Banca & Finanças A visão mais humana de Ricardo Salgado que causou dor a Isabel Vaz

A visão mais humana de Ricardo Salgado que causou dor a Isabel Vaz

São mais de 200 páginas sobre os últimos dias de vida do BES, pela voz de quem o presidiu. Uma tentativa de humanizar Ricardo Salgado, que criou um banco que faz falta, segundo o ex-governador António de Sousa
Bruno Simão - Fotografia
Diogo Cavaleiro 04 de março de 2016 às 12:39

"Os Vencidos da Vida", o retrato do grupo informal, que unia Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, encontra-se numa das paredes da sala do Grémio Lusitano utilizada para apresentar "Os Dias do Fim". O livro, publicado pela Chiado Editora, apresentado a 3 de Março de 2016, mostra a perspectiva de Ricardo Salgado sobre o fim do Banco Espírito Santo, ditado a 3 de Agosto de 2014. Mas não só.

 

"Foi também para saber como é que uma pessoa que dedica a vida a um grupo e a um banco se reinventa com o final do seu legado", explicou a autora, a jornalista Alexandra Ferreira. "Uma visão um bocadinho mais humana de Ricardo Salgado".

 

Foi uma emocionada Isabel Vaz, presidente da antiga Espírito Santo Saúde, que também falou sobre um "homem que tinha visão, que tinhas ideias, que queria fazer coisas". "Não me posso esquecer nunca que Ricardo Salgado acreditou que eu era capaz de andar para a frente", declarou. Também falou sobre o facto de o antigo líder do BES ter dito, em 2013, para que a dona do Hospital da Luz pusesse parte do capital da empresa em bolsa. Uma antecipação, acredita. "O que me estava a dizer era ‘salve a sua empresa’".

 

"Li este livro com dor", disse Isabel Vaz na sua intervenção numa sala em que as cadeiras estavam todas ocupadas. Eduardo Catroga estava numa delas. Daniel Proença de Carvalho e Almerindo Marques também se encontravam na sala. Os advogados que acompanharam Ricardo Salgado na comissão de inquérito ao BES também. O seu assessor igualmente. O antigo banqueiro conhecido como "dono disto tudo" não. Mas não foi por isso que o Grémio não estava cheio. Numa das portas havia um piano. Uma pessoa teve de passar por baixo para conseguir sair.

 

Além de Isabel Vaz, também António de Sousa apresentou o livro que resulta de conversas com Ricardo Salgado, com muitas citações na primeira pessoa ("fica uma enorme decepção. Uma tristeza grande pela forma como o banco acabou", é uma dessas frases). E foi também da falta do BES que o ex-governador do Banco de Portugal falou. "O BES e o Banif representavam 40% do financiamento àquilo que considero o cerne da economia – as médias e ‘pequenas grandes’ empresas (não as PME)", considerou António de Sousa, negando, depois aos jornalistas, que esta fosse uma crítica à actuação do actual líder do Banco de Portugal, Carlos Costa. O Novo Banco é outro exemplo, disse. 

 

Certo é, para António de Sousa, que agora se tem de pensar como se vai "colmatar a falta de instituições que desapareceram ou estão em processo de transição". A questão ficou por responder. Que elites esperar, mais de um século depois do fim de "Os Vencidos da Vida" e após a queda do maior grupo financeiro familiar português. 


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comentários mais recentes
Fernando Tavares 19.03.2016

DEvia era estar preso e nao sair nunca mais.

Esta a passar fome o Salgado ,como acontece com muitos portugueses,deviam ter vergonha.

Anónimo 06.03.2016

Só a partir da medida de resolução imposta pelo banco de Portugal é que deixaram de pagar o que quer que fosse,eu pela minha parte preferia que nada disto tivesse acontecido e que continuasse tudo como dantes , assim pelo menos eu continuava a receber o que era mau por direito .

Anónimo 05.03.2016

Este livro lembra-me o de José Sócrates.

Anónimo 04.03.2016

O Sr. Salgado de humano não tem nada , não passa de um vigarista , que deixou milhares de pessoas na miséria,
que lhe confiaram as economias de uma vida .

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