Américas Incêndio destruiu Museu Nacional do Brasil e grande parte do seu acervo

Incêndio destruiu Museu Nacional do Brasil e grande parte do seu acervo

Grande parte do acervo do museu, fundado há mais de 200 anos, ficou perdido nas chamas. A estrutura corre o risco de desabamento.
Sábado 03 de setembro de 2018 às 09:28
Um incêndio deflagrou no Museu Nacional do Brasil, o palácio de D. João VI no Rio de Janeiro, pelas 19h30 locais deste domingo, já depois do fecho ao público. Não há registo de feridos, mas o acervo do museu ficou altamente danificado, tendo-se perdido muitas peças históricas. As imagens locais mostam o edifício fustigado pelas chamas, com vários bombeiros a combatê-las. 

Apesar de alguns pisos do museu terem desabado, os bombeiros afirmam que conseguiram retirar alguma parte do acervo. No local estiveram equipas de 20 quartéis de bombeiros do Rio de Janeiro a combater o incêndio que ocorre precisamente no dia do aniversário em que, naquele local, foi assinado o decreto de independência do Brasil, a 2 de Setembro de 1822.

"O arquivo de 200 anos virou pó", lamentou o vice-diretor do Museu Nacional, Dias Duarte, que qualificou o incêndio como uma "catástrofe insuportável", dizendo à Globo: "São 200 anos de memória, ciência, cultura e educação", criticando ainda a "falta de suporte e consciência da classe política brasileira". Dias Duarte lembrou ainda que no aniversário dos 200 anos da instituição, que se assinalou este ano, nenhum ministro de Estado aceitou participar nas comemorações.

O Museu Nacional é a mais antiga instituição científica do Brasil voltada para a pesquisa e memória da produção do conhecimento, hoje vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, pode ler-se no site dedicado ao museu.

As críticas ao estado actual do museu acumulavam-se há vários meses, segundo os meios de comunicação social brasileiros. Entre as principais queixas estão a falta de fundos e os cortes orçamentais que duram pelo menos há três anos.

No momento em que o incêndio começou, havia apenas quatro vigilantes no local, que conseguiram escapar.

O edifício, criado por D. João VI, rei português, foi a residência oficial da família real e imperial no Brasil e o acervo do museu era formado por cerca de 20 milhões de peças, entre as quais se destacam objectos naturais, como um meteoro, o mais antigo fóssil humano alguma vez encontrado na América do Sul, o maior e mais importante acervo indígena e uma das bibliotecas de Antropologia mais ricas do Brasil ou a colecção egípcia que fazia parte do acervo privado do imperador D. Pedro I.

O presidente brasileior, Michel Temer, afirmou que a perda do acervo deste museu é "incalculável para o Brasil". Numa publicação feita na rede social Twitter, o presidente brasileiro lamenta que tenham sido "perdidos 200 anos de trabalho, pesquisa e conhecimento", acrescentando ainda que este "é um dia triste para todos brasileiros".




O Ministério da Educação lamentou o sucedido e garantiu que "não medirá esforços para auxiliar a universidade no que for necessário para a recuperação do património histórico". Já o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou à Globo que o ocorrido é parte do "processo de negligência de anos anteriores". "Que isso sirva de alerta para que não aconteça em outros museus", recomendou. 

Foi neste palácio virado museu que, em Setembro de 1822, Maria Leopoldina de Áustria, a primeira esposa do imperador D. Pedro I e Imperatriz Consorte do Império do Brasil - assinou o decreto de independência do Brasil.