Mundo Trump demite Tillerson e escolhe director da CIA para chefiar diplomacia

Trump demite Tillerson e escolhe director da CIA para chefiar diplomacia

O presidente dos Estados Unidos promoveu uma enorme mudança na equipa diplomática, demitindo Rex Tillerson de secretário de Estado e substituindo-o pelo até aqui director da CIA, Mike Pompeo. Mudança acontece a cerca de dois meses da cimeira com a Coreia do Norte.
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David Santiago 13 de março de 2018 às 12:54
A tão pouco tempo da mais relevante iniciativa diplomática em mais de um ano de mandato presidencial, Donald Trump tomou uma decisão altamente inesperada ao demitir Rex Tillerson de secretário de Estado norte-americano. Segundo avança o Washington Post com base em fontes da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos demitiu o ex-líder da petrolífera Exxon Mobil depois de, na passada sexta-feira, lhe ter pedido para ser ele próprio a afastar-se. 

Entretanto, na invariável rede social Twitter, Trump confirmou a saída de Tillerson e anunciou que o até aqui director da CIA, Mike Pompeo, passará a chefiar a diplomacia norte-americana, onde fará um "trabalho fantástico". No mesmo tweet, Trump anuncia ainda que Gina Haspel passará a liderar os serviços de informação, tornando-se a primeira mulher a fazê-lo. Haspel integrou a CIA em 1985 e, em Fevereiro do ano passado, foi nomeada vice-directora da instituição por Trump. 


Em Outubro último, foi noticiado que Rex Tillerson estaria a pensar pedir demissão depois de alegadamente se ter referido ao presidente americano como "imbecil". Tillerson daria então uma conferência de imprensa para desmentir as alegações e assegurar que não faria parte de tentativas para "dividir a administração americana". Mais recente foi a polémica sobre alegados comentários feitos por Rex Tillerson, em que este teria questionado a saúde mental de Trump. O agora ex-secretário de Estado também desmentiu tais afirmações. 

Trump quer uma mudanças na diplomacia antes de encontrar Jong-un

Trump e Tillerson tinham já colidido numa série de questões, com o então líder da diplomacia a discordar das abordagens de Trump em matéria de política externa, designadamente em relação à Coreia do Norte. O New York Times acrescenta que na base da demissão está o objectivo de Trump reformular a equipa diplomática que vai preparar a cimeira com o líder norte-coreano Kim Jon-un, que decorrerá em Maio. Por outro lado, o residente na Casa Branca quer ainda um novo rosto a protagonizar as diversas conversações em curso sobre as relações comerciais dos Estados Unidos.

A distância entre Donald Trump e Rex Tillerson - cuja nomeação para secretário de Estado causou várias críticas pela inexperiência diplomática, mas que o presidente justificou com a enorme capacidade negocial do até aí CEO da Exxon - ficou clara e assumiu contornos insanáveis na semana passada, quando o presidente americano aceitou o convite de Kim Jon-un sem consultar previamente o seu chefe diplomático, que estava numa viagem pelo continente africano. Essa decisão também não foi comunicada ao Departamento de Estado.

O Washington Post acrescenta ainda que a justificar o afastamento de Tillerson está o facto de Donald Trump considerar que o secretário de Estado tinha um pensamento demasiado próximo do sistema, pelo que seria necessária uma mudança capaz de gerar um novo rumo diplomático para os Estados Unidos o quanto antes. 

As escolhas de Pompeo e Haspel terão ainda de ser aprovadas pelo Senado. O Partido Republicano dispõe de maioria em ambas as câmaras do Congresso dos Estados Unidos. Em comunicado oficial da Casa Branca, Trump tece rasgados elogios aos percursos profissionais de Mike Pompeo e Gina Haspel, que "trabalharam juntos por mais de um ano e desenvolveram um enorme respeito mútuo". 

A cerca de dois meses do maior evento diplomático da actual administração americana, esta é a decisão de Donald Trump com maior impacto tanto para a política externa como para a política de segurança dos Estados Unidos. Assim, o encontro entre Trump e Jong-un será preparado por uma equipa nova, isto numa altura em que a administração americana continua sem embaixador junto da Coreia do Sul, país determinante para criar as condições necessárias à cimeira de Maio. Além disso, Joseph Yun, representante da administração americana para as relações com a Coreia do Norte, alegou há poucas semanas "razões pessoais" para se reformar. 

(Notícia actualizada às 13:35)



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