Mundo Rússia e Estados Unidos mantêm impasse sobre a Ucrânia

Rússia e Estados Unidos mantêm impasse sobre a Ucrânia

Os representantes diplomáticos dos dois países encontraram-se esta sexta-feira, mas voltaram a não conseguir obter um acordo mínimo sobre a crise ucraniana. Moscovo sublinha que vai respeitar o resultado do referendo da Crimeia.
Rússia e Estados Unidos mantêm impasse sobre a Ucrânia
Reuters
David Santiago 14 de março de 2014 às 18:10

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que se encontrou esta sexta-feira, em Londres, com o congénere russo, Sergei Lavrov, lamentou que o Presidente russo, Vladimir Putin, não esteja na disposição de discutir um acordo antes da realização do referendo deste domingo na Crimeia, revela o “Wall Street Journal”.

 

Desta forma, Washington e Moscovo selaram a discordância, quanto à crise na Ucrânia, que mantêm desde a deposição do ex-Presidente ucraniano Viktor Yanukovych. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia adiantou que o encontro de seis horas com Kerry não tinha permitido obter “uma visão comum”.  

 

A “BBC” acrescenta que, apesar da incapacidade das duas delegações atingirem pontos em comum, Lavrov acabou por considerar esta reunião como “construtiva”.

 

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha dito sexta-feira que se Moscovo “continuasse a violar a soberania” da Ucrânia, teria de enfrentar duras “consequências. Kerry reafirmou, depois do encontro desta sexta-feira, que “a Rússia enfrentará consequências se não mudar de posição” relativamente à questão da Crimeia, escreve o “Washington Post”.

 

Questionado sobre se estas “consequências”, que se devem revestir na forma de sanções económicas e isolamento internacional, poderiam alterar de alguma forma o rumo adoptado pela Rússia, Lavrov foi lacónico: “Vamos respeitar a vontade do povo da Crimeia”.

 

O chefe da diplomacia russa quis também deixar uma mensagem de pacificadora relativamente à posição de Moscovo. “Posso assegurar que os nossos parceiros compreendem que a aplicação de sanções é contra-produtiva e não facilita os interesses mútuos”, concluiu Lavrov.

 

Este domingo a população da península autónoma da Crimeia vai votar, e deverá aprovar, um referendo sobre a possibilidade de secessão da Ucrânia e posterior anexação à Rússia. Moscovo já iniciou preparativos que permitem facilitar a atribuição de cidadania russa a descendentes russos (a população da Crimeia é maioritariamente russófona) e, entretanto, agendou uma discussão, no Parlamento, sobre alterações legislativas que permitam a anexação da Crimeia.

 

Em paralelo, nas últimas horas Moscovo aumentou o dispositivo militar nas bases militares de que dispõe na Crimeia e iniciou manobras de treino militar ao longo da fronteira da Ucrânia com a Rússia. Esta quinta-feira ficou marcada por novos confrontos em Donekst, a maior cidade da zona oriental da Ucrânia.

 

A comunidade internacional tenta, neste momento, evitar que para além da Crimeia, que já parece dada como um caso perdido, também a região leste da Ucrânia, cuja população também é de maioria russófona, possa seguir um caminho de aproximação à Rússia. Teme-se a repetição da desagregação da Jugoslávia na Ucrânia. Putin referiu desde o início do conflito que Moscovo vai "defender os interesse e direitos" de todos os cidadãos com ascendência russa.

 

Os manifestantes armados pró-russos que há cerca de três semanas controlam a Crimeia já afirmaram que, depois do referendo, estão na disposição de defender os direitos e interesses dos cidadãos descendentes russos, de outras regiões da Ucrânia, contra as novas autoridades de Kiev. 




A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado rapace 15.03.2014

homem, és louco? Nada descamba. Crimeia será russa e talvez mais algumas partes da ucrânia. A américa apenas está a fazer a sua parte, de querer ser ator de um filme que não lhe pertence nem quer pertencer! Apenas para mostrar boa figura. Não comentem mais, que eu já dei o final de todo o filme. Tudo o mais é ar!

comentários mais recentes
marquez 15.03.2014

O mundo esta a assistir a um braço de ferro....de quem é o mais forte...tudo pode descambar....tanto porque Putin é um cawboy. e Obama um calmo?....invertesse aqui o normal ,em que os US costumam ser os possessores.....no entanto o sr. Kerry é , tudo menos um mediador, conversaçoes com ele só com pistola á cintura, nao tem tacto nenhum,diria mesmo que é um bicho.....os americanos gostam deste tipo de personagem, mas nao entendem que pode ser prujidicial para qualquer negociaçao.....eu afastava-o , por ser demasiado agressivo, parece que esta a falar com os indios, doutro tempo......a questão de ser ou não ser valida a intervençao, ou ocupaçao da Russia pouco importa....o que importa é quem é o mais forte.......esta-se a assistir neste momento da historia mundial a pequenos confrontos a tentar provar quem é o mais forte.......neste mundo de armas modernas que me lembro um dos primeiros foi as Malvinas,a Englaterra ganhou mas, a meu ver por sorte....mais por desrespeitar as normas...porque senao era derrotada pela Argentina...e note-se que é considerada um das maiores potencias mundiais.....ultimamente foi o caso da Coreia do Norte em que os Americanos tiveram que recuar o passo antes que desse para torto.......ou seja todos tem poderosas armas que podem fazer imensos estragos, mas toda a gente tem medo do que o outro é capaz, por isso retraem-se....até quando nao sabemos.................................................o que assistimos neste momento são a supremacias, tal qual antigamente

Resposta de rapacea marquez 15.03.2014

homem, és louco? Nada descamba. Crimeia será russa e talvez mais algumas partes da ucrânia. A américa apenas está a fazer a sua parte, de querer ser ator de um filme que não lhe pertence nem quer pertencer! Apenas para mostrar boa figura. Não comentem mais, que eu já dei o final de todo o filme. Tudo o mais é ar!

Observador 14.03.2014

Os EUA tão defensores dos direitos humanos e de que os governos não sejam deitados abaixo por manifestações de rua sem sentido, neste caso concreto da Ucrânia como lhes interessa e se querem aproximar mais com armas do território Russo não exitam em apoiar estes manifestantes e ir contra a própria Russia que tem boa parte da sua origem histórica ligada á própria Ucrânia , para não falar da crimeia que antes era território russo e por esses motivos nunca irão aceitar qualquer tipod de interferência quer dos americanos quer dos europeus ocidentais, só restando portanto aos americanos e europeus uma simples solução que é calarem-se, deixarem de falar no assunto, pois a Russia vai mesmo anexar a Crimeia que já antes era dela e vai por em devido tempo ordem na Ucrãnia e de certeza absoluta os americanos não vão conseguir implantar-se naquela região como normalmente o fazem de forma arbitrária e normalmente bélica por esse Mundo fora, pois os russos já admitiram antes muito e possívelmente estão fartos de ser cada vez mais subjugados pelos ocidentais e irão reagir em conformidade.

Anónimo 14.03.2014

Já tenho a coca cola e as pipocas, quando é que começa a porcaria da guerra!!!

Licínio Fonseca 14.03.2014

Se os kosovares tiveram direito à autodeterminação, não terão os crimeanos agora o mesmo direito? E que moral têm os defensores dos kosovares e agora opositores dos crimeanos? 2 pesos e 2 medidas?

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub