Política Monetária Alemanha já não quer BCE. Quem se segue a Draghi?

Alemanha já não quer BCE. Quem se segue a Draghi?

O italiano Mario Draghi tem um dos empregos mais cobiçados da esfera europeia. Depois da Alemanha ter recuado na intenção de ficar com o lugar, abre-se a porta à Finlândia, França ou Irlanda.
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Tiago Varzim 29 de agosto de 2018 às 13:16
A notícia de que a Alemanha deixou de ter como prioridade ficar com o lugar de presidente do Banco Central Europeu voltou a deixar em aberto a corrida. Quem se segue a Mario Draghi que abandona o cargo a 31 de Outubro de 2019? Os economistas consultados pela Bloomberg apontam o finlandês Erkki Liikanen, mas não há ninguém destacado. O francês Francois Villeroy de Galhau e o irlandês Philip Lane também estão entre os favoritos.

O assunto voltou à agenda quando o jornalalemão Handelsblatt avançou queAngelaMerkel está mais interessada na presidência da Comissão Europeia do que na do Banco Central Europeu. A presidência do BCE nunca esteve nas mãos de um alemão pelo que as apostas têm recaído de longe sobreJensWeidmann até a este momento. Se a chanceler alemã perder mesmo interesse no cargo, a corrida vai ser mais renhida.


De acordo com a consulta da Bloomberg feita junto de economistas após a notícia sobre a Alemanha, o candidato mais destacado é o ex-governador do Banco da Finlândia, Erkki Liikanen, cujo mandato de 14 anos terminou em Julho. Mas os seus concorrentes estão muito próximos: são eles o actual governador do Banco de França, Francois Villeroy, e o governador do Banco da Irlanda, Philip Lane. Todos dependerão da vontade dos seus países de ficar com o cargo e das circunstâncias em que estão.


Liikanen, por exemplo, apesar de ser mais favorável ao aperto monetário, é descrito como uma figura menos antagónica do que Jens Weidmann, que tem criticado interna e publicamente Mario Draghi. No entanto, Liikanen tem um problema: a idade. Caso seja o escolhido e cumpra os oito anos, o finlandês sairá do cargo aos 77 anos.

Já o francês Francois Villeroy enfrenta dificuldades ao nível do equilíbrio geográfico. O actual membro da Comissão Executiva do BCE, Benoît Cœuré, é francês e dificilmente haverá duas pessoas em cargos de alta responsabilidade com a mesma nacionalidade. Contudo, Cœuré deverá abandonar o cargo em 2020, o que facilitaria a entrada de Villeroy. Mas há outra dificuldade: Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE antes de Draghi, também era francês.


A completar o pódio dos candidatos à frente da corrida está o irlandês Philip Lane. Apesar de ser dado como certo pela imprensa que irá trocar Dublin por Frankfurt - cidade onde fica a sede do BCE - não se sabe qual será o cargo que poderá ocupar. A seu favor tem o facto de se ter candidatado ao cargo de vice-presidente e ter recebido o aval do Parlamento Europeu, apesar de o escolhido do Conselho Europeu ter sido o espanhol Luis de Guindos.


O Financial Times já escreveu que Lane poderá substituir Peter Praet como economista-chefe do banco central. Acresce que 
Sharon Donnery, uma das vice-presidentes do Banco da Irlanda, deverá estar na corrida para liderar o departamento de supervisão bancária no BCE, tornando improvável a acumulação de dois cargos de topo para o país. 

Consensual entre os analistas é a ideia de que a política monetária do Banco Central Europeu não vai mudar de forma drástica, seja quem for o sucessor de Mario Draghi. Independentemente do escolhido, a estratégia passará por retirar gradualmente os estímulos, normalizando a política monetária, tal como está a fazer neste momento a Reserva Federal, que introduziu a política expansionista anos antes do BCE.

Certo também é que o novo líder da política monetária da moeda única terá, se nada mudar de forma inesperada no próximo ano, de lidar com a situação italiana, o regresso da Grécia aos mercados, o novo equilíbrio de forças que sair das eleições europeias de Maio do próximo ano e o resultado da esperada reforma da Zona Euro.

Há ainda mais nomes que potencialmente podem vir a ser considerados. É o caso do ex-comissário para os Assuntos económicos, o finlandês Oli Rehn, mas este assumiu recentemente o cargo de governador do Banco da Finlândia, sucedendo a Erkki Liikanen.


Na mesma linha de alguém mais conservador está o holandês Klaas Knot. O actual governador do Banco da Holanda viu o seu mandato ser renovado em Maio deste ano para mais sete anos à frente da entidade, mas é um possível candidato à presidência do BCE por ter a simpatia da Alemanha.

Menos provável, mas também possível é a nomeação de Christine Lagarde. A ex-ministra das Finanças francesa é actualmente a directora-geral do Fundo Monetário Internacional. O seu mandato foi renovado em 2016 para mais cinco anos, mas Lagarde poderá sair mais cedo para regressar à Europa caso o presidente francês, Emmanuel Macron, decida garantir o lugar para o seu país.

A escolha final caberá aos líderes dos Estados-membros. Apesar de o Parlamento Europeu poder dar um parecer e ouvir o candidato escolhido, a decisão final cabe aos chefes de Estado. Ou seja, ao Conselho Europeu, que deverá reunir antes de Outubro do próximo ano para decidir o sucessor de Draghi. O assunto deverá também passar pelo Eurogrupo.




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