Saúde PS de Bragança acusa Governo de querer encerrar a única maternidade do distrito

PS de Bragança acusa Governo de querer encerrar a única maternidade do distrito

O presidente da Federação Distrital de Bragança do PS, Jorge Gomes, acusou o Governo de se preparar para encerrar a única maternidade do nordeste transmontano com a nova categorização dos estabelecimentos de saúde.
PS de Bragança acusa Governo de querer encerrar a única maternidade do distrito
Reuters
Lusa 15 de abril de 2014 às 00:14

"Esta classificação erradicará definitivamente novos nativos do nordeste, uma vez que as maternidades do país se limitariam a Braga, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Vila Real e Viseu", apontou o PS de Bragança, em comunicado divulgado esta segunda-feira.

 

Os socialistas enfatizam que "num simples despacho, o Governo, escudado por covardia ou por ignorante inconsciência de um secretário de Estado põe em causa o direito de se nascer no nordeste transmontano".

 

A denúncia é sustentada, segundo adiantou à Lusa, na portaria 82/2014 de 10 de Abril, que estabelece os critérios para categorizar os serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

 

Se a reorganização agora proposta pelo Governo avançar, a maternidade mais próxima para as grávidas desta região será Vila Real, a mais de 100 quilómetros da maioria da população de Bragança, incluindo de quem vive na capital de distrito.

 

O despacho do Governo enquadra a Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) no grupo I com valência de ginecologia, mas não de obstetrícia, o que acabará com a única maternidade existente no distrito de Bragança e a possibilidade de se realizarem partos nesta região.

 

Segundo dados avançados pelo PS, em 2012 nasceram 550 crianças na maternidade de Bragança e em 2013, 526. O presidente da federação socialista reclama que o "distrito de Bragança não pode ficar de forma nenhuma sem que os casais que pretendam ter os seus filhos na região os possam ter".

 

"Como é que nós vamos criar atractividade com o encerramento de tribunais, com o encerramento de repartições de finanças, com a retirada de valências dos centros de saúde, do hospital, como é que queremos que gente venha para o interior?", questiona Jorge Gomes.

 

A segunda maternidade que existia nesta região foi encerrada, em Setembro de 2006, pelo ministro da Saúde socialista Correia de Campos.

 

O presidente da federação defendeu que o Governo do PS "teve a preocupação de ouvir os autarcas" e de assegurar "uma cobertura geográfica", mantendo a funcionar uma maternidade por distrito, mesmo não cumprindo os critérios, nomeadamente relativamente ao número de partos.

 

"Não houve da parte deste Governo (PSD/CDS-PP) o mínimo de cuidado de conversar com os autarcas do distrito, não houve respeito rigorosamente nenhum nem pela população, nem pelos profissionais de saúde", afirmou.

 

Jorge Gomes lembrou ainda que "Bragança é um dos distritos maiores em área do país e as distâncias já são bastante grandes" da maior parte da população até à maternidade localizada em Bragança.

 

O dirigente socialista teme ainda que o encerramento da obstetrícia dite o fim de outras especialidades associadas por falta de procura.




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mais votado sa 15.04.2014

Este país centralizado em Lisboa, onde tudo o que se lê, vê e ouve é emitido desde a Capital só podia dar no encerramento do país, aos poucos. Tudo que é jornal, revista, tv ou rádio nacional é de Lisboa, encerrando rádios locais e a ausencia de tv´s nacionais fora da Capital leva a que este país esteja um deserto. O mais triste é ver lisboetas contentes por saberem disso, olharem para o país de uma forma ignorante, de forma provinciana. Pobre pais este centralista.

comentários mais recentes
Castos ou homos 21.04.2014

Ó Bragantinos, f o r n i c a i, carago!

sa 15.04.2014

Este país centralizado em Lisboa, onde tudo o que se lê, vê e ouve é emitido desde a Capital só podia dar no encerramento do país, aos poucos. Tudo que é jornal, revista, tv ou rádio nacional é de Lisboa, encerrando rádios locais e a ausencia de tv´s nacionais fora da Capital leva a que este país esteja um deserto. O mais triste é ver lisboetas contentes por saberem disso, olharem para o país de uma forma ignorante, de forma provinciana. Pobre pais este centralista.

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