Política Declarações de Paulo Rangel foram proferidas num "estado de verdadeiro delírio"

Declarações de Paulo Rangel foram proferidas num "estado de verdadeiro delírio"

O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, criticou esta manhã de forma dura, as declarações proferidas ontem por Paulo Rangel no Parlamento Europeu sobre a alegada falta de liberdade de expressão em Portugal. Francisco Assis considera mesmo que o responsável do PSD está num "estado de verdadeiro delírio".
Sara Antunes 09 de fevereiro de 2010 às 10:52
O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, criticou esta manhã de forma dura, as declarações proferidas ontem pelo eurodeputado Paulo Rangel sobre a alegada falta de liberdade de expressão em Portugal. Francisco Assis considera mesmo que o responsável do PSD está num “estado de verdadeiro delírio”.

“Considero absolutamente indignas” as declarações que Paulo Rangel proferiu ontem no Parlamento Europeu, já que põem “em causa a imagem de Portugal por razões falsas”, afirmou Francisco Assis.

O líder da bancada parlamentar do PS considera que “Portugal é um Estado de direito, onde há um respeito absoluto pelas liberdades” e como tal, a postura de Paulo Rangel – que é partilhada pela maioria dos partidos em Portugal – “tem que ser vigorosamente censurada”.

Francisco Assis considera que Paulo Rangel passou para “um estado de verdadeiro delírio, ao ponto de se permitir fazer uma declarações desta natureza”.

Em causa estão as declarações proferidas ontem por Paulo Rangel no Parlamento Europeu. “Eu queria denunciar aqui aquilo que se está a passar em Portugal neste momento, onde é claro que a comunicação social trouxe à luz um plano do Governo para controlar os jornais, para controlar estações de televisão, para controlar estações de rádio”.

De acordo com a Lusa o deputado europeu afirmou que o primeiro-ministro, José Sócrates, “tem de dar explicações substanciais ao país”, nomeadamente “explicar que não está a dominar, a saciar, a censurar a liberdade de expressão em Portugal”. “Pela forma que estamos a andar, Portugal já não é um Estado de direito é um Estado de direito formal onde o primeiro ministro se limita a formalidades, a procedimentos, a formalismos e não quer dar explicações substanciais”.

Hoje Francisco Assis reagiu a estas declarações apelando para que “não se continue neste caminho, [que] é perigoso”.

“O primeiro-ministro não tem de prestar nenhum esclarecimento”, já que “não tem de fazer considerações sobre conversas privadas”, acrescentou o líder da bancada parlamentar. “Não sabemos verdadeiramente o que as pessoas estavam a dizer”, adiantou, considerando que as notícias que foram publicadas retiraram de contexto as conversas.

“Não podemos permitir que as suspeitas se instalem na vida pública do País”. “Se o primeiro-ministro viesse fazer declarações sobre este assunto estaria ele próprio a violar” as regras de segredo de justiça.

“Infelizmente o que se tem verificado é uma inversão desta realidade”, com alguns intervenientes a “construir um discurso político para pôr em causa o primeiro-ministro”.

“A democracia exige o respeito pelas regras que estão na sua base”, salientou.

"Não há nenhum problema grave ao nível da liberdade de expressão"

“Não há nenhum problema grave ao nível da liberdade de expressão, mas se alguns partidos entendem que se deve discutir”, então o PS também está disponível para isso.

“Nós próprios vamos apresentar uma proposta de audições para saber em concreto de que forma é que a liberdade de expressão” pode estar em risco. “Saber qual a relação entre os poder políticos e económicos” e os órgãos de comunicação. Saber se “a precariedade afecta ou não o desempenho dos jornalistas”. Saber se “a concentração da propriedade dos meios de comunicação” pode afectar a liberdade de expressão dos jornalistas.

Francisco Assis adiantou que será apresentada uma proposta onde o PS vai propor que seja ouvidas “várias personalidades do meio académico e jornalístico, pessoas que têm ou uma reflexão ou experiência” neste meio.