Política BE quer "resgate" dos CTT por existirem "bases suficientes de incumprimento"

BE quer "resgate" dos CTT por existirem "bases suficientes de incumprimento"

O Bloco de Esquerda (BE) quer que o Governo "resgate" a concessão dos CTT por "existirem bases suficientes de incumprimento por parte da empresa no que se refere às suas obrigações de serviço público", disse hoje o deputado José Soeiro.
BE quer "resgate" dos CTT por existirem "bases suficientes de incumprimento"
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 12 de janeiro de 2018 às 14:57

"É preciso travar este processo que passa pelo encerramento de postos de correio que são fundamentais para a população e que passa pelo despedimento de mais de 800 trabalhadores, num contexto em que a actual administração dos CTT já é responsável por um incumprimento flagrante das suas obrigações de serviço público", disse José Soeiro.

 

O deputado participava esta manhã numa manifestação que decorreu à porta do posto de CTT da Areosa, concelho de Gondomar, uma das quatro estações que está previsto serem encerradas no distrito do Porto.

 

"CTT - Serviço Público já!" e "Esta estação não pode fechar" - eram as frases das faixas empunhadas por cerca de duas dezenas de pessoas.

 

António Ferreira, vidraceiro de 60 anos, contou à Lusa que usa este posto para pagar contas e levantar documentos, lamentando o fecho por ser, disse, "a maior asneira que podem fazer e o maior castigo para as pessoas com idade que não conseguem deslocar-se".

 

É o caso de Diana Silva, reformada de 87 anos, que levanta a reforma no posto da Areosa: "Se fechar não sei o que vou fazer. Tenho de chamar a minha neta ou assim. Tenho de pagar um táxi ou subir ao autocarro para ir a um posto. Mas as pernas e o bolso não podem", disse à Lusa.

 

José Soeiro apontou que "ao mesmo tempo que a empresa tem lucros e distribui milhões pelos accionistas, encerra balcões, despede pessoas e degrada o serviço".

 

No distrito do Porto está previsto o encerramento de quatro os balcões, sendo que o da Areosa fica em Gondomar, mas na fronteira com o Porto e com a Maia e numa estrada de acesso a Ermesinde, concelho de Valongo.

 

Em declarações à Lusa na última semana, o presidente da câmara de Gondomar, Marco Martins (PS), apontou ter pedido uma reunião "urgente" com a administração dos CTT.

 

Na sexta-feira também decorreu à porta desta estação uma manifestação convocada pelo PCP, enquanto o PSD local também já emitiu um comunicado a criticar este encerramento.

 

"Em algumas zonas os correios são o último reduto de contacto entre as populações e o Estado. Neste momento já existem bases suficientes de incumprimento, por parte da empresa, das obrigações que constam do contrato de concessão, para que se rescinda esse contrato com a empresa e para que se resgate os CTT para a esfera pública", frisou hoje José Soeiro.

 

O BE prepara-se para entregar um projecto na Assembleia da República sobre esta matéria e pediu a intervenção da ANACOM, entidade reguladora do sector.

 

Os CTT confirmaram a 2 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afectar 53 postos de trabalho.

 

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas "não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respectivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente".

 

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Porto), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).

 

A decisão de encerramento motivou já críticas de autarquias e utentes.




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