Política Monetária Banco de Inglaterra volta a deixar taxa de juro inalterada

Banco de Inglaterra volta a deixar taxa de juro inalterada

O banco central inglês decidiu manter a taxa de juro directora em 0,5%, taxa que se mantém desde 2009. Para a instituição, a perspectiva de baixa inflação e a volatilidade dos mercados poderão penalizar o crescimento da economia global.
David Santiago 14 de janeiro de 2016 às 12:48

O Banco de Inglaterra decidiu deixar inalterada em 0,5% a taxa de juro directora do Reino Unido. Esta era uma decisão aguardada, especialmente depois de em Dezembro a autoridade monetária ter sustentado não haver ainda condições para decretar a primeira subida dos juros desde 2009.

 

O banco central inglês sustenta que as perspectivas de curto prazo sobre o crescimento da economia britânica e da inflação pioraram nas últimas semanas devido à volatilidade sentida nos mercados, o que representa um factor de risco para o crescimento da economia global.

 

No entender da instituição liderada por Mark Carney, as estimativas para a inflação apresentam-se excessivamente optimistas, realidade que justifica com o facto de o preço do petróleo estar a negociar em forte baixa. Tal como nas anteriores votações, Ian McCafferty voltou a ser o único dos membros do banco central inglês a votar contra a manutenção da taxa de juro directora em 0,5%. A votação saldou-se em oito votos favoráveis e o voto contrário de McCafferty, que defende uma subida para os 0,75%.

 

Nas minutas divulgadas esta quinta-feira, 14 de Janeiro, a instituição lembra que apesar dos sinais que apontam para "um modesto crescimento" da inflação nos próximos meses, a acentuada desvalorização do preço do petróleo "significa que o crescimento da inflação será agora ligeiramente mais gradual, no curto prazo, do que aquilo que havia sido antecipado" nas projecções constantes no relatório do Banco de Inglaterra sobre inflação publicado em Novembro.

 

Assim, a manutenção dos juros é justificada com a necessidade de "melhor gestão dos riscos" para a economia e para a inflação, que continua pouco acima de 0% e distante da meta de 2%. Na semana passada, como recorda a Bloomberg, seis bancos, entre os quais o Goldman Sachs, o Bank of America-Merrill Lynch e o JPMorgan Chase, reviram as suas previsões atirando para o quarto trimestre de 2016 a previsão para o primeiro aumento dos juros por parte do banco central inglês.

Numa sondagem da Reuters, a maioria dos economistas consultados disse acreditar que o banco central inglês só deverá aumentar os juros no terceiro trimestre deste ano, isto depois de na anterior sondagem conduzida por aquela agência noticiosa terem antecipado que a primeira subida dos juros em sete anos deveria acontecer já no segundo trimestre. 

Programa de compra de activos também permanece inalterado

 

Tendo em conta os potenciais riscos para o crescimento da economia global, que o Banco de Inglaterra nota afectar não só os países emergentes mas também vários dos seus principais parceiros comerciais, a instituição também decidiu manter inalterado o programa de compra de activos nos 375 mil milhões de libras (praticamente 500 mil milhões de euros).

 

Este programa foi delineado ainda em 2009 com o objectivo de assegurar maior liquidez ao mercado interno britânico, facilitando a concessão de crédito e o crescimento económico.

 

O Banco de Inglaterra também se refere ao referendo britânico sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Consulta popular prometida pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, para 2017 mas que poderá acontecer já no Verão deste ano. A autoridade monetária liderada por Carney nota que o referendo também poderá impactar negativamente o crescimento da economia britânica, sublinhando que a libra poderá ter vindo a ser penalizada pelo receio dos mercados relativamente à concretização de um cenário de "Brexit".  

Espera-se que Mark Carney possa dar novas explicações e pistas mais concretas sobre as perspectivas do Banco de Inglaterra quanto ao aumento dos juros quando fizer o seu primeiro discurso oficial de 2016, no próximo dia 19 de Janeiro. 


(Notícia actualizada às 12:59)




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