Mandela: PCP e BE lembram voto contra resolução da ONU pelo governo de Cavaco Silva
06 Dezembro 2013, 15:09 por Lusa
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PCP e BE lembraram hoje no parlamento que Portugal, então governado por Cavaco Silva, votou contra em 1987 uma resolução das Nações Unidas para a libertação de Nelson Mandela.

A Assembleia da República aprovou hoje por unanimidade um voto subscrito por todos os grupos parlamentares e pela presidente, Assunção Esteves, ao qual o Governo se associou, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, em que expressa "profundo pesar" ao povo e autoridades sul-africanas pela "perda de um estadista universal" e envia condolências à família, em particular, à viúva, Graça Machel.

 

No período reservado às intervenções dos partidos, o deputado comunista António Filipe defendeu que "a reconciliação pela qual Mandela tanto lutou não pode ser ocultação da história, porque a história tem que ser conhecida precisamente para que não se repita".

 

"Em 1987 quando a Assembleia-geral das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo a libertação incondicional de Nelson Mandela, essa resolução teve 3 votos contra, apenas três votos contra, esses votos contra foram dos Estados Unidos, de Ronald Regan, do Reino Unidos, de Margaret Thatcher, e de Portugal, de Cavaco Silva", afirmou.

 

No mesmo sentido, a deputada do BE Helena Pinto afirmou que "em 1987 Portugal esteve do lado errado, votou contra a libertação incondicional de Nelson Mandela".

 

A deputada bloquista sublinhou, tal como António Filipe havia feito, que o antigo presidente da África do Sul e líder histórico do ANC foi condenado a prisão perpétua, tendo estado preso 27 anos, "considerado terrorista, porque, pela liberdade e pela dignidade do seu povo, nunca hesitou, nem mesmo quando foi preciso pegar em armas".

 

Os deputados do PCP e do BE foram aplaudidos por uma parte substancial dos deputados da bancada do PS.

 

O deputado do PSD António Rodrigues recordou como Nelson Mandela, num espírito de "candura, de uma forma quase discreta" actuou após o fim do 'apartheid', considerando que "encarna em si o exemplo de um verdadeiro cidadão do mundo".

 

"Fez país, fez um Estado e fez Humanidade", declarou.   

 

O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, afirmou que Mandela deu "um rosto" à "liberdade, ao combate ao racismo e combate ao 'apartheid', pela democracia e a tolerância" e recordou, como, relativamente à questão de Timor, Nelson Mandela "mais uma vez esteve do lado certo da história"

 

"Foi um herói cívico universal, que em si sintetiza o melhor da dignidade humana e da liberdade", disse.

 

O vice-presidente da bancada do CDS-PP João Almeida sublinhou que "nenhuma homenagem estará à altura do exemplo que foi de liberdade, de esperança e convicção, consequente, libertador e inspirador".

 

"A sua libertação foi libertando povos, a sua serenidade foi libertando extremismos", afirmou, defendendo que Mandela foi "invicto" e "muito superior" aqueles que o prenderam e que, por isso, "o homem que agora parte, jamais morrerá".

 

A deputada do partido "Os Verdes" Heloísa Apolónia considerou que a "grandeza" de Mandela "alarga necessariamente os votos de condolências ao mundo inteiro" e foi aplaudida por todas as bancadas".

 

"É talvez a definição em pessoa de um ser humano virtuoso, detentor de valores humanistas muito claros. Mandela e o ANC foram peças chave ara matar o regime do 'apartheid', não da história, mas da vida das pessoas", afirmou, lembrando o seu espírito de combate mas também o seu "espírito agregador".

 

A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, motivando de imediato reacções de pesar a nível mundial.

 

"A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos", disse Jacob Zuma, anunciando que a bandeira sul-africana vai estar a meia-haste a partir de hoje e até ao funeral de Estado, marcado para 15 de Dezembro.

 

O Comité Nobel norueguês considerou hoje Nelson Mandela, que esteve preso quase trinta anos pela sua luta contra o regime "apartheid" da África do Sul, "um dos maiores nomes da longa história dos prémios Nobel da Paz".

 

Mandela foi o primeiro Presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.

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