Vinho Aposta vinícola de Iniesta prospera após despedida da selecção espanhola

Aposta vinícola de Iniesta prospera após despedida da selecção espanhola

A vinícola da família Iniesta está a crescer muito porque a fama do craque dá mais visibilidade à marca.
Bloomberg 28 de julho de 2018 às 20:00

O médio espanhol campeão mundial Andrés Iniesta pode ter jogado o seu último jogo de futebol com a camisola do seu país, mas o projecto de fabricação de vinhos da sua família está de vento em poupa.

 

Iniesta, de 34 anos, anunciou sua despedida da selecção após a Espanha ter sido eliminada do Mundial quando perdeu nos penalties contra a anfitriã Rússia nos oitavos de final.

 

A decisão de abandonar a La Roja – apelido da selecção espanhola – foi anunciada poucos meses depois de Iniesta informar que trocaria o FC Barcelona pela equipa japonesa Vissel Kobe, o que fez com que os "stocks" de vinho da sua empresa vinícola esgotassem no país asiático. Agora, a sua família negoceia a venda de uma participação na empresa aos seus novos empregadores, disse Agustín Lázaro, director administrativo da Bodega Iniesta.

 

"O vinho sempre foi uma tradição na nossa família, mas não tínhamos suficiente poder económico para abrir uma vinícola antes que Andrés entrasse no mundo do futebol", disse José Antonio Iniesta, pai de Andrés e CEO da vinícola. "O nosso objectivo sempre foi fazer o que gostamos, sem necessariamente ganhar dinheiro. Mas temos feito as coisas bem, por isso continuamos a crescer."

 

Crescimento

 

A vinícola produziu 1,2 milhão de garrafas em 2017, um aumento de 500% em comparação com 2010. Contudo, há sete anos a Espanha era o seu único mercado, mas em 2017, 60% da receita veio do exterior.

 

Fundada em 2010 na cidade natal de Iniesta, Fuentealbilla, 275 quilómetros a sudeste de Madrid, a sorte da vinícola reflecte uma prosperidade geral dos negócios para o sector de vinhos da Espanha, que é o maior do mundo, com cerca de um milhão de hectares cultivados e 530.000 produtores de uvas. As exportações subiram para 2,85 mil milhões de euros em 2017, um recorde que representa um aumento de 1% face ao ano anterior e 289% contra 1995, segundo dados do Observatório Espanhol do Mercado de Vinhos (OEMV).

 

"A queda do consumo interno e da produção de destilados e o desenvolvimento das marcas espanholas de vinho explicam a forte subida das exportações", disse Rafael del Rey, director do OEMV, em entrevista em Madrid. "E agora, especialmente em mercados novos, como a Ásia e a América do Norte, as empresas espanholas estão bem equipadas para concorrer."

 

Por sua vez, a vinícola da família Iniesta está a crescer muito porque a fama do craque dá mais visibilidade à marca.

"Estamos a exportar para 39 países", disse o pai. "Agora que Andrés se mudou para o Japão, vamos expandir ainda mais internacionalmente."