Mundo Turquia debaixo de fogo. Trump duplica tarifas. Lira afunda

Turquia debaixo de fogo. Trump duplica tarifas. Lira afunda

Erdogan apela à população para trocar ouro e dólares por liras. Trump duplica tarifas sobre alumínio e aço. Lira afunda quase 17% e a bolsa está a registar a maior queda desde Julho de 2016.
Turquia debaixo de fogo. Trump duplica tarifas. Lira afunda
Reuters

A tensão entre a Turquia e os EUA está a aumentar. Ao mesmo tempo que Recep Tayyip Erdogan apelava aos turcos para trocarem ouro e dólares por liras, de forma a ajudar a sustentar a economia, Donald Trump duplicava as tarifas impostas às importações de alumínio e aço deste país.

A lira está a reagir em forte queda, tendo chegado a perder quase 17%. Os juros a 10 anos estão a disparar mais de 200 pontos base, atingindo um nível nunca antes visto, ao superarem os 22%. O vermelho é a cor que impera na praça turca, com o índice a descer mais de 5,5%, o que representa a maior descida diária desde Julho de 2016. Este índice é composto por 100 membros e apenas quatro conseguem escapar às perdas. 

"Se alguém tiver dólares ou ouro debaixo do colchão, deve ir trocá-los por liras nos nossos bancos. Esta é uma batalha nacional, interna", apelou Erdogan à população. "Será esta a resposta do meu povo àqueles que lançaram uma guerra económica contra nós."

Ao mesmo tempo Trump publicava um tweet onde anunciava a duplicação das tarifas do alumínio para 20% e do aço para 50%.


Este contexto levou a um intensificar dos receios dos investidores de que as autoridades do país não sejam capazes de controlar a situação económica e financeira do país.

Mesmo o ministro das Finanças do país, Berat Albayrak, genro de Erdogan, não conseguiu acalmar estes receios com a apresentação do novo programa económico, garantindo que a Turquia vai passar a ter um modelo melhor para financiar mega-projectos.

 

Um dia depois de ter revisto em baixa a estimativa de crescimento para o país, de 5,5% para menos de 4%, o Governo turco anunciou medidas para reduzir custos no sector público, com o objectivo de cumprir as metas orçamentais definidas. O ministro das Finanças adiantou que vai garantir 35 mil milhões de liras através de poupanças e do aumento das receitas. A Reuters adianta que o ministro das Finanças não respondeu a questões colocadas pelos jornalistas.


Neste contexto de "colapso" nos mercados, como muitos analistas já o apelidam, Recep Tayyip Erdogan fará um discurso público esta sexta-feira. Os investidores vão acompanhar de perto as suas palavras para perceber se o presidente dá sinais de disponibilidade para aliviar as tensões com os Estados Unidos e para deixar de lado a sua aversão por juros mais altos, que muitos consideram estar a impedir uma acção mais incisiva por parte do banco central.

"Parece um colapso total, e por isso [as autoridades] precisam de agir", afirma Morten Lund, estratega do Nordea Bank, em Copenhaga. "A lira vai continuar a cair se não subirem os juros hoje".

No final do mês passado, o banco central da Turquia surpreendeu o mercado ao anunciar a manutenção dos juros em 17,75%, depois da subida de 125 pontos base fixada em Junho, para tentar travar o aumento dos preços e a queda da lira. As projecções apontavam, contudo, para uma nova subida na ordem dos 100-125 pontos depois de a inflação ter disparado em Junho para o nível mais alto dos últimos 14 anos.

 

O receio do mercado é que esta inércia do banco central se mantenha, e que esteja a ser provocada por intervenção do próprio presidente Recep Tayyip Erdogan, que não é favorável a juros mais elevados, e ganhou maior controlo sobre a condução da política monetária, após a vitória nas eleições de Junho.

Risco de contágio penaliza Europa

A turbulência na Turquia poderá afastar o capital estrangeiro de que o país precisa para financiar o seu grande défice externo e diminuir a capacidade das empresas de pagarem os empréstimos que têm em divisas estrangeiras.

Essa possibilidade está a penalizar fortemente o sector da banca europeia - já que há várias instituições financeiras com exposição considerável à Turquia – e a própria moeda única europeia, que está a descer quase 1% e a tocar em mínimos de Julho de 2017 face ao dólar.

Segundo avançou o Financial Times, o Banco Central Europeu já está atento aos potenciais efeitos da desvalorização da lira e está preocupado sobretudo com o BBVA, Unicredit e BNP Paribas. As acções do BBVA e do Unicredit caem mais de 5% e o BNP Paribas desvaloriza 4,21%. 

De acordo com as estatísticas do Banco de Pagamentos Internacionais, a exposição dos bancos espanhóis aos bancos turcos é de 83,3 mil milhões de dólares, 38,4 mil milhões no caso dos franceses e 17 mil milhões no que toca aos italianos. 

 
E as bolsas estão a registar quedas acentuadas, superiores a 1%. A bolsa espanhola está a perder cerca de 2%, registando a maior descida desde 29 de Maio. O principal índice francês também está a cair mais de 1,5%, enquanto a praça italiana está a recuar 3%, atingindo mínimos de Julho de 2017.

(Notícia actualizada, pela última vez, às 15:21 com mais informação)




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