Saúde Laboratório Militar garante "flexibilidade" para produzir canábis medicinal

Laboratório Militar garante "flexibilidade" para produzir canábis medicinal

A instituição do Exército está disponível para ajudar a reduzir o preço e assegurar a qualidade das preparações da planta para uso medicinal, como previsto na legislação aprovada pelo Parlamento.
Laboratório Militar garante "flexibilidade" para produzir canábis medicinal
Reuters
António Larguesa 06 de agosto de 2018 às 10:20

O Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos, que já assegura a produção de metadona e de vários medicamentos, vai contribuir também para a produção de canábis medicinal, com o objectivo de reduzir o preço e assegurar a qualidade das preparações daquela planta.

 

A participação deste organismo do Exército está prevista no diploma aprovado em Junho pela Assembleia da República e promulgado pelo Presidente da República a 10 de Julho, embora Marcelo tenha prevenido para os "riscos de inconstitucionalidade" no caso de implicar "despesa não acolhida" no Orçamento do Estado para este ano.

 

"O Laboratório Militar é caracterizado pela sua flexibilidade e, como tal, ajustar-se-á ao que for determinado", assegurou ao JN fonte oficial desta instituição, relativamente à intervenção prevista e que acabou por avançar durante o processo legislativo no Parlamento por proposta do PCP.

 

No sector privado, a empresa canadiana Tilray, que se dedica à investigação e produção de canábis medicinal, anunciou na semana passada que pretende recrutar até ao final deste ano cerca de uma centena de trabalhadores para a sua unidade de produção em Cantanhede, no distrito de Coimbra, na qual prevê investir 20 milhões de euros até 2020.

 

Farmacêuticos com dúvidas

 

A nova lei, que teve na origem projectos do Bloco de Esquerda e do PAN (Pessoas-Animais-Natureza (PAN) estipula que deve ser um médico a prescrever este tipo de medicamentos ou preparações à base da planta da canábis, em que são consideradas substâncias que vão desde os óleos até à flor desidratada, mas só se outras terapêuticas convencionais tiverem efeitos adversos ou indesejados.

 

Numa apresentação de argumentos na comissão parlamentar de Saúde, a Ordem dos Farmacêuticos chegou a manifestar a sua preocupação relativamente à utilização da planta da canábis para fins medicinais, "uma vez que não existe evidência científica que comprove a eficácia e segurança do seu uso". "Por outro lado, existem evidências robustas que demonstram a existência de problemas de segurança e potencial toxicológico", contrapunha esse mesmo parecer.




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