Política Monetária Schäuble: política expansionista está a criar "economias-zombies"

Schäuble: política expansionista está a criar "economias-zombies"

O ministro alemão das Finanças insiste que é tempo de aplicar reformas estruturais e manter a regulação financeira. Os programas de estímulos, avisa, podem estar a criar terreno para a próxima crise financeira.
Schäuble: política expansionista está a criar "economias-zombies"
Paulo Zacarias Gomes 26 de Fevereiro de 2016 às 09:41

O ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble manifestou-se contra a aprovação pelo G20 de um novo pacote de medidas de estímulo à economia internacional e apontou as medidas expansionistas dos últimos anos como podendo estar a originar uma nova crise económica e financeira.


"O modelo de crescimento baseado na dívida atingiu os seus limites. Está mesmo a causar novos problemas, aumentando o endividamento, gerando bolhas e riscos excessivos, tornando a economia 'zombie'", afirmou Schäuble na madrugada desta sexta-feira, 26 de Fevereiro na reunião de banqueiros centrais e ministros das Finanças das 20 maiores economias do mundo, em Xangai, China.

A ideia de as maiores economias do mundo juntarem esforços e tomarem medidas ousadas para impulsionar o crescimento foi proposta dois dias antes do encontro pelo Fundo Monetário Internacional. "O G20 deve planear um apoio coordenado à procura usando a margem orçamental disponível para aumentar o investimento público e complementar as reformas estruturais", sublinhava o relatório do FMI, citado pela Reuters.


"Não concordamos com um pacote de estímulos no G20 como alguns defendem caso novos riscos se materializem. (…) Temos de deixar claro que o espaço para a política monetária está esgotado. E temos de pensar como implementar as reformas", afirmou Schäuble, defendendo que a política acomodatícia tem obtido apenas resultados moderados.

Já o FMI defende que a política monetária acomodatícia "continua a ser essencial, onde a inflação ainda esteja abaixo das metas dos bancos centrais" e uma política orçamental de curto prazo "mais favorável, quando apropriado, e desde que haja margem de manobra orçamental".

cotacao As políticas orçamentais e monetárias atingiram o seu limite. Se queremos que a economia real cresça, não há atalhos para evitar as reformas. Wolfgang Schäuble Ministro das Finanças da Alemanha


O Banco Central Europeu estendeu em Março do ano passado o seu programa de compras à aquisição de dívida soberana na zona euro, destinando um valor médio mensal de 60 mil milhões de euros a esse fim. O objectivo de reanimar a economia do euro e cumprir o mandato de colocar a inflação próxima mas abaixo dos 2%, valor que está longe de alcançar.


Este programa de alívio quantitativo sempre mereceu críticas e oposição do banco central alemão e das autoridades de Berlim. Na reunião de Dezembro passado o programa passou a abranger dívida emitida por regiões e o presidente Mario Draghi aprazou para o próximo mês de Março uma nova revisão do programa.

"As políticas orçamentais e monetárias atingiram o seu limite", insistiu Schäuble. "Se queremos que a economia real cresça, não há atalhos para evitar as reformas", argumentou o ministro alemão, avisando ainda que interromper a regulação financeira "seria um erro terrível".




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mais votado AVerVamos 26.02.2016

Foi assim em 2008, e será assim no futuro, enquanto não se modificar um modelo que facilmente auto-implode.
Responsabilidades? Da Alemanha que teima em não investir (num dos extremos da corda). No outro extremo da corda, os países da periferia que teimam em contrair divida para obras sem retorno e modelos sociais falhados!!
Responsabilidades? Do modelo da UE, indecisa, vagarosa, burocrática, em que é necessário agradar mais a uns que a outros. EXCESSO de PAÍSES!
Ou seja, o modelo de ecónomia/desenvolvimento defendido por este governo, baseado no consumo INTERNO, está CONDENADO a CONDENAR-NOS.

comentários mais recentes
beachboy 27.02.2016

...a malta gosta de pagar juros...
...vive para pagar juros...
...quem se endivida até ao osso é o que dá!...
...a malta não gosta do que ele diz, mas ele tem razão!...

Anónimo 26.02.2016

O draghi pos todos(perifericos) na lua e agora ninguem quer descer a terra.Se a descida tiver de ser aos trambolhoes,ela vai fazer doer,estou certo.Os perifericos acostumaram-se a estar na corda bamba e no fio da navalha.Uma coisa e certa na lua nao ficamos.

Anónimo 26.02.2016

Pois e eu até me esqueci do estado social coisa q n existe nos EUA e onde se poupam muitos mil milhões. Conclusão se querem algo acente em consumo interno têm de acabar com o estado social e passar para modelos de justiça e ficalidade a americana com trafulhas estado social n funciona

Maria Valentina Umer 26.02.2016

A corrupcao portuguesa é o seu cancro! Enquanto nao houver Justica contra os corruptos no governo, nos bancos, e nos seus associados -- que incluem o aparelho da Justica -- nao haverá progresso em Portugal, com ou sem a UE.
Fazem com os Angolanos? Tais corruptos contra corruptos! Máfia!

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