Mundo Putin envia tropas para a Crimeia. Comunidade internacional alerta para consequências

Putin envia tropas para a Crimeia. Comunidade internacional alerta para consequências

O Presidente da Rússia pediu este sábado ao Parlamento que autorizasse o envio de militares para a região de Crimeia. Kiev acusa a Rússia de já ter enviado tropas para aquela região e diz que Moscovo se recusa a negociar. EUA e Europa alertam para as consequências de uma intervenção militar russa em território ucraniano.
Putin envia tropas para a Crimeia. Comunidade internacional alerta para consequências
Reuters
Sara Antunes 01 de março de 2014 às 16:05

Vladimir Putin pediu, este sábado, 1 de Março, ao Parlamento autorização para enviar militares para a região ucraniana de Crimeira, revelou o Kremlin num comunicado emitido e citado pela agência Reuters.

 

Devido “à situação extraordinária [que se vive] na Ucrânia, a ameaça à vida dos cidadãos da Rússia, nossos compatriotas, e funcionários das forças armadas da Rússia em território ucraniano... submeti uma proposta [ao Parlamento] para usar as forças armadas da Rússia em território da Ucrânia até à normalização da situação sócio-política no país”, refere o comunicado.

 

O pedido foi dirigido à câmara alta do Parlamento do dia em que a câmara baixa já tinha pedido a Putin para “tomar medidas para estabilizar a situação na Crimeia e usar todos meios disponíveis para proteger os habitantes da tirania e da violência”, adianta a Reuters.

 

Já este sábado a Ucrânia tinha acusado a Rússia de enviar centenas de militares para a Crimeia e de ter colocado as suas forças armadas em alerta máximo.

 

A Crimeia é uma região ucraniana maioritariamente pró-russa. Um analista político de Kiev explicou à Reuters que a Crimeia é uma região que praticamente não pertence à Ucrânia. “O cenário da saída da Crimeia (da Ucrânia) tem sido acelerado”, afirmou o analista, acrescentando que deverá ocorrer um referendo sobre esta questão já em Março, em vez de Maio como estava previsto. “Depois do referendo a Crimeia pode formalmente manter-se como parte da Ucrânia, mas de facto, é já claro que será um protectorado russo.”

 

Ucrânia acusa Rússia de não querer negociar

 

A Ucrânia acusa Moscovo de não querer negociar com as autoridades ucranianas, numa altura em que a região da Crimeia parece estar sob alçada russa.

 

Na quinta-feira, 27 de Fevereiro, várias dezenas de manifestantes pró-russos assumiram o controlo do parlamento de Simferopol, tendo expulsado a polícia ucraniana e hasteado uma bandeira da Rússia. O exército da Rússia terá também ocupado os aeroportos da Crimeia.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrij Deshchitsya, disse já este sábado que a Rússia tem-se recusado a negociar com a Ucrânia um acordo que garanta a integridade territorial do país, adianta a agência de informação Interfax.

 

“Estamos muito preocupados com as informações de hoje” que apontam para “que a Rússia se tenha recusado” a fazer parte das negociações, afirmou o ministro citado pela agência.

 

Europa e EUA preocupados com a situação

 

A Reuters diz que a Alemanha descreveu os desenvolvimentos na Ucrânia como perigosos, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, diz ter pedido ao congénere russo para tentarem diminuir a tensão que se vive naquela região.

 

Já o Presidente dos EUA, Barack Obama, criticou, ainda na sexta-feira, qualquer intervenção russa, demonstrando preocupação com a situação.

 

“Estamos muito preocupados com os relatos de movimentos militares por parte da Rússia”, afirmou o responsável americano aos jornalistas. “Os EUA vão manter-se ao lado da comunidade internacional” afirmando que “haverá custos” se “houver qualquer intervenção militar na Ucrânia.” Qualquer violação da soberania ucraniana e da integridade territorial seria “profundamente destabilizador”, acrescentou Obama.

 

A situação socio-política na Ucrânia agravou-se no início de Fevereiro quando começaram a haver confrontos entre manifestantes e polícia na capital do país. Uma situação provocada por vários factores, nomeadamente pela defesa de adesão à União Europeia, o que foi afastado pelo então Presidente da Ucrânia que preferia estreitar as relações com a Rússia, e pela critica à corrupção existente no país.

 

Estes confrontos provocaram cerca de 60 mortos e centenas de feridos. E levaram à queda do Governo e posterior queda do Presidente, que foi entretando deposto. Yanukovich já rejeitou que tenha deixado de ser o Presidente do país e reiterou que vai continuar a lutar pela Ucrânia.

 

A Ucrânia passou a ser independente da Rússia em 1991 com o colapso da União Soviética, mas a sua ligação àquele país sempre foi forte, em especial algumas regiões.


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mais votado Calma 01.03.2014

Calma. Os submarinos do Portas já estão a caminho para resolver a situação.

comentários mais recentes
asCetaiucuuh 30.10.2016

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Anónimo 02.03.2014

Como sempre os USA e a UE deixa sempre este tirano ( Putin ) fazer o que quer, há que passar das palavras aos atos e enviar de imediato uma força para colocar na ordem a Rússia e mostrar que as intervenções armadas em países independentes só com mandato das Nações Unidas e não só porque dá jeito a este ou aquele pais.

Anónimo 02.03.2014

Putin tem que ser mais inteligente se quer salvar os interesses russos na Ucrânia. Comparar a invasão da Ucrânia com a da Polónia é fácil. Os governos europeus pressionados pelas opiniões publicas dos seus países.
Poderão ceder à tentação de um envio de tropas como resposta.

Anónimo 02.03.2014

Estamos todos fartos da arrogância russa. Putin enlouqueceu agora pensa como um czar ou um estalinista de 1930. Não pensem que a comunidade internacional e os cidadão do mundo vão ficar de braços cruzados perante tamanha barbaridade. Não queríeis o capitalismo? Então meu caro Putin isso tem um preço. Os ucranianos têm que decidir livremente e em referendo se querem ou não aderir à CEE.

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