Banca & Finanças 195 obras de arte do BPN "escondidas" à espera do Governo

195 obras de arte do BPN "escondidas" à espera do Governo

O acervo cultural proveniente do banco nacionalizado em 2008, do qual faziam parte os polémicos quadros de Miró, vale cerca de 5,4 milhões de euros. Só três quadros podem ser apreciados pelos contribuintes.
195 obras de arte do BPN "escondidas" à espera do Governo
Bruno Simão
António Larguesa 03 de agosto de 2018 às 09:30

Um conjunto de 195 obras de arte com "um valor líquido de balanço de 3,5 milhões de euros" – e a que a Parvalorem atribui um preço de mercado de "aproximadamente 5,4 milhões de euros" – estão ainda na esfera do Estado. O destino deste espólio com trabalhos de 88 artistas portugueses, como Amadeo de Souza-Cardoso, Maria Helena Vieira da Silva ou Paula Rego, aguarda uma decisão por parte do Governo.

 

Segundo noticia o Público na edição desta sexta-feira, 3 de Agosto, estas obras que pertenciam ao BPN, banco nacionalizado em Novembro de 2008 e cujos activos tóxicos estão a ser geridos por este veículo público, começaram por estar guardadas na antiga sede do BNU, na lisboeta Avenida 5 de Outubro, e desde há dois anos estão depositadas "numa entidade especializada no armazenamento e transporte de obras de arte, com todas as condições de segurança 24 horas por dia e cobertas por adequados seguros".

 

A garantia é dada pelo presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, notando que apenas "três quadros com um contrato de depósito com a Fundação Árpád Szenes-Vieira da Silva" podem ser apreciados pelos contribuintes, que podem vir a suportar perdas próximas de sete mil milhões de euros no seguimento do processo que condenou o ex-banqueiro José Oliveira e Costa a 14 anos de prisão.

 

Esta colecção de arte está envolvida em polémica há vários anos. Dela faziam parte os 85 trabalhos do pintor catalão Joan Miró, datados entre 1924 e 1981, avaliados em balanço por 45,3 milhões de euros. Depois de uma primeira decisão de os vender em leilão, tomada pelo anterior Governo e travada nos tribunais, foi já por decisão do actual Executivo liderado pelo PS que esses quadros acabaram integrados no chamado Património Cultural do Estado Português, estando ao cuidado da Fundação de Serralves.




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