Política Machete pede desculpas a Angola por investigações judiciais, MP garante autonomia

Machete pede desculpas a Angola por investigações judiciais, MP garante autonomia

O ministro dos Negócios Estrangeiros está envolvido numa nova polémica. Rui Machete pediu desculpas diplomáticas a Angola pelos processos que correm contra altos nomes da diplomacia angolana. A Procuradora não comenta mas refere separação de poderes. O Bloco de Esquerda defende que o governante humilhou o País e questionou o primeiro-ministro. Passos Coelho não respondeu.
Machete pede desculpas a Angola por investigações judiciais, MP garante autonomia
Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 04 de outubro de 2013 às 13:33

Rui Machete pediu desculpas diplomáticas a Angola pelos processos judiciais que correm em Portugal relativamente nomes da diplomacia do país africano. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros terá dito que nada de mal pende nas investigações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou-se a dizer qual o estado dos processos.

 

O “Diário de Notícias” lançou esta sexta-feira a notícia do pedido de desculpas, com base numa entrevista dada por Rui Machete, no início do mês de Setembro, quando esteve em território nacional o ministro das Relações Exteriores de Angola.

 

Na notícia da Rádio Nacional de Angola, foi colocada por escrito a fracção da entrevista em que se dá o pedido de desculpas diplomáticas face às investigações judiciais que Rui Machete diz não controlar. O ministro afirmou que, do que sabe, nada há de negativo no processo. O próprio admitiu que tudo não passa de questões burocráticas.

 

“Tanto quanto sei, não há nada substancialmente digno de relevo, e que permita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos formulários e de coisas burocráticas e, naturalmente, informar às autoridades de Angola pedindo, diplomaticamente, desculpa, por uma coisa que, realmente, não está na nossa mão evitar”, declarou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros à rádio angolana.

 

O gabinete de comunicação do Ministério, questionado pelo “Diário de Notícias” sobre esta entrevista do governante, confirmou que o tema foi abordado, garantindo que a resposta foi dada de forma diplomática.

 

“O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros foi entrevistado pela Rádio Nacional de Angola, no âmbito da visita do Ministro das Relações Exteriores da República de Angola, Georges Rebelo Pinto Chikoti, a Portugal, no início de Setembro. A entrevista centrou-se nos temas debatidos no encontro entre o MENE e MIREC angolano, com destaque para a realização da I Cimeira Portugal-Angola. O tema referido no ‘link’ [notícia da rádio] foi abordado, tendo o ministro respondido de forma diplomática”, indicava a resposta dos Negócios Estrangeiros. O Negócios já questionou o MNE com novas perguntas sobre o tema mas ainda não obteve resposta.

 

PGR garante autonomia

 

Também se espera uma resposta da Procuradoria-Geral da República, que concentra a comunicação dos órgãos judiciais e que não respondeu ao pedido do “DN” para comentar o caso.

 

Em declarações à Antena 1, citadas pelo “Diário Económico”, a procuradora-geral, Joana Marques Vidal, terá dito que não teve “conhecimento oficial” da entrevista dada por Rui Machete.

 

A autonomia do Ministério Público é, contudo, um “princípio fundamental do Estado de direito”, assegurou. Sobre os processos que envolvem nomes da diplomacia angolana, como o procurador-geral, João Maria de Sousa, não adianta pormenores, nomeadamente se já foram arquivados.

 

Passos escusa-se a comentar

 

O tema das palavras de Rui Machete foi levado ao debate quinzenal. Mas foi ignorado. Na parte da sua intervenção, a deputada bloquista Catarina Martins questionou o primeiro-ministro.

 

“Não podemos aceitar que o ministro se ajoelhe, que peça desculpa por Portugal ser um Estado de direito”, disse a coordenadora da força política, acrescentando que este faz parte de um conjunto de factos que “humilham” o País.

 

Catarina Martins deixou a pergunta ao primeiro-ministro sobre o que tinha a dizer sobre isto. Passos Coelho ignorou-a.




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mais votado PASSOS COELHO não pode assobiar para o lado, perante esta situação gravíssima, competindo-lhe demitir o ministro em causa, sendo que, se o não fizer, estará a apoiar o seu acto 04.10.2013

Instado a comentar este desaforo do ministro dos Negócios Estrangeiros, Passos Coelho afirmou que … não tem nada a comentar.
Assim ! Sem mais palavras … como se não tivesse contas a prestar aos Portugueses pelo que se passa dentro do desgoverno que chefia.
Todos conhecemos, de ginjeira, o PM e também que o conduzir-se sem vergonha na cara, no desempenho das suas funções, é para ele como beber um copo com água.

Porém, perante esta situação, dada a sua gravidade, esse senhor não poderá nem irá ter o desplante de passar por ela como cão por vinha vindimada.
Não, porque os Portugueses não lho irão permitir.

E não porque o acto sórdido do dito ministro dos Negócios Estrangeiros, branqueando arguidos angolanos, que estão sob a alçada da justiça no nosso país, com a gravidade de se estar a antepor à justiça portuguesa, ultrapassou tudo quanto seria admissível, visto que o fez, enquanto ministro e em nome do Estado português e porque o seu acto mexe, colide e ofende a natureza de Portugal ser ainda (supostamente) um Estado de Direito e não uma mera quinta privada, onde meia dúzia de amos se poder reservar o direito de fazer o que muito bem lhes apraz, pisando toda a legalidade e ofendendo, por tabela, a dignidade dos cidadãos portugueses.

O dito “ministro” dos Negócios Estrangeiros não tem condições para continuar no seu cargo, pelo que deverá ser destituído das suas funções, se é que ainda há um pingo de dignidade nesta gente, sendo que, se o PM não o demitir, estará a corroborar a ilegalidade abjecta que o senhor Machete se arrogou o direito de assumir.

comentários mais recentes
KWANZAS tambem ja manda 24.10.2013

ESTA AGORA JA NAO SE PODE INVESTIGAR SE FEZ CONTRA A LEI QUE SEJA PENALIZADO.... E VERDADE NAO EXISTE LEI QUANDO A BILHOES €€€€€€€€€€€€ DESDE O SENHOR OBAMA O MUNDO MUDOU

JARANES 07.10.2013

Caro anónimo das 16:33.
A minha utilização do vocábulo "terroristas" tem só e apenas uma razão histórica.
Era assim que os combatentes pela dita independência eram designados; tal como os metropolitanos por eles eram designados por colonos.
Não vejo nada de anormal na utilização do vocábulo.
Não posso, todavia, deixar de questioná-lo sobre se acha mais legitimo que os terroristas lutassem pela independência ou que os metropolitanos lutassem pela defesa dos territórios por si descobertos?
A mim parecem-me ambas justificáveis, embora apenas a que defendo me pareça legítima.
Tanto mais legítima quanto está á vista no que deu a independência que refere.
De facto a independência que refere é tão só a legitimação da ocupação do poder por meia dúzia que exploram a riqueza do território a seu favor, mantendo o povo na miséria, ao ponto de, como diz, se ouvir em Angola que no tempo do colono estavam melhor de todos os pontos de vista.
Isto não o faz pensar sobre a legitimidade da dita luta pela independência?
Sabe este mesmo problema se põe em Portual, onde o mesmo movimento (MFA) que atribuiu a independência terá "libertado" o povo português da ditadura.
Aqui, como em Angola, o que se verifica é que o poder foi acupado por uma casta de políticos para dele se servirem e se apropriarem do erário público.
Claro eu estou do lado que defendo. De que lado está o amigo?
Já agora, se acha que os metropolitanos ocuparam África, e que essa era a terra dos africanos por dela serem naturais questiono o amigo:
Saberá que se considera ser África o berço da humanidade. Se assim é os metropolitanos são tão naturais de África quanto os demais. Trata-se de um puro regresso a casa.

Dá que pensar... 05.10.2013

Este tema dá que pensar por várias razões:
1. Porque disse Rui Machete o que disse, se não tem informações da PGR sobre o processo? (será que não tem mesmo? que outras razões pode ter para dizer o que disse? será que no final do processo vai mesmo ter razão?)
2. Porque razão veio o Diário de Noticias (sabem a quem pertence, não sabem?) trazer a lume estas declarações só 1 mês depois de proferidas? (é estranho, não é?)
3. Quem é que ficou efectivamente surpreendido com o tema da corrupção de "altos nomes da diplomacia angolana"?

donnisinnod 05.10.2013

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