Saúde Preço das taxas moderadoras impediu cinco milhões de consultas e atendimentos (act.)

Preço das taxas moderadoras impediu cinco milhões de consultas e atendimentos (act.)

Apesar da redução do recurso aos serviços de saúde revelado pelo estudo da Nova, o SNS diz ter registado um aumento da actividade. Já o acesso aos medicamentos melhorou ligeiramente entre 2014 e 2015.
Preço das taxas moderadoras impediu cinco milhões de consultas e atendimentos (act.)
Negócios 08 de março de 2016 às 10:08

O valor das taxas moderadoras afastou no ano passado 15% dos pacientes das urgências hospitalares e de outros serviços de saúde, levando a que não fossem realizados um total de cerca de cinco milhões de atendimentos e consultas.


Os dados constam de um estudo da Universidade Nova citado pela TSF esta terça-feira, 8 de Março, que conclui que o custo das taxas de acesso aos cuidados de saúde limitou o seu recurso àqueles serviços.


De acordo com o documento, quase 9% dos portugueses apontam o valor elevado das taxas para não terem ido a consultas de clínica geral ou de especialidade e 5% não realizaram exames diagnósticos pela mesma razão, a somar aos 15% que evitaram a deslocação às urgências.

No total, e devido ao menor recurso por parte dos utentes motivado pelo factor preço, acabaram por não se realizar quatro milhões de consultas de cuidados primários e em hospitais e as urgências não fizeram mais de um milhão de atendimentos, acrescenta o estudo.


Apesar deste comportamento, refere a TSF, o Serviço Nacional de Saúde até verificou um aumento ligeiro na actividade no ano que passou. Já o número de pessoas que evitou comprar medicamentos devido ao preço reduziu-se ligeiramente entre 2014 e 2015 – no ano passado 14,2% dos portugueses evitaram ir à farmácia por esta razão.

Ministro promete poupança de 22% a 24% já este ano

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, avançou esta terça-feira que as taxas moderadoras vão cair entre 22% e 24% em 2016, não apenas por via da redução como da isenção do pagamento para doentes referenciados através da Linha Saúde 24.

O valor é uma ligeira revisão em baixa em relação ao apontado pelo mesmo governante a 27 de Janeiro: estimava então que a poupança se cifrasse nos 25%.

Em declarações no final da sua intervenção numa conferência em Lisboa, o ministro assegurou que as medidas tendentes à redução das taxas entrarão em vigor com o Orçamento do Estado para 2016.

Todos os utentes que sejam referenciados pela Linha de Saúde 24 e pelo INEM deverão ficar isentos de taxas nos centros de saúde e nas urgências e a primeira consulta de especialidade hospitalar também passa a ser gratuita quando o utente é referenciado pelo médico do centro de saúde.

Em Janeiro, no Parlamento, o ministro estimava que o sistema pudesse poupar 48 milhões de euros se conseguisse reduzir em 10% os seis milhões de urgências hospitalares anuais por via da aplicação de taxas moderadoras.

(notícia actualizada às 12:45 com estimativas de poupança apontadas pelo ministro da Saúde)




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