Política Catarina Martins defende que Ricardo Robles “nada fez de errado”

Catarina Martins defende que Ricardo Robles “nada fez de errado”

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE) disse que o vereador bloquista da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, "nada fez de errado", classificando as notícias de alegada especulação imobiliária de "mentiras".
Catarina Martins defende que Ricardo Robles “nada fez de errado”
Catarina Martins classifica como "falsas" as notícias que têm sido publicadas nos últimos dias sobre Ricardo Robles.
Lusa
Lusa 28 de julho de 2018 às 12:52

"Eu ontem (sexta-feira) acordei com uma capa de jornal que dizia que o vereador do Bloco [de Esquerda] tinha ganho milhões de euros numa operação imobiliária e era mentira. Hoje acordei com uma capa de jornal que diz que o vereador do BE tem um apartamento em Saldanha, que, pelos vistos, era uma grande novidade, e é mentira. É a casa onde ele vive, uma casa arrendada", disse, este sábado, 28 de Julho, Catarina Martins, em Abrantes, no distrito de Santarém, onde se juntou aos 230 jovens no Acampamento da Liberdade 2018, promovido pelo BE, que decorre no parque de campismo de Castelo do Bode, em Martinchel.

 

Em causa está uma notícia avançada na edição de sexta-feira do Jornal Económico, que dá conta que, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado, avaliado em 5,7 milhões de euros e posto à venda em 2017.

 

"São dois dias em que há capas de jornal que dizem mentiras sobre o vereador do BE na Câmara de Lisboa e isso acontece na mesma altura em que o parlamento aprovou legislação importante para proteger os inquilinos e em que aguardamos, por exemplo, a promulgação a breve trecho do direito de preferência sobre a propriedade que permite que o inquilino possa comprar só a sua fracção quando o senhorio quer vender todo o empreendimento e, por isso, será um grande obstáculo a negócios que estão a ser preparados, nomeadamente a Fidelidade que quer vender um enorme número de prédios em várias zonas do país", afirmou Catarina Martins.

 

A dirigente bloquista disse ainda "compreender" que "o que o BE está a fazer está a incomodar interesses imobiliários".

 

"Percebo, por isso, que tenham decidido perseguir o BE, mas há duas certezas que eu tenho: a primeira, é que aquilo que fizemos ainda é muito pouco e, portanto, ainda vamos ter de fazer mais para proteger o direito à habitação em Portugal. A segunda, como sabem, é que o BE não se deixa intimidar".

O Bloco de Esquerda (BE) já havia defendido, em nota enviada à Lusa, que a conduta do vereador na Câmara de Lisboa Ricardo Robles "em nada diminui a sua legitimidade na defesa das políticas públicas que tem proposto e que continuará a propor".

 

O BE reiterou que "é falsa a realização de qualquer venda; enquanto coproprietário de um imóvel, Ricardo Robles manteve com todos os seus inquilinos uma relação inteiramente correta, assegurando os direitos de todos".

Lembrando que foram dadas explicações pelo vereador, Catarina Martins frisou que Ricardo Robles "fez bem em explicar porque, embora não tenha nada de errado, os eleitos do BE devem explicações e, às vezes, é muito complicado explicar a vida da nossa família e, por vezes, as vidas mudam, como mudou a vida da irmã dele, não voltando para Portugal".

 

"E ele acabou por dar todas essas explicações, que até são um pouco exageradas face ao que está em causa, mas que se percebem porque é uma notícia que foi complicada e as pessoas precisavam de perceber", referiu a responsável do partido.

 

Catarina Martins acusou ainda a concelhia de Lisboa do PSD de hipocrisia" e "cinismo" por esta ter pedido a demissão do vereador bloquista, acusando-o de "falta de ética, seriedade e credibilidade política", pedido efectuado na sexta-feira.

 

"Registei também que o PSD, o partido que está a ser investigado por problemas tanto de vistos Gold como de financiamento ao partido através de negócios ligados a obras e a autarquias, decidiu, em vez de tirar consequências das investigações que está a ser alvo, perseguir o vereador do BE que, de facto, não precisou de nenhuma notícia para estar à altura e proteger quem devia proteger. Eu acho que sobre a hipocrisia e o cinismo estamos conversados", concluiu.




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