Mundo Erdogan diz que "paciência tem limites" em relação à subida de juros do banco central

Erdogan diz que "paciência tem limites" em relação à subida de juros do banco central

O presidente turco não é adepto das políticas de subida de juros, mas foi contrariado pelo banco central, que procedeu a uma subida "muito alta" do ponto de vista de Erdogan. O presidente critica as medidas e a independência do banco central.
Erdogan diz que "paciência tem limites" em relação à subida de juros do banco central
AFP
Ana Batalha Oliveira 14 de setembro de 2018 às 11:40

O presidente turco, Tayyip Erdogan, reagiu à subida de juros do banco central ameaçando perder a paciência.

"Estou de momento numa fase de paciência mas há um limite para esta paciência", disse Erdogan esta sexta-feira. O presidente turco classificou a subida "consideravelmente alta" e afirmou que agora "veremos os resultados da independência" da instituição central.

Na mesma ocasião, reafirmou a convicção de que um aumento das taxas de juro não ajudará a abrandar a inflação e avisou que a sua coibição em agir não perdurará indefinidamente. Erdogan defende que a política de juros altos beneficia os ricos e penaliza os mais pobres.

No dia anterior, o banco central da Turquia anunciou um aumento dos juros de 17,75% para 24%. Esta subida, de 6,25 pontos percentuais, é a maior desde que Recep Tayyip Erdogan chegou ao poder, há 15 anos. O salto superou bastante a expectativa dos analistas consultados pela Bloomberg, que apontavam para um aumento de 3,25 pontos percentuais.

Na quinta-feira a lira reagiu em alta à medida imposta pelo banco central, chegando a valorizar 4,50% para os 16,47 cêntimos de dólar. Esta sexta-feira a moeda turca já oscilou entre quebras e ganhos de mais de 1%, mas segue agora em queda ligeira, com uma desvalorização de 0,04% para os 16,44 cêntimos de dólar.

O banco central já tem implementando medidas para tentar travar a inflação, bem como a queda da lira, elevando de forma disfarçada os juros. Mas as medidas não estavam a estancar os problemas, obrigando assim o banco central a actuar de forma mais firme.

Até agora, o Banco da Turquia optou pela suspensão dos leilões de lira, a divisa turca, numa semana em que os juros estão nos 17,75%. Desta forma, os bancos ficaram obrigados a recorrer aos leilões nocturnos onde à taxa normal se somae uma "multa" que agrava o juro para 19,25%. Ou seja, sem aumentar os juros de forma oficial, o banco central conseguiu subir o "preço do dinheiro", forçando uma redução da liquidez no mercado - diminuindo a oferta para a divisa subir - neste momento em que a lira está pressionada.




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