Saúde Zika: EUA reportam primeira transmissão do vírus alegadamente por via sexual

Zika: EUA reportam primeira transmissão do vírus alegadamente por via sexual

O primeiro caso de transmissão do vírus zika nos EUA foi reportado esta terça-feira no Texas pelas autoridades de saúde locais, segundo as quais a pessoa infectada terá sido provavelmente contaminada através de relações sexuais.
Zika: EUA reportam primeira transmissão do vírus alegadamente por via sexual
Reuters
Inês F. Alves 03 de fevereiro de 2016 às 10:45

Um dia depois da Organização Mundial de Saúde declarar o vírus zika uma emergência mundial, as autoridades de saúde do Texas reportaram o primeiro caso de contaminação com o vírus nos EUA que, acreditam, terá sido transmitido sexualmente, escreve a Reuters.

A possibilidade de o vírus ser sexualmente transmissível já tinha sido avançada, aumentando o temor da propagação, mas a Organização de Saúde Pan-Americana disse que eram necessárias mais informações para confirmar esta informação.

Até ao momento, sabe-se ao certo que o vírus é passado aos humanos através da picada de mosquitos infectados. Estão ainda em estudo outras formas de transmissão, não só por via sexual, como por via transplacentária ou durante o parto, ou através de transfusões de sangue e derivados. 

O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA confirmaram que este foi o primeiro caso de contaminação de uma pessoa que não viajou para nenhum país que esteja actualmente afectado pela epidemia, escreve a agência.

Apesar de ainda estar por apurar ao certo com o vírus foi transmitido, depois deste caso, a autoridade aconselhou os homens que viajaram para zonas afectadas a usar preservativos quando tiverem relações sexuais. As mulheres grávidas, por sua vez, devem mesmo evitar ter relações sexuais com pessoas expostas ao vírus.

Menos cauteloso nas suas conclusões, o Departamento de Saúde de Dallas, no Texas, informou em comunicado e através da rede social Twitter que a pessoa em infectada foi contaminada depois de ter relações sexual com alguém que tinha viajado para a Venezuela.

O Departamento de Saúde do Texas assumiu que "os detalhes [do caso] estão a ser avaliados, mas a possibilidade de transmissão sexual de uma pessoa infectada para uma pessoa não infectada é provavelmente o caso", escreve a Reuters.

As autoridades informaram ainda que não foram relatados casos de pessoas infectadas através de picadas de mosquito no Texas, escreve a Reuters.

Entrevistada pela Lusa esta quarta-feira, a subdiretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considerou não haver "motivos para preocupações adicionais" na sequência da confirmação pelos EUA de casos de transmissão do vírus Zika por via sexual.

"O vírus já tinha sido identificado nos EUA. Agora, as autoridades confirmaram que foi detetado o vírus no sémen de dois homens, mas isso comparado com os milhares de pessoas que são infetadas pela via do mosquito é muito diferente. O risco de transmissão é reduzido. Obviamente, se continuarem a detetar-se mais casos tem de fazer mais investigação e mais estudos", salientou.


Por causa da epidemia do vírus zika, os ministros da Saúde do Mercosul, mercado comum do continente sul-americano, o mais afectado pelo vírus, vão reunir-se esta quarta-feira para avaliar a situação epidemiológica em relação a doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.


O Brasil é o país mais atingido pela epidemia, com 1,5 milhões de casos, escreve a Lusa. O vírus zika está associado a complicações neurológicas e malformações em fetos.


Por todo o mundo, várias farmacêuticas e centros de investigação estão a avançar ou a preparar ensaios para chegar a uma possível vacina. Há ainda instituições a trabalhar no combate à doença com recurso a mosquitos genéticamente modificados.


No que diz respeito a uma possível vacina, Graça Freitas disse que existem várias hipóteses: no Canadá e num consórcio entre Brasil e EUA.


"Isto é um movimento normal quando há grande expressão da doença, mas o fabrico leva o seu tempo. A vacina tem de ser eficaz mas também tem de ser segura", disse.


A 28 de Janeiro deste ano, um comunicado da Direcção-Geral de Saúde dava conta de "seis casos de doença, todos importados da América do Sul", sendo que "nenhum deles ocorreu em grávidas".


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