essa táctica chega a render 30 milhões de dólares.

 

Título original em inglês: Bored by $1,000-an-Hour Pay, a Lawyer Hunts Wall Street Scores

 




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comentários mais recentes
Conselheiro de Trump Há 3 semanas

Virou-se o feitico contra o feiticeiro,MARAVILHA.Eu ia dizer q precisavamos de este tipo de trabalho em portugal,esquecendo porem q ele ja existiu no nosso pais ao lado quando alguem nao podia pagar a casa ao banco,o banco iria ficar com o prejuizo da venda.venha la esse model,ele e mais q bem vindo

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