Economia "Geração à rasca" leva 300 mil manifestantes à Avenida da Liberdade

"Geração à rasca" leva 300 mil manifestantes à Avenida da Liberdade

Organização fala em 300 mil manifestantes em Lisboa, polícia aponta para 200 mil. Ainda será cedo para fazer balanços, mas quem está na rua diz não se lembrar de tanta gente junta na Avenida da Liberdade em muitos anos. "Sócrates aceita a demissão" ou "Senhor Presidente dissolva o Parlamento" são das ideias que mais geram consenso.
A Avenida da Liberdade esteve cheia de uma ponta à outra durante várias horas, como não é vulgar noutras manifestações. Aliás, ainda falta vários milhares de manifestantes chegarem aos Restauradores.

O número avançado pela polícia é equivalente ao número de professores que se manifestaram o ano passado, também na Avenida da Liberdade. Quem está no terreno diz que a "Geração à rasca" está a ter uma adesão muito superior.

Membros da organização falam em 300 mil pessoas.

A quantidade de manisfestantes é tanta, que as telecomunicações estiveram por diversas vezes com problemas. Fonte oficial de uma operadora de telecomunicações questionada sobre a dificuldade de acesso à rede de telecomunicações durante a manifestação: “Não há registo de avarias. É natural que dado o anormal fluxo de concentração de pessoas na zona da Avenida da Liberdade que possa ter existido congestionamento da rede móvel em determinados momentos.”

No Porto, o encontro que juntou os manifestantes na Praça da Batalha, fez com que se tornasse, por momentos, e em algumas zonas, quase impossível movimentar-se, tal era o número de manifestantes.

Relatos apontam para 500 manifestantes em Coimbra e 150 em Ponta Delgada.

Faro terá recebido a maior manifestação de sempre naquela cidade. 6.000 é número avançado pela polícia.

"Senhor Presidente, em nome dos pobres, dos jovens, dos idosos e da nação, dissolva o Parlamento!", é um dos slogans que impera no Porto. "Sócrates cabrão, aceita a demissão", grita-se em Lisboa. Os slogans são imensos: "Nunca pagámos tanto por tão pouco". "Economia é a tua tia". "Com a precaridade não há liberdade". "Revolução dos (es)cravos". "Deixa passar, deixa passar, que o mundo vai mudar". "Todos à rasca homens e animais".

Os manifestantes acreditam que o que hoje se viveu em Portugal poderá espalhar-se pela Europa. Num protesto onde se ouviu "Eu não votei na Merkel".

E os manifestantes não são apenas jovens que a protestar contra as actuais condições laborais. Avós, país, filhos e netos juntaram-se na manifestação que marca o dia. Os protestos focaram-se em várias questões. Trabalho, reformas e até lei do arrendamento. Foi uma manifestação intergeracional com país a manifestarem-se pelos filhos e filhos a protestarem pelos país.







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pedrovozone 15.03.2011

Ha solução para tudo isto, mas não vai ser nada rápido nem fácil. Provavelmente o que mais justifica os baixíssimos ordenados que os jovens ganham e o facto de muitos deles terem tirado cursos onde a oferta já era maior que a procura. A primeira solução disto e das ordens serem obrigadas a limitar o numero de entradas, e por conseguinte, as universidades terem também de limitar o numero de vagas para profissões como Arquitectura, Direito, Marketing, e tantas outras cheias de licenciados se emprego.
O segundo passo e de consciencializar os estudantes que tem de escolher a área o que essa escolha vai acarretar; estatísticas como % de desemprego por curso, ordenado inicial e ao fim de 5 anos n por profissão, rácio de formados em determinada área pelo numero de abertas de empregos, etc...
Passaram-se demasiados anos em que os políticos achavam que na educação, o que era preciso era aumentar o numero de formados, sejam em que área fossem. Seguindo a lógica, os mais baratos são Arquitectos, Advogados, e Gestores, já que só precisam de professores a leccionar e salas de aula, quando Medicina e Engenharia precisam de muitos mais, e isso sai caro.
Precisamos de passar para uma fase "inteligente". Pedem aos alunos para decidir com 14/15 anos para que área vão, e não dão qualquer espécie de informação que lhes ajude a perceber. Obviamente, os primeiros a pensar nisso deveriam ser os pais, mas podia ser o Ministério de Educação a guiar esta acção. Sem esta informação, os alunos tipicamente vai para a área que lhes parece dar menos trabalho, ou seja, tudo menos Ciências e Matemáticas.
So com formados nas áreas com mais procura e que as pessoas passam a ter ordenados mais altos. Caso contrario, qual e o incentivo para aumentar um trabalhador, se existem mais 3 no mercado de trabalho que aceitem receber menos?

csnel 14.03.2011

Acabou a papa doçe! (Portugal esteve sempre e ainda esta muito melhor em condições para viver de que muitos países grandes da zona Euro)

Criticam este governo, mas deviam criticar todos os governos (PSD) dos ultimos dois decedas!

Agora este governo pos um fim a desperdicios!
E os mimados estão a criticar, mas querem Alemanha e FMI, por que dizem quem pague pode decidir.
Agora Alemanha e o governo decidiram e outra vez não estão bem??? Com o FMI vem ainda mais cortes, querem mais?

MIMADOS!

aamb 14.03.2011

Para o sr "Cavalheiro7 " e seguidores, que vêm sempre para aqui sempre com os mesmos comentarios que quem nao tem emprego é quem nao tirou um curso "decente" e numa boa faculdade e quem nao se esforca, queria dizer so o seguinte, esse tempo já era. Houve uma altura em que quem nao conseguia emprego eram precisamente esses jovens, que tiraram cursos que nem eles sabiam o que eram somente para dizer que eram doutores. MAs a realidade dos nossos dias é bem diferente. Vejam o exemplo da area da saude, em que antigamente , tirar um curso nessa area era certeza de emprego e nos nossos dias, nao o é...portanto, esta manifestacao não é mais do que a globalizacao da precariedade a todos os niveis...hoje em dia, tenha tirado um bom curso ou nao, numa boa faculdade ou nao, ja nao e certeza de emprego..conheco muito boa gente (em que me incluo) que se esforcou para tirar um bom curso numa boa faculdade, que se esforca no emprego e no entanto,nao consegue efectividade e por conseguinte, nao consegue constituir familia nem ter estabilidade profissional nem pessoal...o sr de certo que nao sabe o que é ter 30 anos e depender ainda economicamente dos pais.E quem nao entende, é porque está bem e nunca teve que passar por isto...só quem está a passar por isto neste momento é que entende os jovens deste país..todos os que criticam são os que estao de bem na vida, ou por cunhas ou porque entraram no mercado de trabalho ha muito tempo...hoje em dia, quem nao tem cunhas , nao consegue estabilidade profissional,em nenhum lado deste país

Cavalheiro7 13.03.2011

Esta foi a manifestação mais reaccionária que Portugal viu nas últimas três décadas. Meninos a puxarem pelos seus galões de DêErre e a encherem a boca com a palavra "direitos".
Meus meninos, ninguém tem obrigação de vos dar emprego. Emprego, e especialmente o estável, é algo que se conquista. Não é algo que se dá a recém-licenciados sem experiência e com parcos conhecimentos.

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