Política Europol diz que Daesh estará a planear novos atentados na Europa

Europol diz que Daesh estará a planear novos atentados na Europa

A força policial europeia conclui que o risco de atacantes solitários não diminuiu e a prioridade dos grupos terroristas é atacar locais que provoquem mortes em massa e alvos fáceis como a população civil.
Europol diz que Daesh estará a planear novos atentados na Europa
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 25 de Janeiro de 2016 às 16:27

A Europol e a rede europeia de primeira resposta ao terrorismo consideram que o Daesh (o autoproclamado Estado Islâmico, ou EI) estará a planear e a preparar actualmente mais ataques como os que aconteceram em Paris em Novembro passado.

"É de esperar que o Estado Islâmico e terroristas inspirados pelo Estado Islâmico ou outro grupo terrorista religiosamente inspirado venha a desenvolver um novo ataque terrorista algures na Europa, mas particularmente em França, com o objectivo de causar um número elevado de vítimas entre a população civil", conclui um relatório daquelas entidades, divulgado esta segunda-feira, que também aponta Bélgica como potencial alvo.

De acordo com o documento – que resultou de uma reunião dos Estados-membros da Europol entre 29 de Novembro e 1 de Dezembro perante sinais de possíveis mudanças na operação do Daesh – os ataques de Paris parecem denunciar uma tentativa do EI de tornar global a sua acção "e a possibilidade de ataques contra outros Estados-membros da UE num futuro próximo".

Frisam aquelas entidades que o Daesh terá desenvolvido um comando externo de operações especiais centrado na Síria e que tem a UE e França como alvos, deixando a táctica nas mãos e à consideração dos grupos locais. O risco de atacantes solitários não diminuiu e a prioridade destes grupos não é atacar infra-estruturas, mas sim locais que provoquem mortes em massa, alvos fáceis como a população civil.

O relatório refere a existência de pequenos campos de treino na UE e nos Balcãs e reconhece o papel da internet e das redes sociais na comunicação e aquisição de bens para actividades terroristas, com recurso ao uso de aplicações encriptadas como o WhatsApp, Skype e Viber nas comunicações entre terroristas. Já as fontes de financiamento dos operacionais na União Europeia (UE) são largamente desconhecidas e mesmo a suspeita de uso de bitcoin (moeda virtual) para dissimular transferências não conseguiu ser confirmada pelas autoridades.

A Europol avança ainda que não há provas de que os terroristas que viajam usem sistematicamente as rotas de refugiados para entrarem dissimulados na Europa – aliás, os que actualmente operam na Europa são residentes. Mas alerta que há um "perigo real e iminente" de refugiados muçulmanos sunitas se tornarem vulneráveis à radicalização e alvos preferenciais de recrutamento por extremistas islâmicos.

Os bombistas suicidas vêem-se mais "como heróis do que como mártires religiosos" e a estrutura de formação permite aparentemente aos terroristas levarem a cabo atentados de que a emoção está ausente. Muitos deles desenvolveram problemas mentais antes de se juntarem ao EI [20%] e 80% têm cadastro criminal. Mas não há prova conclusiva de que usem estupefacientes nos ataques.

Além do Daesh, a Europol defende que a Al-Qaeda deve ser considerada como uma ameaça pelo Ocidente.

Os ataques de 13 de Novembro em Paris mataram 130 pessoas e deixaram 352 feridos.

A rede de primeira resposta reúne 56 oficiais de contra-terrorismo de todos os Estados-membros da UE e a Europol e é activada em caso de um grande incidente terrorista na União.




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