Mundo António Costa terça e quarta-feira em Cabo Verde com dois ministros

António Costa terça e quarta-feira em Cabo Verde com dois ministros

António Costa desloca-se a Cabo Verde a convite do seu homólogo, José Maria Neves, tendo também encontros de carácter institucional com o presidente da República e com o presidente da Assembleia Nacional.
António Costa terça e quarta-feira em Cabo Verde com dois ministros
Erid Vidal/Reuters
Negócios com Lusa 18 de janeiro de 2016 às 07:46

O primeiro-ministro, António Costa, inicia terça-feira a sua primeira visita oficial a Cabo Verde, uma deslocação de dois dias em que estará acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Cultura, João Soares.

 

Na comitiva do líder do executivo português estará também a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, numa deslocação que tem o simbolismo político de demonstrar a prioridade diplomática atribuída ao aprofundamento das relações com os países de língua portuguesa.

 

António Costa desloca-se a Cabo Verde a convite do seu homólogo, José Maria Neves, tendo também encontros de carácter institucional com o presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e com o presidente da Assembleia Nacional, Basílio Ramos.

 

Nesta série de reuniões, o primeiro-ministro português estará ainda com os líderes partidários do PAICV (neste momento no Governo), Janira Hopffer, e do MPD (o maior da oposição), Ulisses Correia e Silva.

 

Fonte do Governo português referiu à agência Lusa que as relações políticas, económicas e culturais entre Portugal e Cabo Verde se caracterizam pela "excelência".

 

"Neste momento decorrem conversações para o aprofundamento do quadro de cooperação que vigorará entre os dois países nos próximos anos", adiantou a mesma fonte do executivo de António Costa.

 

Em declarações à agência Lusa a 8 de Janeiro, o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, disse esperar que a visita "contribua para reforçar ainda mais as relações entre Cabo Verde e Portugal".

 

O chefe do Governo cabo-verdiano considerou que a visita do homólogo português será também um "contributo" para o reforço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da parceria entre Cabo Verde e a União Europeia.

 

José Maria Neves disse que os dois governantes vão lançar as bases para a discussão do terceiro Programa Indicativo de Cooperação (PIC) entre os dois países para os próximos quatro anos.

 

O segundo PIC para o quadriénio 2012-2015, no valor de 56 milhões de euros, inferior aos 70 milhões de euros do anterior, foi assinado em agosto de 2012 pelos então ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, e das Relações Exteriores de Cabo Verde, Jorge Borges.

 

A última vez que António Costa esteve em Cabo Verde foi em Janeiro do ano passado, na qualidade de secretário-geral do PS, para participar no XIV Congresso do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV).

 

Energias renováveis e economia marítima são novas apostas

 

Energias renováveis, economia marítima e tecnologias de inovação deverão ser as apostas inovadoras do novo programa de cooperação português em Cabo Verde, cuja negociação deverá ser lançada durante a visita do primeiro-ministro português ao arquipélago.

 

Durante a deslocação, António Costa e o seu homólogo cabo-verdiano José Maria Neves deverão lançar as bases para a discussão do Programa Estratégico de Cooperação (PEC) 2016-2018.

 

O embaixador de Portugal em Cabo Verde, Bernardo Lucena, adiantou à agência Lusa que o referido programa deveria ter entrado em vigor a 1 de Janeiro, o que não aconteceu devido à situação política em Portugal.

 

Quanto às áreas de intervenção, ressalvou que, apesar de ser prematuro falar delas porque as negociações ainda não começaram, deverá haver uma aposta "em áreas de exigência tecnológica superior às clássicas" da saúde, educação, segurança e social.

 

Bernardo Lucena adiantou que todos os Programas Indicativos de Cooperação (PIC), que se passarão a designar Programas Estratégicos de Cooperação (PEC), "têm sempre um elemento de continuidade e um elemento inovação".

 

O próprio primeiro-ministro António Costa disse, em entrevista ao semanário cabo-verdiano "A Semana", que não "seria razoável alterar de forma abrupta os programas de evacuação médica, as bolsas de estudo ou os inúmeros projectos na área da formação".

 

António Costa disse ainda que as autoridades cabo-verdianas "saberão melhor do que ninguém quais as necessidades que se fazem sentir".

 

Acrescentou que será possível inovar e sublinhou o conhecimento de Portugal nos sectores do mar e das energias renováveis.

 

Sem avançar valores para o novo PEC, Bernardo Lucena estimou que toda a negociação esteja concluída e o programa assinado "na pior das hipóteses" até final do primeiro semestre deste ano.

 

Sobre o plano de cooperação que agora termina, no valor total de 56 milhões de euros, Bernardo Lucena destacou o "muito grande impacto financeiro" das evacuações médicas.

 

Adiantou ainda que a educação tem agora um peso menor do que já teve e que em matéria de segurança, a cooperação tem sido feita sobretudo ao nível da formação.

 

"Houve programas de cooperação que avançaram, houve algumas inovações nessa área, como o programa de pós-graduação em ciência avançada ou o lançamento do curso de medicina. Houve várias coisas que foram para além da rotina da cooperação, que correram muito bem", disse Bernardo Lucena.

 

O embaixador admitiu contudo que "houve um ou outro dossier que exigiu uma gestão mais arrastada no tempo", como a prorrogação da linha de crédito de 200 milhões de euros para financiar a habitação social, considerando, no entanto, que "não vale a pena inflacionar problemas que são absolutamente normais".

 

Sobre as relações económicas entre os dois países adiantou que Portugal continua a ser o primeiro parceiro comercial de Cabo Verde e o investidor mais transversal.

 

"Há centenas de empresas portuguesas a operar em Cabo Verde. Portugal representa mais de 40 por cento das importações cabo-verdianas. No investimento ocupamos uma posição de destaque e estamos em variadíssimos sectores: na banca, nos seguros, na construção, na distribuição, nas tecnologias de informação, cimentos, combustíveis. É difícil arranjar um sector onde não haja uma presença portuguesa", disse o embaixador.

 

Sobre a estratégia de utilização de Cabo Verde como plataforma para as empresas portuguesas entra entrarem no mercado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) adiantou que "não está a avançar a uma velocidade enorme, mas também não estamos parados".

 

"Já há empresas de construção [portuguesas] sediadas em Cabo Verde e a partir de Cabo Verde já estão a entrar em concursos e a ganhar concursos em países da África Ocidental", disse.




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comentários mais recentes
Gingalhinhas 18.03.2016

Esta gaita das escutas do procurador faz com que os negócios sejam tratados face a face desde que tenham a face suja . O marfim teria ido parar a Cabo Verde ?

Gingalhinhas 18.03.2016

Esta gaita das escutas do procurador faz com que os negócios sejam tratados face a face desde que tenham a face suja . O marfim teria ido parar a Cabo Verde ?

Anónimo 18.01.2016

Leiam isto , entºão criticavam o outro governo e agora fazenm isto ahahhah.Chama-se choque com a realidade , depois do País sair de uma bancarrota pensavam que era so distribuir?http://observador.pt/2016/01/17/governo-nao-quer-hospitais-aumentem-orcamentos-2016/

Já calaram o CM 18.01.2016

E ao fim de um mês de governação já calaram o correio da manhã!! Será que foi com o dinheiro do BANIF?? Com o nosso dinheiro compram a nossa escravatura!!

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