Política Feriados colados ao fim-de-semana? Ministro admite. Igreja e CGTP contra

Feriados colados ao fim-de-semana? Ministro admite. Igreja e CGTP contra

O ministro Vieira da Silva admitiu à TSF que colar alguns feriados aos fins-de-semana pode ser uma boa ideia, mas o cenário foi prontamente rejeitado pela CGTP e pela Conferência Episcopal.
Feriados colados ao fim-de-semana? Ministro admite. Igreja e CGTP contra
Bruno Simão
Negócios 25 de maio de 2016 às 09:38

A discussão é antiga mas está longe de reunir consensos. Devem os feriados ser deslocados dos seus dias oficiais e ser colados aos fim-de-semana? Para os patrões sim, para o Governo talvez, mas para a Igreja Católica e a CGTP não é solução.

 

Esta quarta-feira, à TSF, o ministro Vieira da Silva, quando questionado sobre este cenário, veio dizer que não tem uma resposta definitiva, mas que o debate deve ser feito. "Há alguns [feriados] que, pela sua natureza, como os religiosos, ou até alguns civis - como o 1º de maio – que dificilmente seriam considerados noutras datas", diz o ministro, mas há outros para os quais pode valer a pena olhar.

 

Em suma, é um tema que "tem de ser discutido, obviamente, com os parceiros sociais e, a poder avançar-se nesse caminho, a decisão de o fazer ou não deve ser muito deixada à negociação colectiva, porque essa solução pode ser muito interessante para alguns sectores e menos interessante para outros", justificou à TSF.

 

António Saraiva, presidente da CIP, é a favor porque "isso permite optimizações de produção", diz à TSF. O patrão dos patrões exemplifica com a indústria têxtil em que "os equipamentos precisam de atingir determinadas temperaturas".

 

Já a CGTP é contra. Arménio Carlos diz que "os feriados, pelo seu significado político, religioso e cultural devem ter lugar nos dias que estão determinados". Até porque encosta-los ao fim-de-semana "não vai beneficiar a competitividade das empresas".

 

Prudentemente contra é como se posiciona a Igreja Católica. "Numa primeira reacção" à TSF, o porta-voz da Conferência Episcopal, padre Manuel Barbosa argumenta que, "no que toca aos feriados religiosos, não faz sentido "gozá-los noutra data. "O 15 de Agosto é um dia específico, o 1 de Novembro é específico, o Natal naturalmente é a 25 de Dezembro e o Corpo de Deus é sempre a uma quinta-feira. Têm um sentido simbólico do calendário litúrgico". 


Recorde-se que, este ano, os feriados passaram de nove para 13, com a reposição de dois feriados civis e dois religiosos que tinham sido subtraídos pelo anterior Governo. Já o número de dias de férias, que foi reduzido de 25 para 22, ficou inalterado.

No total, 2016 abre a porta para mais dias de descanso e terá 14 feriados, dos quais cinco dão origem a "pontes". Consulte o calendário completo.







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mais votado JCG 25.05.2016

Eu não vejo é qualquer problema em trocar 3 dos 4 feriados que estiverem suspensos por mais 3 dias de férias. O único feriado que eu acho que deve ser preservado é o 1º de Dezembro (restauração da independência nacional).

As vantagens para toda a gente (repito: toda a gente) seriam evidentes:

1º a economia continuava aberta (havendo acréscimo de eficiência económica, quanto mais não fosse pela eliminação de interrupções e perdas de ritmo);

2º os trabalhadores podiam escolher os dias de férias quando bem entendessem, de acordo com as suas necessidades e não ficavam condicionados aos dias de feriado habituais, em que nem podem tratar de assuntos pessoais porque outros serviços também fecham;

3ºindivíduos religiosos militantes podiam marcar os dias de férias para os dias em que querem participar nos rituais das suas religiões; tal como os que acham que devem comemorar o 5 de outubro também podiam marcar férias para esse dia;

4ºcomo os trabalhadores tinham mais dias úteis para tratar dos seus assuntos pessoais, talvez o fizessem menos no horário de expediente e em prejuizo do seu trabalho;

5ºem épocas de veraneio, em vez de o pessoal estar todo em feriado e irem todos para a praia no mesmo dia, pressionando infraestruturas, equipamentos e serviços, haveria uma distribuição mais irregular e mais alisada dos fluxos no tempo (é porreio ir para a praia quando a maior parte do pessoal está a trabalhar);

etc.

comentários mais recentes
Anónimo 26.05.2016

Mas que passem todos para segunda ou sexta, incluindo os que tocam no fim de semana, tipo dia de Pascoa.
Senão passa a ser um engano e de farsa, este povo está cheio.

Anónimo 26.05.2016

Mas que passem todos para segunda ou sexta, incluindo os que tocam no fim de semana, tipo dia de Pascoa.
Senão passa a ser um engano e de farsa, este povo está cheio.

Anónimo 26.05.2016

Aqui ao lado (Espanha) já é assim e não deixaram de ser produtivos por isso. A igreja e a CGTP que comecem é a trabalhar a sério de uma vez por todas.

nb 25.05.2016

Esta gente não vê um palmo à frente dos olhos! Então nos Países onde isso é feito, EUA, Reino Unido, etc., os seus cidadãos são estúpidos?

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