Angolanos recrutam em Portugal mais de metade dos estrangeiros
27 Maio 2013, 00:01 por António Larguesa | alarguesa@negocios.pt
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Portugal é a principal base de recrutamento de trabalhadores estrangeiros para as empresas angolanas e o mercado externo a que mais de metade (58%) delas recorre para preencher as vagas de emprego, sobretudo para quadros médios e superiores.

Esta é uma das conclusões de um estudo realizado pela multinacional "Let'sTalkGroup" neste país africano onde trabalham mais de cem mil portugueses e oito mil empresas nacionais, segundo informações avançadas em Fevereiro pelo chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Portas.

 

A preferência dos angolanos pelo recrutamento e selecção (R&S) de profissionais em Portugal ganha expressão, pelo facto de 72% das organizações inquiridas recorrerem ao estrangeiro nestes processos. Um valor que "não surpreende" Elisabete Tomé, a directora executiva do grupo sueco que realizou o estudo, por haver ali "uma grande lacuna de quadros médios e superiores". Embora, advertiu, "a tendência será para que, num futuro próximo, esta percentagem se reduza substancialmente".

 

Ao Negócios, a responsável justificou a opção por Portugal com a "cumplicidade e raízes culturais, a língua e a história em comum". A larga distância no mapa internacional de recrutamento surgem a África do Sul (19%), Brasil (17%) e Inglaterra (6%). As partes do processo mais solicitadas no exterior são as prestadoras de serviços de R&S (30%) e os anúncios (25%), sendo o "headhunting", as referências e as redes sociais fontes pouco usadas.

O inquérito feito em Fevereiro e Março junto de 36 organizações públicas e privadas angolanas, de vários sectores e dimensão, mostrou ainda que as técnicas de recrutamento mais utilizadas são as candidaturas espontâneas (27%), os anúncios (24%) e as referências (21%). Quem quiser trabalhar em Angola "deve conhecer muito bem a realidade angolana, assim como a empresa a que se candidata e apostar nas candidaturas espontâneas com excelentes referências", aconselhou Elisabete Tomé.

 

Já no que toca ao método de selecção, a entrevista tem "um peso fundamental". E não tem de impressionar só o técnico de Recursos Humanos. É que em muitas empresas angolanas esta estrutura especializada é débil ou nem sequer existe, pelo que é o próprio chefe do departamento onde há essa vaga que decide através da análise curricular, entrevista e pesquisa de referências.

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