Política Mariana Mortágua: défice nos 2,5% prejudica a economia

Mariana Mortágua: défice nos 2,5% prejudica a economia

Em entrevista à Antena 1, a deputada do Bloco de Esquerda deixa críticas ao Tratado Orçamental e lembra que o partido continua a defender a reestruturação da dívida pública. Deixa também recados ao PCP.
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Negócios 29 de setembro de 2016 às 09:28

"Os limites ao défice, neste momento, são contra produtivos do ponto de vista económico", afirmou Mariana Mortágua, acrescentando que colocar o défice nos 2,5% (ou abaixo) "prejudica a economia". "Sempre o dissemos e continuamos a dizê-lo."

 

Para o Bloco de Esquerda, o Tratado Orçamental "é uma aberração jurídica que não devia existir" e seria "importantíssimo" reestruturar a dívida pública, de forma a ganhar alguma folga na gestão das contas públicas. E o que diriam as instituições europeias? A deputada conclui que o "autoritarismo" de Bruxelas "está a levar a Europa a um caminho de estagnação e incapacidade de responder às necessidades das suas populações, que não é sustentável no médio prazo".

 

Durante a entrevista à Antena 1, Mariana Mortágua deixou também algumas críticas e recados ao PCP. Considera que "seria mais produtivo os partidos sentarem-se todos à mesma mesa" e negociarem as medidas em colectivo". Recorde-se que o PCP não quis entrar nos grupos de trabalho com BE e PS, preferindo continuar a negociar bilateralmente com os socialistas.

 

O último momento de tensão entre comunistas e bloquistas ocorreu depois de ter sido noticiado o novo imposto sobre património imobiliário. A notícia foi dada pelo Negócios, mas Mariana Mortágua acabou por recolher o protagonismo da medida. João Oliveira, líder da bancada parlamentar do PCP, escreveu um artigo para o Avante com uma crítica à forma como o BE comunicou o imposto, dizendo que na actual solução governativa, alguns partidos andam "a juntar com o bico" e outros a "espalhar com as patas".

 

A bloquista responde agora, questionando a falta de apoio dos comunistas perante o ataque dos partidos à direita. "No meio do ataque da direita contra uma medida que é de justiça fiscal e de redistribuição da riqueza importantíssima, se o líder parlamentar do PCP escolhe criticar quem está a defender a medida em vez de se juntar e defender uma medida tão justa, penso que faz mal", sublinhou. "Até porque eu sei que o PCP defende a medida e ela faz parte do seu programa."

A deputada do Bloco de Esquerda, esclarece (ver vídeo, cortesia Antena1) os moldes em que será aplicado o novo imposto sobre o património imobiliário. Mariana Mortágua lembra que uma casa com um valor patrimonial de 1,2 milhões de euros terá um valor de mercado entre os 1,7 e os 2 milhões. "É uma casa que, do ponto de vista da fortuna imobiliária, é uma fortuna milionária. E será taxada no remanescente face ao limite que seja estabelecido", afirmou à Antena 1. Um contribuinte até pode ter quatro casas que, no seu conjunto, não atingem esse limite.

"Uma outra pessoa pode ter uma casa que vale 1,2 milhões em valor patrimonial tributário [abaixo do valor de mercado] e portanto paga o remanescente quanto ao limite", acrescenta. Isto é, nesse exemplo, se o limite for um milhão, o imposto irá aplicar-se apenas aos 200 mil euros. "A isenção é por valor."




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mais votado surpreso 29.09.2016

Essa gaja tem bom corpo para lavar escadas,em vez de falar do que não sabe.Perceberá ela,que Portugal deixou de ter moeda,em 2002?

comentários mais recentes
Anónimo 30.09.2016


FP 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES DO PRIVADO

Diz-se, recorrentemente, que o regime de repartição está legitimado por um contrato social assente na solidariedade entre gerações: os atuais ativos suportam os encargos com as pensões dos seus pais no pressuposto que um dia os seus filhos façam o mesmo.

Aparentemente, esta lógica não está corretamente interiorizada pelos cidadãos, que contrapõem sistematicamente à perspetiva de redução de benefícios em pagamento o argumento dos direitos adquiridos com os seus descontos.

Essa realidade não existe.

A verdade, e é preciso enfrentá-la, é que o equilíbrio da repartição de benefícios e sacrifícios entre gerações está comprometido, dada a cada vez menor capacidade económica dos cada vez menos ativos suportarem as cada vez mais numerosas e onerosas pensões.

Anónimo 30.09.2016


PRINCÍPIO DA CONFIANÇA

Uma leitura cega do princípio da confiança implica, nos dias que correm, violar outros princípios: a justiça e a equidade inter-geracional.

Coloquem-se na pele de um trabalhador no activo: por que razão deve aceitar pagar pensões elevadas quando no seu tempo terá, na melhor das hipóteses, apenas uma reforma de sobrevivência?

Porque deve aceitar hoje sacrifícios extra, quando os pensionistas recusam toda e qualquer mudança?

Os pensionistas representam uma das camadas mais vulneráveis da população e, por isso, devem ser protegidos.
Porém, não são uma realidade homogénea.

Há pensionista que podem e devem dar um contributo mais significativo para ajudar a ultrapassar a crise financeira e económica.

É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA E MORAL.

SOUDAQUI 30.09.2016

POIS PREJUDICA. Devia ser superavit com cortes nas despesas.

Gatunos 30.09.2016

Esta menina criminosa, gatuna e imbecil quer fazer o mesmo que o super gatuno militar comunista primeiro ministro Vasco Gonçalves em 1975, , que acabou com os ricos em Portugal, nacionalizado tudo e todos sem pagar um cêntimo de indemnizações, depois foi o que se sabe, em 1976 Portugal já estava na bancarrota e em 1978 o socialista Mario Soares travestido de comunista chamou o FMI.

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