Mundo Trump confirma novas tarifas sobre as importações da China

Trump confirma novas tarifas sobre as importações da China

O presidente dos Estados Unidos assinou um memorando que dá ordem para a aplicação de novas tarifas aduaneiras às importações oriundas da China. O pacote proteccionista será de pelo menos 50 mil milhões de dólares, podendo ir até aos 60 mil milhões.
Trump confirma novas tarifas sobre as importações da China
David Santiago 22 de março de 2018 às 17:34
Desta vez Donald Trump não surpreendeu e fez aquilo que já todos esperavam: assinou uma ordem presidencial que poderá culminar na imposição de novas tarifas aduaneiras sobre as importações da China num valor que pode ascender a 60 mil milhões de dólares e que terá um impacto mínimo de 50 mil milhões de dólares. 

Com esta decisão, o presidente dos Estados Unidos consolida um cenário de potencial guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais e dá seguimento às políticas prometidas durante a campanha eleitoral que iam no sentido da redução do enorme défice externo dos EUA em relação à China, que se fixa actualmente na casa dos 375 mil milhões de dólares. 

Antes ainda da assinatura do memorando, Trump revelou à imprensa que iria assinar uma ordem com vista ao aumento das taxas em vigor aplicadas às importações da China num valor de 50 mil milhões de dólares. No entanto, antes da entrada em vigor destas novas tarifas, cuja proposta incide sobre 1.300 bens, será aberto um período de consultas que poderá permitir a entrada em acção de legisladores e lobistas, o que tenderá a relativizar o impacto das taxas aduaneiras agora anunciadas. 

Num prazo de 15 dias, o Gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos terá de apresentar uma lista dos produtos chineses que vão ser alvo do reforço das tarifas aduaneiras. Depois, refere a Bloomberg, abre-se o período de 30 dias de consultas.

Donald Trump adiantou ainda que Washington está em negociações com as autoridades chinesas, reiterando que os Estados Unidos vêem a China como um país "amigo". Porém, o presidente dos EUA justificou a necessidade de mudanças na relação comercial entre os dois países com a perda de empregos americanos. Seja como for, logo após a assinatura da ordem presidencial Trump disse aos jornalistas que "esta é a primeira de muitas".


Além das tarifas, Donald Trump deu também instruções ao secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, para, num prazo de 60 dias, propor uma lista de restrições ao investimento de empresas chinesas por forma a salvaguardar as tecnológicas norte-americanas. Esta indicação deixa no ar a possibilidade de que produtos do sector tecnológico constem da lista de produtos sobre os quais vão pender as novas tarifas.  

A Casa Branca justifica esta intenção enquanto retaliação à actuação de Pequim relativamente a questões relacionadas com a protecção de propriedade intelectual. Nesse sentido, Washington promete agir no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para colmatar as brechas existentes nas regras do comércio internacional que permitem às empresas chinesas ganhar vantagens competitivas que os EUA consideram ilegais. É que os Estados Unidos têm vindo a acusar as autoridades chinesas de não protegerem os direitos das empresas americanas no que concerne à protecção da propriedade intelectual e de tirarem vantagens dessas práticas. 

Antes deste anúncio, a comunicação social tinha avançado que os EUA decidiram "congelar" a imposição de tarifas adicionais sobre as importações de aço e alumínio, uma medida que entra em vigor esta sexta-feira, 23 de Março, a um conjunto de países entre os quais estão os Estados-membros da União Europeia. Pelo seu lado, os líderes europeus discutem discutem esta quinta-feira durante o jantar as medidas anunciadas por Washington. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, admitiu que terão uma "longa jornada".  

Durante a campanha para as presidenciais de 2016, Trump acusou em diversas ocasiões a China de executar políticas de desvalorização cambial para adquirir vantagens competitivas face aos EUA. E já como presidente tem acusado Pequim de deslealdade comercial.
(Notícia actualizada às 18:40)



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