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Esse "é um discurso enganoso, porque a corda já rompeu para muitos portugueses e muitos desempregados, para muitos jovens e muitos reformados e pensionistas, muitos pequenos e médios empresários", afirmou ontem o líder comunista.
Jerónimo falava aos jornalistas na Rua do Arsenal, em Lisboa, durante a manifestação convocada pela CGTP em todas as capitais de distrito do país, depois de questionado sobre o discurso de Passos Coelho na sexta-feira à noite.
Num debate do PSD/Porto, Passos afirmou que “os portugueses devem estar confiantes de que o Governo não exigirá mais do que aquilo que é necessário para que se cumpram os objectivos, sem que a corda, que está esticada, possa vir a partir”.
Para Jerónimo de Sousa, o primeiro-ministro "está a enganar os portugueses, porque a corda já partiu para muitos". "Esta política de brutal austeridade leva aos números que são conhecidos no desemprego, ao número de falências de empresas e à situação dramática de reformados e pensionistas, o que é que é preciso mais para que o senhor primeiro-ministro veja que a corda já partiu?" - questionou.
O secretário-geral comunista disse não compreender as palavras do chefe do Governo: "O que é isso de partir a corda? Partir a corda tem a ver com a vida das pessoas e muitas pessoas hoje não têm futuro e não têm vida, 40% da juventude desempregada? Que corda é essa?".
Na opinião do líder do PCP, Pedro Passos Coelho "não tem ideia da realidade que o país vive", onde "muitos foram atirados para o empobrecimento, muitos que não sabem o que hão-de fazer à sua vida, tendo em conta esta eternização da austeridade". "A corda só não parte na convicção de que é possível uma política diferente, um rumo diferente e não esta eternização da austeridade já ensejada com o corte de quatro mil milhões de euros no futuro próximo", assegurou.
Jerónimo de Sousa considerou ainda que a manifestação da CGTP, que reuniu ontem vários milhares de pessoas em Lisboa, é "uma boa demonstração" para a 'troika', que está prestes a aterrar novamente em Portugal, de que "os trabalhadores e o povo português não estão dispostos a aceitar esta política de caminho para o desastre". "A cada estatística, cada balanço, cada relatório, cada debate quinzenal, estamos sempre pior do que estávamos", observou.
O líder do PCP vincou ainda que o seu partido lutará contra as políticas do Governo "de todas as formas que a Constituição permite".