Américas Bloco e PCP sobre o Brasil: não é combate à corrupção, é mesmo golpe de Estado

Bloco e PCP sobre o Brasil: não é combate à corrupção, é mesmo golpe de Estado

O Negócios pediu aos principais partidos da esquerda portuguesa para comentarem a situação política no Brasil. Bloco e PCP consideram que está em curso uma tentativa de golpe de Estado com um pano de fundo de corrupção. PS não quis comentar.
Bloco e PCP sobre o Brasil: não é combate à corrupção, é mesmo golpe de Estado
Reuters
Bruno Simões 17 de março de 2016 às 20:03

O que está em curso no Brasil não é um combate à corrupção, mas sim um golpe de Estado promovido pela direita e os sectores mais retrógrados do país. A corrupção existe, mas é só o pano de fundo e o pretexto que a oposição precisa para deitar abaixo um governo eleito democraticamente. Esta é, no essencial, a posição do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista Português (PCP) sobre os acontecimentos mais recentes do Brasil.

Os dois partidos convergem na questão essencial, mas notam-se algumas nuances: Bloco deixa subentendidas algumas críticas ao Partido dos Trabalhadores, de Dilma e Lula; ao passo que o PCP aponta como causas desta crise política a crise do capitalismo e o papel destabilizador dos Estados Unidos na região. 

Para Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, o PT está a pagar pelas "alianças à direita" que fez nos últimos anos para apoiar os seus governos. "Não podia acabar bem", porque "Lula e Dilma dependeram de representantes das piores práticas de corrupção da política brasileira e acabaram por ver o seu governo envolvido no caso Mensalão, entre outros". "Está mesmo a acabar mal", admite.

 

E está em curso um golpe de Estado, analisa Jorge Costa. "Apoiadas nos sucessivos escândalos, a direita e a extrema-direita brasileiras desencadeiam agora um golpe de Estado no estilo do século XXI, articulado a partir do sistema judicial e alguns grandes empórios financeiros", afirma. As perspectivas são, agora, negras para os brasileiros. "Entre uma política sem rumo e sem critério e a vingança da oligarquia pelos anos de modesta redistribuição da riqueza, afundam-se as esperanças populares num mar de confusão e desespero".

 

PCP aponta o dedo ao capitalismo e aos EUA 

Para o PCP, a explicação é similar, embora também haja dedo dos Estados Unidos. "Os recentes desenvolvimentos no Brasil não podem ser desligados do aprofundamento da crise do capitalismo que marca a situação internacional e que tem actualmente profundas consequências nos chamados países emergentes", indica o partido, numa nota enviada ao Negócios.

Os comunistas acusam os sectores "mais retrógrados e anti-democráticos" do Brasil de tentarem tirar "partido de reais problemas e de profundas contradições na sociedade" para promoverem "uma intensa operação de desestabilização e de cariz golpista procurando alcançar o que não conseguiram nas últimas eleições presidenciais". É nesse contexto que se insere a "a acção montada contra Lula da Silva".

 

Não está em causa, portanto, a "tentativa de combater a corrupção e um sistema político que a favorece". Está, sim, em curso "uma acção protagonizada pelos sectores mais retrógrados – eles próprios mergulhados em décadas de corrupção –, visando, por via da instrumentalização do poder judicial e da acção de órgãos de comunicação social, a criação das condições para a reversão dos avanços nas condições de vida do povo brasileiro alcançados nos últimos 13 anos".

 

Essa "acção de desestabilização" é "indissociável do conjunto de manobras de ingerência promovidas pelos Estados Unidos visando os processos progressistas e de afirmação soberana na América Latina". A terminar, O PCP manifesta-se "solidário com as forças progressistas brasileiras, com os trabalhadores e o povo brasileiro e a sua luta em defesa dos seus direitos, da democracia, da justiça e progresso social".

 

O PS, apesar de várias tentativas, optou por não comentar a situação no Brasil.

 

As ligações de Lula da Silva a Portugal estão a ser investigadas pela justiça brasileira, que pediu a cooperação das autoridades portuguesas. Em causa estão negócios como a privatização da EGF, em que Lula terá pedido o favorecimento da brasileira Odebrecht (que acabaria por não apresentar proposta), a venda da operadora brasileira Vivo, detida pela PT, à Telefónica (que permitiu a entrada da Oi na operadora portuguesa) ou a compra da Cimpor pela brasileira Camargo Corrêa.


A sua opinião40
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 17.03.2016

Ou seja, como a corrupção é feita por gente da "esquerda", está tudo bem. Não há volta a dar, continuam a ser uns tristes malformados.

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Ainda que eu concorde, plenamente, com o comentário do Criador de Touros, lembrei-me que um dia, alguém fez o seguinte comentário:" Cada povo tem o governo que merece". única e simplesmente porque é o povo que elege esses governantes.

Eduardo 21.03.2016

Os comunistas abusam da falta de credibilidade. Em vez de terem cuidado com os disparates que dizem quando defendem corruptos brasileiros, a Venezuela, a Correia do Norte e Cuba. Para estes gajos é tudo culpa da CIA.

A direita quer assaltar o pote 19.03.2016

A direita gosta disso como gostou das primaveras da líbia e síria,mas não é capaz de dizer que é a Cia que fabrica estas trapalhadas e os povos a que pagam,olhem para a Síria.

Anónimo 18.03.2016

Salvo raras exceções, TODOS os comentários são de bradar aos céus, mal escritos, cheios de erros ortográficos, desprovidos de senso, coerencia, ressabiados e por fim completamente adulterados de consistencia racional e moral sou de acordo que este espaço devia ser vedado a comentários!

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub