Mundo Maduro aumenta preços dos combustíveis em 6000% e desvaloriza bolívar por decreto

Maduro aumenta preços dos combustíveis em 6000% e desvaloriza bolívar por decreto

Depois de decretar o estado de emergência económica na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro anunciou um aumento dos combustíveis – pela primeira vez em 20 anos -, e uma forte desvalorização da moeda. As medidas impostas por decreto visam combater a crise.
Maduro aumenta preços dos combustíveis em 6000% e desvaloriza bolívar por decreto
Reuters
Inês F. Alves 18 de Fevereiro de 2016 às 14:25

A partir de sexta-feira ficará bem mais caro aos venezuelanos abastecer nas bombas de combustível. O preço de um litro de gasolina normal passa de 0,07 bolívares para 1,00 bolívar por litro (de 0,01 euros para 0,14 euros o litro à taxa de câmbio Cencoex, a principal do país), e a gasolina de 95 octanas passa de 0,097 bolívares para 6,00 bolívares por litro (de 0,014 euros para 0,85 euros o litro), o que representa um aumento superior a 6,000%.

Actualmente, na Venezuela, é possível encher um depósito médio de gasolina super com três bolívares (0,42 euros) e uma garrafa de água de 220 cc custa 50 bolívares (7,09 euros), escreve a Lusa.

Maduro anunciou também uma desvalorização da moeda nacional, cuja taxa principal passa de 6,30 bolívares para 10 bolívares por cada dólar norte-americano. Além da taxa Cencoex, que é usada pelo Estado para as importações prioritárias, existem duas outras taxas oficiais, uma a 13 bolívares e a outra a 200 bolívares por cada dólar norte-americano, escreve a Lusa.

"Estas são medidas necessárias, uma acção necessária para equilibrar as coisas, eu tomo a responsabilidade por isso", disse Maduro, citado pelo The Guardian, num discurso numa transmissão televisiva que durou cinco horas.

"Chegou a hora de instalarmos um sistema que garanta o acesso aos derivados dos hidrocarbonetos a preços justos, venezuelanos, mas que garanta o pagamento do que se investe para produzir a gasolina e, inclusivamente, o salutar funcionamento da Petróleos da Venezuela (Pdvsa), petrolífera estatal", disse o responsável, citado pela Lusa.

Segundo Maduro, a Venezuela tem "a gasolina mais barata do mundo" e "a Pdvsa [petrolífera estatal] e o Governo pagam para que os venezuelanos ponham gasolina", uma vez que o custo de produção é superior ao de venda.

O aumento dos preços dos combustíveis servirá para suportar programas sociais na área da habitação, educação e da saúde, disse o Presidente, cuja expectativa é de que as medidas "sejam compreendidas pelas pessoas nas ruas", naquela que é uma referência à onda de violência de 1989, conhecida por "Caracazo", e que vitimou centenas de pessoas, lembra o The Guardian, acrescentando que a rebelião foi espoletada por um aumento dos preços dos combustíveis.

Escreve o jornal britânico que analistas de Wall Street já haviam alertado para a necessidade de a Venezuela desvalorizar a sua moeda, cortar nas despesas e aumentar os preços da energia (combustíveis e electricidade) para evitar uma catástrofe económica. Todavia, acrescenta, há quem considere que as medidas agora anunciadas não foram longe o suficiente.

O analista e professor Luis Vicente León comparou estas medidas a "colocar sal de trufas em bife pobre", escreve o The Guardian. León acredita que o Governo terá de ajustar os preços dos combustíveis constantemente para que o impacto não seja pulverizado pela inflação, que em 2015 foi de 140%. O analista mostrou-se também céptico quanto ao impacto das alterações na taxa de câmbio.

As medidas foram anunciadas por decreto por Maduro depois de este ter instaurado a 15 de Janeiro o estado de emergência económica no país por 60 dias, um decreto que pode ser renovado por mais 60 dias.

A proposta para a implementação de um estado de emergência económica foi apresentada por Maduro e debatida no Parlamento, onde a oposição tem a maioria dos deputados. A Assembleia Nacional recusou a proposta, mas, mais tarde, o Supremo Tribunal da Venezuela legislou por cima da decisão e aprovou a medida, concedendo a Maduro poderes especiais.


De acordo com a Bloomberg, o decreto permite ao presidente impor medidas para garantir direitos sociais e mitigar os efeitos da inflação induzida, e de requerer às empresas públicas e privadas o aumento da produção de bens essenciais. Além disso, permite que os ministros da Economia e Finanças trabalhem em conjunto com o banco central para definir limites máximos para transacções e transferências de dinheiro, para "proteger a moeda nacional", escreve a Lusa.

Maduro nomeou um novo Governo a 6 de Janeirodepois de ter pedido a demissão dos seus ministros na sequência da derrota eleitoral e com o objectivo de reformular o executivo. A nova equipa deve não só "enfrentar a crise económica", como terá pela frente um parlamento largamente dominado pela oposição.


Nicolás Maduro reconheceu a derrota nas eleições legislativas de 6 de Dezembro de 2015 pouco depois do anúncio oficial dos resultados, num acto eleitoral que deu à oposição a maioria no Parlamento pela primeira vez em 16 anos.

"Vimos com a nossa moral, com a nossa ética, reconhecer estes resultados adversos, aceitá-los e dizer à nossa Venezuela que a Constituição e a democracia triunfaram", disse Maduro, acrescentando que no país triunfou "um plano contra-revolucionário para desmantelar o Estado social-democrático de justiça e de direitos". Todavia, disse, os resultados foram lidos pelos socialistas "como uma bofetada para acordar".


Assim, a coligação da Mesa da Unidade Democrática (MUD) obteve 112 dos 167 lugares que compõem o parlamento venezuelano, uma maioria de dois terços que lhe confere amplos poderes. Esta maioria permite, por exemplo, convocar um referendo ou estabelecer uma assembleia constituinte, e também reformular a composição do Supremo Tribunal.

A convivência entre Executivo e Parlamento promete ser difícil, além da aprovação contra a vontade da oposição deste estado de emergência económico que confere amplos poderes a Maduro, a tomada de posse de deputados em Janeiro deste ano não foi pacífica – com três deputados da oposição impugnados, e posteriormente empossados com oposição do Executivo, já depois da Assembleia nacional tomar posse É de referir igualmente a proposta do Governo para a criação de uma instituição paralela que imita as competências da Assembleia Nacional, noticiado pelo Público a 17 de Dezembro do ano passado.

Numa outra frente, a Venezuela procura cooperar com outros países exportadores de petróleo para travar as queda dos preços da matéria-prima, o que tanto tem penalizado a economia do país. No passado dia 16 de Fevereiro, em Doha, os ministros da Energia da Rússia e da Arábia Saudita chegaram a acordo para manter a produção de petróleo nos níveis actuais, um entendimento que inclui o Qatar e a Venezuela. No dia seguinte, o Irão manifestou o seu apoio a esta iniciativa, mas não clarificou se ia participar da mesma, impulsionando os preços da matéria-prima. 




A sua opinião12
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 18.02.2016

Mais um exemplo do "sucesso" comunista/socialista. Eu acho estraordinario com ainda existe gente que acredita nestas alucinações.

comentários mais recentes
Anónimo 19.02.2016

Ou vai ou racha.

Anónimo 19.02.2016

Deve ter ouvido as notícias em Portugal e fez o mesmo... A Caty MArtins e a Mortágua de certeza que teriam uma solução para a Venezuela. Ah já sei... Reestruturação da dívida... Palhaços

Marcelo Barros 19.02.2016

Um aumento de 0.07 bolívares para 1.00,representa um aumento de aproximadamente 1400%, cerca de 14 vezes. Como o jornalista chegou a 6000%?

beachboy 19.02.2016

...lol...

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub