Política Deputado do PS assume que injecção na CGD levará défice acima dos 3%

Deputado do PS assume que injecção na CGD levará défice acima dos 3%

Paulo Trigo Pereira admite que é provável que a capitalização da Caixa vai ser incluída no défice português. Contudo, acredita que a Comissão Europeia não vai penalizar o país.
Deputado do PS assume que injecção na CGD levará défice acima dos 3%
Diogo Cavaleiro 08 de março de 2018 às 20:15

A injecção de 3,9 mil milhões de euros públicos na Caixa Geral de Depósitos deverá ser incluída na contabilização do défice orçamental português, segundo admite Paulo Trigo Pereira. A acontecer, não deverá pôr Portugal na lista negra de Bruxelas, de acordo com o deputado socialista. Neste momento, porém, a dúvida sobre se a capitalização vai ao défice persiste.

 

"Provavelmente até irá" ao défice, admitiu Trigo Pereira na reunião desta quinta-feira, 8 de Março, da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, em que foi ouvido o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC).

 

Ainda não há valores finais para o défice de 2017. As previsões oficiais do Governo apontavam para 1,4% do produto interno bruto, sendo que o próprio primeiro-ministro anunciou que ficaria abaixo dessa meta. Com a capitalização da CGD, que segundo o Eurostat totalizaria 2,1% do PIB anual projectado, o défice subiria nesse montante, superando a fasquia dos 3% do PIB.

 

Paulo Trigo Pereira mencionou um défice possível de 3,2% do PIB, "mas a Comissão não vai considerar procedimento por défice excessivo", de onde Portugal saiu no ano passado. Isto porque este é um elemento irrepetível e circunscrito no tempo. "Este Governo até correu alguns riscos", lembrou, dizendo que a opção foi capitalizar a instituição financeira para que voltasse a ganhar força.
 

Houve conversações entre a Comissão Europeia e o gabinete europeu de estatísticas, o Eurostat, para decidir se a capitalização da instituição financeira tem impacto no défice orçamental, sendo que Bruxelas remete a decisão final para o Eurostat. Conforme o Negócios já noticiou em Setembro, o Eurostat defendia que a recapitalização de exactamente 3.944 milhões (injecção, conversão de CoCos e integração da Parcaixa) deveria ser tida em conta no défice de 2017. Em Abril, deverão ser divulgados os dados finais de 2017.

 

Em entrevista ao Negócios na semana passada, o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, remeteu o tema CGD para o Eurostat e mostrou-se optimista com Portugal. "Em termos de trajectória orçamental e ajustamento estrutural, os números que recebi do ministro mostram alguma melhoria. Provavelmente, em Maio vamos ver também algumas previsões orçamentais melhores do que vimos nas previsões de Outono", declarou.

 




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comentários mais recentes
Baixar os ordenados pronográficos. 09.03.2018

Os administradores levam tudo,não se justifica ordenados escandalosos a sugar os contribuintes.

JCG 09.03.2018

Outra coisa seria injeção de K como investimento puro, ou seja, para expansão do negócio e ou modernização c/ acréscimo significativo de eficiência produtiva. Mas nada disso está neste processo, antes, pelo contrário. Lamentável o circo montado com gente de Bruxelas a dar baile ao pato portuga

JCG 09.03.2018

(iii) ou seja, em benefício de interesses de quem negoceia com a CGD, pois essas figurinhas e figurões que foram infiltrados na CGD estão lá para isso. Portanto, K injetado pelo Estado na CGD para cobrir tais eventos é despesa do Estado e acabará a influenciar o défice anual e a dívida pública.

JCG 09.03.2018

afirmou que lhes ofereceu o melhor dos melhores (o Macedo é um mãos largas com o dinheiro dos outros...) - bem assim como as mordomias e privilégios de uma catrefada de amigos que o Macedo tem acoplado na manjedoura da CGD - parasitagem - bem como de perdas de K em negócios contra a CGD


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