Automóvel Na era da Uber, aluguer de carros entra em queda nos EUA

Na era da Uber, aluguer de carros entra em queda nos EUA

No começo da era automóvel dos EUA, um homem do Nebraska, chamado Joe Saunders, teve uma ideia louca: alugar o seu Modelo T da Ford a vendedores.
Na era da Uber, aluguer de carros entra em queda nos EUA
Bruno Simão/Negócios
Bloomberg 13 de agosto de 2017 às 14:00

Hoje, 101 anos depois, os seus herdeiros simbólicos – Saunders vendeu a empresa a um homem de Chicago chamado Hertz – enfrentam uma pergunta existencial: será que o sector de aluguer de carros dos EUA conseguirá prosperar na era da Uber Technologies, da Lyft e, algum dia, dos veículos autónomos?

 

A resposta, por enquanto, não é boa. A Hertz Global Holdings acumula prejuízos e a Avis Budget Group acaba de reduzir a sua projecção de lucros. Os investidores já pagaram um preço alto. Os problemas com as frotas para aluguer são um dos motivos. Nos últimos anos, a Hertz comprou mais carros do que precisava e tem tido dificuldade em vendê-los a preços decentes.

 

Contudo, talvez o mais preocupante é que as empresas de aluguer de carros enfrentam o tipo de ameaça que derrubou a Blockbuster, que colapsou perante a nova tecnologia de vídeo digital e a Netflix. Existirá sempre um mercado para os carros de aluguer, mas estes parecem antiquados para, cada vez mais, clientes empresariais e até mesmo para clientes esporádicos. Para quê fazer uma fila e preencher formulários para ir buscar e devolver um carro se é possível recorrer a uma aplicação?

 

Os problemas do sector foram evidenciados mais uma vez esta semana, quando a Hertz revelou o seu terceiro trimestre consecutivo de prejuízos. Os resultados ajustados, excluindo itens extraordinários, foram negativos em 0,63 de dólares por acção para o período terminado em Junho, o que foi pior do que a projecção mais baixa dos analistas consultados pela Bloomberg. A Avis também reduziu a sua previsão de resultados para o ano.

 

"O negócio do transporte está a evoluir", afirmou Neil Abrams, presidente da Abrams Consulting Group, que dá apoio de assessoria ao sector de aluguer de carros. "As empresas que não actuam ficam para trás."

 

Frota excessiva

Na verdade, talvez os problemas do sector tenham mais a ver com uma má gestão do que com a Uber, a Lyft ou outras empresas novas de mobilidade. A Hertz em particular acumulou uma frota excessiva, com demasiados carros para alugar. Para que esses veículos continuassem a gerar receita, a empresa teve que baixar as tarifas de aluguer.

 

As empresas tiveram que diminuir as frotas no pior momento possível. Milhões de veículos estão no fim do período de aluguer iniciado nos anos em que o sector automóvel dos EUA estava em pleno crescimento.

 

Além das dificuldades para gerir o seu principal negócio, a Hertz e a Avis também terão que enfrentar um futuro incerto. Atribulados viajantes de negócios precisam arrastar as suas malas até a um autocarro, ir a uma agência de aluguer, fazer fila, pegar no carro, inspeccioná-lo e assinar os papéis para poder sair a conduzir, mas o transporte partilhado possibilita a que as pessoas simplesmente abram uma aplicação para que alguém as vá buscar.




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mais votado Anónimo Há 4 dias

Entreguem a supervisão e regulação deste mercado aos socialistas que eles encarregar-se-ão de fazer os actuais accionistas da Uber e da Lyft morrer à fome ou emigrar para depois roubarem a ideia quando forem eles, os socialistas, donos da maioria das acções da Uber e da Lyft compradas a preço simbólico. Entreguem a supervisão e a regulação deste mercado aos bloquistas que eles encarregar-se-ão de nacionalizar a Uber e a Lyft, criar muitos empregos para toda a gente nessas organizações e transformá-las por falta de boa gestão e alocação adequada de capital e de talento, num serviço público sem carros driverless mas com riquexós puxados por pares e trios de funcionários públicos sindicalizados. Geringonça é o caminho...

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Anónimo Há 4 dias

Entreguem a supervisão e regulação deste mercado aos socialistas que eles encarregar-se-ão de fazer os actuais accionistas da Uber e da Lyft morrer à fome ou emigrar para depois roubarem a ideia quando forem eles, os socialistas, donos da maioria das acções da Uber e da Lyft compradas a preço simbólico. Entreguem a supervisão e a regulação deste mercado aos bloquistas que eles encarregar-se-ão de nacionalizar a Uber e a Lyft, criar muitos empregos para toda a gente nessas organizações e transformá-las por falta de boa gestão e alocação adequada de capital e de talento, num serviço público sem carros driverless mas com riquexós puxados por pares e trios de funcionários públicos sindicalizados. Geringonça é o caminho...

Anónimo Há 4 dias

É isso mesmo! Hoje para alugar um carro temos de fazer tudo! Tudo é extra!....o serviço de aluguer deveria ser uma alternativa de modo a individuais ou colectivos poderem ponderar se comprar ou alugar auto!...

Anónimo Há 4 dias

Se fosse gerido pela Frente Comum exigiam um subsídio pago com o fruto da pilhagem dirigida a todos nós e ainda ilegalizavam a oferta de serviços rideshare.

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