Presidenciais Costa apela a mobilização em torno de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém

Costa apela a mobilização em torno de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém

António Costa apelou à mobilização dos socialistas em torno das candidaturas presidenciais de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. Já o presidente do PS, Carlos César, mostrou apoio a Sampaio da Nóvoa.
Costa apela a mobilização em torno de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 09 de Janeiro de 2016 às 16:04

O secretário-geral do PS, António Costa, apelou este sábado, 9 de Janeiro, à mobilização dos socialistas em torno das candidaturas presidenciais de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém e equiparou a primeira volta das eleições a umas primárias da esquerda portuguesa.

António Costa falava no discurso de abertura da Comissão Nacional do PS, ocasião em que reiterou a defesa da ausência de um candidato oficial por parte do seu partido, mas em que também frisou que "é dever dos militantes e simpatizantes socialistas de se bater" por uma das candidaturas da área do PS: Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém.

O líder socialista considerou que a primeira volta das eleições presidenciais será uma espécie "de eleições primárias da esquerda portuguesa" e caso haja segunda volta - passe a esta fase Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém - "terá de haver concentração de votos" num deles.

Na sua intervenção, o também primeiro-ministro voltou a não dar qualquer sinal de apoio a um dos candidatos em disputa e reiterou a tese de que o PS "tem a velha tradição de respeitar a natureza própria da função presidencial", razão pela qual "nunca apresentou um candidato oficial".

No entanto, logo a seguir, Costa ressalvou que, para o PS, as presidenciais "não são eleições irrelevantes ou indiferentes para o futuro do país".

"Por isso, lançamos um apelo muito vivo para que todos se mobilizem e participem activamente na campanha eleitoral e, sobretudo, para que votem no próximo dia 24. Como sabemos, há essencialmente dois candidatos relevantes da nossa área política e o PS entendeu que, nesta primeira volta, não deveria apoiar oficialmente nem Maria de Belém nem Sampaio da Nóvoa, mas os socialistas têm feito as suas escolhas", referiu.

António Costa reafirmou neste contexto que, como secretário-geral do PS, não apoiará qualquer dos dois candidatos na primeira volta, mas frisou em seguida ser "importantíssimo" que nesta primeira volta das presidenciais "se criem condições para que à segunda volta o candidato apoiado pelo PS possa vir a ser eleito Presidente da República".

"Esta primeira volta deve servir verdadeiramente como as eleições primárias da esquerda portuguesa e na segunda volta é absolutamente fundamental uma convergência de todos os votos para eleição de Maria de Belém ou de Sampaio da Nóvoa, conforme aquele que passe à segunda volta", defendeu.

No seu discurso o secretário-geral do PS procurou também salientar a importância da questão presidencial para o futuro do país, advogando então que a figura do chefe de Estado dever ser "representativa do conjunto dos cidadãos e que a sua essencialidade só se sente e verifica nos momentos de crise".

Numa série de críticas implícitas a Cavaco Silva, o líder socialista pediu a todos dos membros da Comissão Nacional do PS para que fizessem o exercício de imaginar "como teria sido importante nestes últimos quatro anos, em que os portugueses sofreram uma crise tão profunda, poderem ter contado com um Presidente da República que lhes desse animo, carinho, esperança, confiança no futuro e que lhes fosse próximo".

"Como teria sido importante nestes anos, em que houve tantas clivagens e confrontações políticas, um Presidente da República capaz de unir, de promover o diálogo político e social. Como teria sido importante que houvesse um Presidente da República que soubesse que a sua primeira missão era fazer cumprir a Constituição, porque só assim se garante o valor fundamental do Estado de Direito", afirmou, recebendo então muitas palmas da plateia.

Ainda no mesmo tom crítico, o secretário-geral do PS pegou nos casos das últimas privatização feitas pelo anterior Governo.

"Como teria sido importante ter um Presidente da República que impedisse uma maioria conjuntural de abusar da sua situação e de em plena campanha eleitoral, ou mesmo já depois de demitida, ter tomado medidas que comprometem duramente o futuro dos portugueses, tal como o anterior Governo teve a desfaçatez de fazer ao assinar um contrato de privatização da TAP", apontou, antes de tirar uma conclusão de caráter político. "É isto que temos de ter bem presente. Não é indiferente saber quem é o Presidente da República. Por isso, ninguém pode andar distraído nas próximas semanas sobre as eleições presidenciais", acrescentou.

Já o presidente do PS, Carlos César, manifestou, à entrada da Comissão Nacional, o seu apoio pessoal à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, considerando que tem a "distância útil" e a "proximidade política e estratégica mais conveniente" para os socialistas.


"Creio que a candidatura de Sampaio da Nóvoa tem a distância partidária útil e suficiente, e a proximidade política e estratégica com o PS mais conveniente para um voto consciente de um socialista em Portugal", declarou Carlos César à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS.

Carlos César caracterizou também como "ajuizada" a opção oficial do PS de conceder liberdade de voto aos seus militantes nas eleições para a Presidência da República, alegando que há dois candidatos em disputa provenientes da área socialista: o ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa e a antiga ministra da Saúde Maria de Belém.

Confrontado com as críticas feitas pelo ex-primeiro-ministro e ex-líder socialista José Sócrates ao facto de o PS não ter dado qualquer apoio oficial a um candidato presidencial, o presidente dos socialistas disse desconhecer essa posição, mas demarcou-se. "Não creio que isso seja correcto. O PS fez e faz muito bem em não ter uma posição oficial de apoio a qualquer dos candidatos. Cada um dos socialistas fará muito bem em não se esquecer de votar nesta eleição presidencial e em ter a sua opção própria", contrapôs.

Em defesa da posição de não apoio oficial do PS a nenhum dos candidatos presidenciais em disputa, o líder da bancada socialista alegou que "estas eleições presidenciais têm uma tipicidade própria".

"Estamos perante candidaturas que derivam da vontade própria de cada um dos candidatos e o voto também deve ter correspondência individual. Estamos perante uma eleição em que o factor mais importante a ponderar não são os apoios partidários, mas os apoios dos eleitores e a posição de cada uma dos candidatos que não se apresentam em nome de partidos políticos", alegou ainda o presidente do PS.

Carlos César referiu depois que uma das consequências a evitar, havendo mais do que um candidato da área do PS, era uma "fractura" dentro do seu próprio partido. "Não podia ser conduzido um processo fratricida. Nestas circunstâncias, havendo dois candidatos da área do PS, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, penso que é ajuizado deixar aos militantes e aos eleitores do PS a escolha livre", argumentou ainda.

 




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mais votado Anónimo 09.01.2016

É ou não é de catavento pedir que votem neste... ou naquele outro? A direita (agora inventaram esta conversa "direita/esquerda" para parecer um jogo de futebol) não está "raivosa" como diz o ambicioso, a direita teme o que poderá acontecer de novo ao País por via da irresponsabilidade que resulta de fazer o que for preciso para se ir aguentando 1.º Ministro. Esse é que é o problema; raivoso é Santos Silva, será de direita?!

comentários mais recentes
Costa 11.01.2016

És um filho da p ... t a , cusssta fizeste cair o Banif, entalas-te muita gente

Anónimo 10.01.2016

Ao catavento tanto lhe faz que seja mais ao centro ou mais à esquerda, desde que não fique ainda mais comprometida a sua frágil legitimidade. E revela de novo o chico espertismo que até Sócrates já critica. É que se Maria de Belém ganha a Sampaio o homem fica em maus leçóis mesmo dentro do PS.

Anónimo 10.01.2016

Até Sócrates, essa referência, o mandou definir-se. Mas o esperto, no seu habitual registo, diz que é dos dois, não vá perceber-se que nem dentro do PS tem a maioria.

genio2 10.01.2016

Vamos ver uma coisa Sº Primata!... posso votar na Pata choca e no Nódoa ao mesmo tempo?

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