Política Monetária Banco do Japão mantém taxas de juro negativas

Banco do Japão mantém taxas de juro negativas

O Banco do Japão manteve as taxas de juros inalteradas, em valores negativos. A taxa de depósitos está em -0,1%. E o programa de compras de activos vai continuar.
Alexandra Machado 15 de março de 2016 às 07:16

O Banco do Japão manteve esta terça-feira, 15 de Março, as taxas de juro inalteradas, face aos valores que tinha fixado em Janeiro e que apanharam, então, o mercado de surpresa. A taxa de depósitos, aquela que cobra aos bancos para que estes tenham dinheiro depositado no banco central, é negativa. Está nos -0,1%, o que significa que os bancos têm de pagar para ter o seu dinheiro depositado no banco central. Uma medida que está, aliás, a ser tomada por várias autoridades monetária, na tentativa de colocar mais dinheiro disponível para a economia.

A manutenção das taxas de juro de depósitos era esperada por 35 dos 40 economistas contactados pela Bloomberg. E segundo o comunicado essa manutenção foi votada favoravelmente por sete dos nove elementos do conselho do Banco do Japão.

As decisões tomadas esta terça-feira pelo Banco central do Japão estão a ser explicadas pelo governador Haruhiko Kuroda (na foto), depois de comunicadas numa declaração disponível no site da instituição.

Além de manter a taxa de depósitos em valores negativos, o Banco do Japão mantém o programa de compra de activos, com um reforço nos ETF (exchange-traded funds). Em dívida pública nipónica, o banco central pretende que seja adquirido a um ritmo anual de 80 biliões de ienes (cerca de 630 mil milhões de euros). A maturidade média desta dívida comprada pelo Banco do Japão será de 7-12 anos.

Na carteira de compra de activos estarão títulos ETF, fundos negociados no mercado de capitais accionistas e que, por regra, seguem determinados índices. São negociados como acções. E nestes títulos o Banco do Japão diz pretender adquirir a um ritmo anual de 3 biliões de ienes (23 mil milhões de euros) até ao final de Março deste ano, reforçando o balanço com estes títulos a partir de Abril a um ritmo anual de 3,3 biliões de ienes (26 mil milhões de euros).

O Banco do Japão propõe-se ainda comprar fundos de investimento imobiliários a um ritmo anual de 90 mil milhões de ienes (710 milhões de euros). Já em papel comercial e obrigações de empresas, o banco pretende manter os 2,2 biliões e 3,2 biliões de ienes, respectivamente.

Também o Japão está a ter dificuldade em conseguir elevar a inflação para níveis próximos dos 2%, conforme seu objectivo. Mas mais do que mudanças na política monetária, era aguardada com expectativa a indicação para a economia nipónica. No comunicado, o Banco do Japão fala de lentidão nas exportações - ainda assim estas poderão aumentar moderadamente - e na produção, acreditando que o consumo interno poderá revitalizar um pouco.

Face a esta indicação eram, ainda, aguardados com expectativa os passos seguintes. O Banco revela que vai continuar com a expansão monetária e com taxas de juro negativas, com o objectivo ainda em mente de ter uma estabilização dos preços perto dos 2%. "Vamos examinar os riscos para a actividade da economia e preços e tomar medidas de estímulos adicionais em três dimensões - quantidade, qualidade e taxas de juro - se se revelar necessário para alcançar o objectivo de estabilidade de preços", revela o Banco do Japão em comunicado. Nestas projecções os economistas contactados pela Bloomberg já falam na necessidade de mais estímulos. 

(Notícia actualizada às 7:25 com mais informação)




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