Agricultura e Pescas Jerónimo de Sousa defende que nova reforma florestal não passa de “boas intenções”

Jerónimo de Sousa defende que nova reforma florestal não passa de “boas intenções”

O secretário-geral do PCP defendeu no distrito de Aveiro, onde se registou a maior área ardida nacional em 2016, que a reforma florestal aprovada esta semana em Conselho de Ministros não passa de "boas intenções" do Governo.
Jerónimo de Sousa defende que nova reforma florestal não passa de “boas intenções”
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 25 de março de 2017 às 23:42

Por considerar que os incêndios nesse distrito constituem um "importante problema regional", Jerónimo de Sousa abordou o tema durante a assembleia que reuniu em S. João da Madeira dirigentes de diversas concelhias do partido.

"O PCP reafirma que o conjunto de diplomas anunciados não responde aos problemas da floresta portuguesa. Mesmo algumas medidas positivas e melhorias na versão agora aprovada não passarão de boas intenções, por falta de resposta aos estrangulamentos, à natureza e às características estruturais da floresta portuguesa, nomeadamente o peso que tem a pequena propriedade", explicou.

As críticas do líder dos comunistas prendem-se com a sua convicção de que, na nova reforma, "esquece-se a questão central do preço da produção lenhosa para não tocar nos interesses da Portucel e da Altri, [empresas] de Belmiro [Azevedo] e [Américo] Amorim".

Jerónimo de Sousa diz também que o Governo está a subestimar o papel dos pequenos produtores, dos compartes de baldios e das suas associações.

"Vai continuar sem solução o cadastro florestal", lamenta. "E não será o grande capital e a empresarialização privada da gestão florestal que poderão responder aos problemas da floresta que o país tem", realça.

Para o secretário-geral do PCP, os problemas da floresta portuguesa não terão solução enquanto não for tida em conta "a destruição de milhares de explorações agrícolas familiares com um papel único na ocupação do território e a desertificação do mundo rural e do interior".

Por isso mesmo, exige "a ruptura com essas políticas, a par da defesa dos rendimentos dos pequenos produtores e dos baldios, do seu associativismo e da intervenção pública com recursos e meios adequados".

"Só assim se defenderá a floresta do flagelo dos incêndios e se concretizará um ordenamento que privilegie o seu uso múltiplo, as economias locais e a sua função ambiental", remata.

Na passada terça-feira, o Governo, reunido em Conselho de Ministros no Palácio de Monserrate, na serra de Sintra, aprovou um pacote de novas medidas na área florestal e alterações às propostas legislativas iniciais para a reforma da floresta, divulgadas no final de Outubro numa reunião na Lousã.




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