Previsões do BCE apontam para inflação inferior a 1,5% até 2015
05 Dezembro 2013, 15:54 por Rui Peres Jorge | rpjorge@negocios.pt
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Inflação elevada na Zona Euro ajudaria o ajustamento português, mas BCE não antecipa que tal aconteça nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo afasta cenários de deflação.

As previsões trimestrais do “staff” dos bancos centrais da Zona Euro apontam para que a taxa de inflação na Zona Euro se mantenha inferior a 1,5% do PIB até 2015, abaixo da definição de estabilidade de preços do BCE entendida como inflação, abaixo, mas perto de 2%.

 

De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira, a taxa de inflação na Zona Euro deverá ser de 1,4% em 2013, 1,1% em 2014 e 1,3% em 2015. Estes valores revêem em baixa em 0,1 e 0,2 pontos percentuais as anteriores projecções de Setembro para 2013 e 2014, respectivamente. A primeira projecção para 2015 revela que não se prevê qualquer aceleração do aumento de preços na Zona Euro pelo menos nos próximos dois anos e essa foi uma das principais novidades. 

 

A “inflação baixa por um longo período de tempo” como descreveu Mario Draghi, resulta de uma esperada queda no preço da energia, da apreciação passada do euro e de uma recuperação económica que será muito lenta, explicam os técnicos responsáveis pelas previsões.

 

As projecções do “staff” dos bancos centrais da Zona Euro apontam para uma “recuperação gradual” com uma queda de 0,4% da economia da região este ano, e crescimentos de 1,1% e 1,5% em 2014 e 2015, respectivamente. O valor do próximo ano foi revisto em alta em uma décima face à previsão de Setembro.

 

Sobre este cenário Mario Draghi considerou que os riscos são “negativos”, referindo como principais ameaças possíveis agravamentos das condições financeiras e económicas internacionais, a evolução dos preços de matérias primas, crescimentos inferiores das exportações e procura interna e ainda a implementação insuficiente de reformas estruturais.

 

Mais inflação ajudava o Sul

 

O presidente do BCE reconheceu que uma taxa de inflação mais elevada na Zona Euro ajudaria ao ajustamento na periferia europeia, e diz que está pronto a actuar caso as expectativas de inflação no médio prazo deixem de estar ancoradas nos 2%. Por enquanto, garante, está tudo sob controlo e por isso os governadores do BCE decidiram manter a taxa de juro central nos 0,25% e não avançar com qualquer outra medida de estímulo monetário.

 

“Actuámos [em Novembro] porque as perspectivas são de inflação baixa e como consequência isso torna o ajustamento de preços relativos entre países mais difícil”, afirmou Mario Draghi, respondendo se considerava adequada uma taxa de inflação média da Zona Euro em torno dos 1,5% nos próximos anos.

 

O sucesso dos processos de desvalorização interna na chamada periferia europeia dependem em grande medida do resto da Zona Euro registar uma inflação mais elevada. Só assim se garantem ganhos de competitividade-preço nos países do Sul, explicou o presidente do BCE.

 

“Nós estamos muito cientes dos riscos negativos de taxa de inflação baixas por um longo período de tempo e é por isso que estamos prontos a actuar”, afirmou ainda Mario Draghi, deixando a porta aberta a novas medidas por parte do banco central em 2014.

 

Questionado sobre o risco de deflação na Europa e a comparação com o caso japonês, o presidente do BCE afastou esse risco, pelo menos por enquanto, sublinhando que “a situação na Zona Euro é muito diferente do Japão nos anos 90”.

 

* jornalista em Frankfurt

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