Economia Elisa Ferreira decidiu não se candidatar à presidência da supervisão do BCE

Elisa Ferreira decidiu não se candidatar à presidência da supervisão do BCE

Elisa Ferreira decidiu não avançar para a presidência do Mecanismo Único de Supervisão do BCE, sabe o Negócios.
Elisa Ferreira decidiu não se candidatar à presidência da supervisão do BCE
Miguel Baltazar
David Santiago 27 de agosto de 2018 às 11:05

A vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, era apontada como uma das favoritas à presidência da supervisão do Banco Central Europeu (BCE), mas decidiu não avançar com uma candidatura, sabe o Negócios.

 

Depois de ponderar sobre a candidatura à presidência do Mecanismo Único de Supervisão do BCE, Elisa Ferreira decidiu não avançar, apesar de ter tido várias manifestações de apoio, apurou o Negócios. O prazo para a apresentação de candidaturas terminou na passada sexta-feira. O BCE não divulgou os nomes daqueles que formalizaram interesse na corrida à liderança da supervisão da autoridade monetária.


Entre os motivos que levaram a vice-governadora do Banco de Portugal a não apresentar uma candidatura está o facto de ainda ir a menos de meio do seu mandato de cinco anos no Banco de Portugal. Além disso, pesou também o facto de a responsável já ter passado muitos anos fora de Portugal, designadamente quando foi eurodeputada eleita pelo PS entre 2004 e 2016.

 

A Bloomberg escrevia na semana passada que para lá da competência, experiência e apoio político, o factor decisivo para a escolha do próximo líder deste órgão pode ser o género, já que aparentemente o BCE preferirá que seja uma mulher a substituir outra mulher, a francesa Nouy que termina o mandato em 31 de Dezembro próximo. 

Juntamente com a Elisa Ferreira, que além de vice-governadora do Banco de Portugal é a representante do banco central português junto da instituição responsável pela supervisão bancária na Zona Euro, a Bloomberg colocava na frente da corrida a irlandesa Sharon Donnery. A preferência por uma mulher para liderar a supervisão do BCE prende-se com as críticas dirigidas ao facto de há muito o BCE ser dominado por homens, sendo que actualmente o conselho geral da instituição liderada por Mario Draghi conta com apenas uma mulher (Chrystalla Georghadji, do Chipre). 

A experiência de Elisa Ferreira enquanto eurodeputada, onde esteve no comité de assuntos económicos e monetários, designadamente o envolvimento como chefe de negociação para a criação de um enquadramento legal para bancos insolventes, era um dos pontos a favor da portuguesa. Desde logo porque a economista tem um conhecimento profundo das regras europeias adoptadas na sequência da crise das dívidas soberanas e que passa por salvaguardar os contribuintes das perdas dos bancos. 

Escolha será feita antes do final de 2018


A nomeação do futuro presidente do Conselho de Supervisão do Mecanismo Único de Supervisão, cujo mandato é de cinco anos e não é renovável, terá de ser feita até ao final deste ano, numa decisão a cargo do Parlamento Europeu e dos governos dos países-membros da área do euro, que têm de aprovar por maioria o nome escolhido pelo Conselho do BCE proposto ao Parlamento Europeu. O Conselho de Supervisão é o organismo responsável pela vigilância do sistema financeiro da Zona Euro.


Se não vingar o critério de "preferência" por uma mulher, a Bloomberg coloca três homens italianos como favoritos ao cargo: Andrea Enria, ex-presidente da Autoridade Bancária Europeia, Ignazio Angeloni, que integra o BCE desde a sua fundação, e ainda Fabio Panetta, o actual representante do Banco de Itália no Mecanismo Único de Supervisão.




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