Política António Barreto: Políticos exigiram sacrifícios mas não sacrificaram os seus interesses

António Barreto: Políticos exigiram sacrifícios mas não sacrificaram os seus interesses

Os partidos políticos portugueses "exigiram à população enormes sacrifícios", mas, chamados a negociar, "foram incapazes de fazerem, eles próprios, o sacrifício dos seus interesses", analisa o sociólogo António Barreto.
António Barreto: Políticos exigiram sacrifícios mas não sacrificaram os seus interesses
Lusa 26 de julho de 2013 às 08:38

"Era necessário que todos os partidos, ou alguns deles, fizessem sacrifício das suas posições partidárias e dos seus interesses, e não o fizeram. Tendo, todavia, exigido que os portugueses ganhassem menos, pagassem mais impostos, ficassem desempregados, tivessem problemas muito sérios do ponto de vista social, económico e financeiros", criticou o sociólogo e ex-deputado, em entrevista à Lusa.

 

A convicção de que "o interesse nacional é igual ao do partido" terá um preço, acredita o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que está a ultimar a conferência "Portugal europeu. E agora?", Agendada para 13 e 14 de Setembro.

 

"Isto paga-se, no longo prazo, no médio prazo, paga-se. Quase ninguém respeita os políticos, os partidos políticos, a não ser as tribos, a tribo do PS, a tribo do PSD, a tribo do CDS, a tribo do Bloco ou do PC, [que] respeitam o seu partido, como as claques de futebol", compara.

 

"Há um declínio do respeito e da confiança nos políticos muito, muito, muito grande", resume, assumindo que gostava que a situação se recompusesse. "Porque, para vivermos em democracia e em paz, é necessário que volte a aparecer respeito pelos políticos, mas creio que vai demorar muito tempo", prevê.

 

Quase ninguém respeita os políticos, os partidos políticos, a não ser as tribos, a tribo do PS, a tribo do PSD, a tribo do CDS, a tribo do Bloco ou do PC, [que] respeitam o seu partido, como as claques de futebol"
 
António Barreto

"Desde o início" que António Barreto não partilha da "estratégia" do Presidente da República. "Ele tem o estilo dele. Creio que ele tem cumprido o estilo dele. Não é aquele que eu defenderia para ele", diz.

Em resumo, toda a classe política sai "muito fragilizada" da crise governamental mais recente, mas a "incapacidade" para "discutir, negociar e chegar a acordo" já é uma característica dos partidos "há quatro, cinco anos", recorda, confessando: "Não sei quanto tempo demorará a recompor as coisas."

 

Apesar de o Governo dizer "muitas vezes que quer uma sociedade civil" activa, "é conversa", porque, "na verdade, nos actos, nas leis, nas decisões", prefere "uma sociedade civil submissa, que não crie problemas, que seja reverencial, que saúde e cumprimente os senhores políticos", afirma o sociólogo.

 

Por outro lado, a sociedade civil portuguesa "adapta-se facilmente" a qualquer cenário, por pior que seja. "Tendencialmente, os portugueses resignam-se mais do que se revoltam", admite.

 

Porém, o sociólogo recusa "exagerar" essa tendência, porque "houve momentos, nos últimos 200 anos" de "revoltas muito profundas e conflitos muito graves" - no fim da monarquia, no princípio da República, no assassinato de Chefes de Estado. "Também há revolta, não é só resignação, brandos costumes ou suavidade", alerta.

 

Tendencialmente, os portugueses resignam-se mais do que se revoltam.
 
António Barreto

"Esta sociedade civil necessita, obviamente, de instituições. (...) Uma pessoa levanta-se de manhã, acorda e [diz] 'vou-me revoltar contra qualquer coisa ou vou fazer isto'? Não. O importante são as instituições, as associações, as organizações. É nesse domínio que Portugal sempre foi frágil", avalia.

 

A força e a fraqueza da sociedade civil, "sempre dependente do Estado", seria um dos temas que acrescentaria à série documental "Portugal - um retracto social", que dedicou à sociedade portuguesa. Os outros dois episódios seriam sobre as relações entre Portugal e a Europa e a debilidade económica do país.




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mais votado Anónimo 26.07.2013

Aqui está outro Grande homem que não se deixou levar pelos interesses...

comentários mais recentes
Anónimo 14.08.2016

Claro que só essa gente tem barriga os restantes portugueses não comem. Por isso não creio em politico algum neste pais não passam de badamecos armados ao pingarelho que não servem nem Portugal nem o seu povo apenas se servem a eles e a sua pandilha.

Criador de Touros 14.08.2016

Discordo um pouco: acho que o povo tem sido instrumentalizado pelas elites maçónicas GOL e esquerda em geral. A direita portuguesa quase nem existe hoje.Esta instrumentalização começou a sério em meados do séc. XVIII. Sob a desculpa dos fogos a esquerda prepara um ataque cerrado à propriedade privada em Portugal. Isto é muito grave !!...

Ciifrão 14.08.2016

Os partidos de esquerda são o que sempre foram, de gente militante que assina de cruz qualquer ideia vinda do comité central. Pessoas sem sentido crítico para lá do conteúdo do panfleto não são recomendáveis. Os outros, aqueles que juntam por interesses pessoais, são igualmente pessoas pouco recomendáveis, medíocres quase sempre.

Anónimo 31.07.2016

A organização do país não presta. 3falências em 32 anos provam-no. De facto, não há separação entre poderes legislativo e executivo, não há deputados eleitos etc etc. Como esperar que os privilegiados mudem o regime que os beneficia?

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