Américas Argentina chega a acordo com FMI para antecipar fundos do resgate

Argentina chega a acordo com FMI para antecipar fundos do resgate

Depois de ter chegado a acordo com o FMI para um programa de assistência financeira de 50 mil milhões de dólares, a Argentina pediu à entidade que liberte antecipadamente parte dos fundos. O objectivo é mostrar ao mercado que tem dinheiro suficiente para se financiar no próximo ano.
Argentina chega a acordo com FMI para antecipar fundos do resgate
Reuters
Rita Atalaia 29 de agosto de 2018 às 15:57

A Argentina pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que liberte antecipadamente parte dos fundos definidos no programa de assistência financeira assinado entre o fundo e o país, em Junho, numa tentativa de mostrar aos mercados que tem dinheiro suficiente para se financiar no próximo ano. Um pedido que a entidade liderada por Christine Lagarde já aprovou, sem adiantar quanto é que será disponibilizado.

 

"Chegámos a acordo com o FMI para disponibilizar todos os fundos necessários para garantir que cumprimos o programa financeiro no próximo ano", afirmou o presidente argentino, Mauricio Macri, num discurso transmitido na televisão e citado pela Bloomberg. Contudo, Macri também não revelou quanto é que pediu ao fundo.

"Na semana passada, tivemos alguns sinais de desconfiança dos mercados, particularmente em relação à nossa capacidade de garantir um financiamento para 2019", disse ainda Mauricio Macri, justificando o pedido de antecipação os fundos feito ao FMI.

 

Foi em Junho que o FMI anunciou que ia conceder um financiamento de 50 mil milhões de dólares à Argentina, depois de dois anos de recessão, uma inflação perto dos 30% e com o país a registar os custos de financiamento mais elevados do mundo. Este acordo permitiu a disponibilização imediata de 15 mil milhões de dólares e o Governo esperava receber mais três mil milhões em Setembro.

 

O acordo com o FMI traz de volta más memórias para os argentinos, que responsabilizam as políticas do fundo pela pior crise económica do país, em 2001. Mas Macri disse que este acordo era necessário para evitar outra implosão económica.

Ao mesmo tempo que pediu o resgate, o banco central do país subiu as taxas de juro de referência de 40% para 45%. 


Peso já acumula perdas de 40%

 

A crise no país levou o peso argentino a acumular perdas de mais de 40% contra o dólar este ano. Chegou mesmo a tocar um mínimo de 31,50 por dólar na terça-feira, seguindo agora nos 31,65 por dólar. Isto num cenário em que os investidores temem que a inflação elevada, a economia fraca e a agitação nos mercados emergentes levem a Argentina a falhar as suas obrigações referentes à dívida em dólares no próximo ano.

Perante a queda da divisa, o banco central da Argentina decidiu vender entretanto 200 milhões de dólares das suas reservas cambiais para estabilizar o peso. 

Esforços que foram feitos depois de o Governo ter dito que estima que a economia do país contraia 1% em 2018. Para o ano, as estimativas são mais optimistas: prevê um crescimento de pelo menos 1,5%.

(Notícia actualizada às 17:32 com mais informação)




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